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    Tubarão que brilha no escuro pode ter descoberto um jeito curioso de caçar

    Além do corpo, a nadadeira dorsal também emite luz, um detalhe que desafia a hipótese de que o brilho sirva apenas para camuflagem O post Tubarão que brilha no escuro pode ter descoberto um jeito curioso de caçar apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    11 de agosto de 2026 às 08:30
    Tubarão que brilha no escuro pode ter descoberto um jeito curioso de caçar
    Foto: Olhar Digital

    O tubarão kitefin, maior vertebrado bioluminescente conhecido, pode ter desenvolvido seu brilho não apenas para se camuflar nas profundezas do oceano, mas também para localizar alimento.

    A hipótese surgiu a partir de análises realizadas com oito exemplares capturados como fauna acompanhante durante uma pesquisa na região de Chatham Rise, a leste da Nova Zelândia, e examinados por pesquisadores liderados pelo biólogo marinho Julien Claes, da Université Catholique de Louvain, na Bélgica.

    Publicado na última sexta-feira (07) na revista iScience , o estudo indica que a luz emitida pelo animal apresenta características compatíveis com a camuflagem, mas também se espalha lateralmente de maneira que pode favorecer a procura por presas em um ambiente quase sem iluminação.

    Tubarão kitefin visto de lado, brilhando no escuro – (Crédito: Claes et al., iScience, 2026)
    Tubarão kitefin visto de lado, brilhando no escuro – (Crédito: Claes et al., iScience, 2026) — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O fenômeno conhecido como contra-iluminação é utilizado por diversos animais marinhos para reduzir a própria silhueta diante da luminosidade que chega da superfície. Em vez de aparecer como uma forma escura para animais que observam de baixo, o corpo recebe uma iluminação capaz de se confundir com o ambiente.

    No caso do tubarão kitefin, essa explicação ganhou força porque o tubarão não possui predadores naturais conhecidos. A descoberta da bioluminescência da espécie é relativamente recente, e a ausência de ameaças conhecidas levantou a possibilidade de que sua emissão luminosa cumpra funções além da defesa.

    Os pesquisadores mediram a intensidade, a coloração e a direção da luz produzida pelos oito tubarões. Na região inferior do corpo, o brilho apresentou tonalidade azul esverdeada, com pico de emissão em 491 nanômetros.

    (Imagem: Johan Holmdahl/iStock)
    (Imagem: Johan Holmdahl/iStock) — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A intensidade observada também coincidiu com as condições de luminosidade esperadas em profundidades entre aproximadamente 480 e 540 metros, faixa compatível com o ambiente em que a espécie vive. Esses resultados reforçam a interpretação de que a parte inferior do animal utiliza a luz como recurso de camuflagem.

    A distribuição do brilho, porém, revelou uma característica que não se encaixa tão bem nessa explicação. Em vez de acompanhar principalmente o padrão da luz que desce da superfície, a emissão do kitefin se espalha para os lados em uma área mais ampla do que a observada em outros animais que utilizam contra-iluminação.

    O efeito aparece com maior intensidade na região dianteira do corpo, incluindo o focinho, a mandíbula e as nadadeiras peitorais. Para os pesquisadores, uma possível explicação é que essa iluminação lateral funcione como uma espécie de farol biológico, permitindo ao tubarão enxergar melhor o fundo e detectar organismos próximos.

    Tubarão kitefin visto de lado, brilhando no escuro
    Tubarão kitefin visto de lado, brilhando no escuro — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A ideia encontra paralelo em outros animais marinhos que recorrem à bioluminescência para localizar alimento, como o peixe-lanterna Anomalops katoptron e os peixes do gênero Malacosteus. No kitefin, contudo, a luz poderia desempenhar simultaneamente papéis diferentes.

    A iluminação voltada para baixo ajudaria a reduzir a visibilidade do tubarão para organismos situados abaixo dele, enquanto a emissão lateral poderia ampliar sua capacidade de procurar presas ao redor. Essa combinação seria particularmente relevante para uma espécie conhecida por sua baixa velocidade de deslocamento.

    O kitefin é descrito no estudo como o tubarão de natação mais lenta já registrado, com velocidade de apenas 13 centímetros por segundo. Ainda assim, sua alimentação inclui animais visualmente capazes e de deslocamento rápido, como lanternsharks e cefalópodes, o que torna uma estratégia baseada em aproximação discreta potencialmente vantajosa.

    oceano profundo
    oceano profundo — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Outra característica dificulta uma explicação baseada exclusivamente em camuflagem. A nadadeira dorsal também emite luz, embora com intensidade aproximadamente dez vezes menor que a região ventral.

    Mesmo assim, esse brilho supera em cerca de cem vezes a luminosidade ambiente que sobe das profundezas. Para um animal observado lateralmente no ambiente bentônico, a nadadeira poderia se destacar como um ponto luminoso, o que não combina com a função de esconder o corpo.

    Por isso, os pesquisadores consideram outras possibilidades para essa emissão, entre elas a comunicação entre indivíduos da mesma espécie ou a atração de possíveis presas. Essas interpretações, entretanto, ainda não foram demonstradas diretamente.

    Tubarão kitefin visto de lado, brilhando no escuro – (Crédito: Claes et al., iScience, 2026)
    Tubarão kitefin visto de lado, brilhando no escuro – (Crédito: Claes et al., iScience, 2026) — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O estudo foi baseado em exames físicos de tubarões retirados do ambiente profundo e analisados a bordo de uma embarcação de pesquisa. Para confirmar como a luz é utilizada durante a vida natural do animal, seriam necessárias observações do comportamento da espécie em seu próprio habitat.

    Os resultados, portanto, não encerram a questão sobre a função da bioluminescência do kitefin. Eles indicam, porém, que a contra-iluminação pode ter uma finalidade mais complexa do que simplesmente esconder um animal de seus predadores.

    Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

    (Imagem: Johan Holmdahl/iStock)
    (Imagem: Johan Holmdahl/iStock) — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/11/ciencia-e-espaco/tubarao-que-brilha-no-escuro-pode-ter-descoberto-um-jeito-curioso-de-cacar/.

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    Tubarão kitefin visto de lado, brilhando no escuro – (Crédito: Claes et al., iScience, 2026) — Foto: Olhar Digital

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