TST julga greve da Caixa; entenda impasse sobre o plano de saúde e o que pode acontecer
O TST (Tribunal Superior do Trabalho) julga nesta terça-feira, a partir das 14h30, a legalidade da greve nacional dos funcionários da Caixa Econômica Federal. O dissídio coletivo foi levado à Justiça pelo banco público, que pediu o reconhecimento de abusividade do movimento.

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O TST (Tribunal Superior do Trabalho) julga nesta terça-feira, a partir das 14h30, a legalidade da greve nacional dos funcionários da Caixa Econômica Federal . O dissídio coletivo foi levado à Justiça pelo banco público, que pediu o reconhecimento de abusividade do movimento.

Em decisão liminar —provisória— o ministro Maurício Godinho determinou que os trabalhadores mantenham 60% do efetivo, pois segundo consta na lei, serviços bancários são essenciais, mas garantiu o direito de greve aos trabalhadores. Nesta segunda (28), agências funcionavam de forma parcial.
A multa por descumprimento é de R$ 100 mil por entidade representativa de trabalhadores
A paralisação começou no dia 10 de setembro e tem como principal impasse alteração nos valores e regras do plano de saúde. O principal argumento dos funcionários é que os reajustes propostos e as mudanças farão com que o aumento salarial da categoria no país —de 0,6% acima da inflação— seja corroído pela alta no convênio.

Em nota, a Caixa afirmou que tem buscado solução institucional e que "cumprirá integralmente as determinações que vierem a ser estabelecidas pela Justiça do Trabalho".
As negociações entre os trabalhadores e a Caixa começaram bem antes da data-base da categoria, que é 31 de agosto. Foram, ao todo, 54 rodadas de negociação, até que os bancos privados e o Banco do Brasil fechassem o acordo coletivo de trabalho.
Na Caixa, os bancários negaram três propostas. "O que está por trás disso é que, com o aumento da mensalidade, muitos colegas, em particular as mulheres vão ter uma grande perda, porque haverá aumento no teto familiar e por dependente. E as mulheres que são arrimo de família sofrem ainda mais", explica o bancário Thiago Rodrigues.

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Rodrigues faz parte de um movimento dissidente chamado de Comitê de Base São Joaquim, que funciona na capital paulista, e discorda da forma como as negociações foram tratadas entre o Comando Nacional de Negociação dos Bancários e a própria Caixa.
"O comitê surgiu desse sentimento que nossas angústias não estão sendo ouvidas", diz ele, afirmando temer que nem a direção da Caixa e nem o TST tenham entendido o quanto pode ser prejudicial às mudanças. "Uma mãe com dois dependentes vai ter mais de R$ 1.000 de desconto no salário", afirma.

Segundo Rodrigues, o debate sobre o plano de saúde inclui uma regra do governo de Michel Temer (MDB), aprovada em 2018, que limitava a 6,5% sobre a folha de pagamento o valor que uma empresa pública podia custear de convênio médico.
Antes, o custeio era de 70/30. O banco entrava com 70% sobre a folha de pagamentos para custear o convênio e os bancários, com 30%. Essa era a regra que a categoria gostaria que voltasse, já que a norma de Temer não existe mais.
A Caixa chegou a oferecer percentual maior de custeio, de 9% sobre a folha, proposta negada em 21 de setembro. No processo no TST, o banco retirou a última oferta e piorou as condições de negociação para os trabalhadores.
Na ação apresentada ao TST, além do pedido de abusividade e da possibilidade de descontar os dias parados, a Caixa pediu também que o TST instituísse medidas para barrar protestos e garantir o acesso de empregados, clientes, bens e valores às agências, centros de tecnologia e unidades de tesouraria. O banco também quer o desconto dos dias parados.
Nesta segunda, sindicatos de bancários de todo o país fizeram manifestações em várias cidades. Em São Paulo, os atos se concentraram na agência da São Joaquim (zona sul). Em Brasília (DF), os bancários se fantasiaram de palhaços.
Para dependente indireto que for filho de 21 a 24 anos, a mensalidade seria de R$ 660
Para filhos de 24 a 27 anos e pais/mães remanescentes, a mensalidade será de R$ 900
O limite do grupo familiar (titular e dependentes diretos) será de 9%
Consulta no pronto-atendimento no valor de R$ 120
Custeio no modelo 60/40, com estudo para subir para 70/30
As contas bancárias não podem deixar de ser pagas, mesmo com a greve dos funcionários e com as agências fechadas. Isso porque a Caixa mantém todos os canais online funcionando, além dos caixas eletrônicos.
Quem busca atendimento nas agências encontra portas fechadas, com cartazes feitos pelos sindicatos de servidores explicando a greve e dando alternativas de atendimento. Há ainda trabalhadores terceirizados que podem orientar os clientes.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/tst-julga-greve-da-caixa-entenda-impasse-sobre-o-plano-de-saude-e-o-que-pode-acontecer.shtml.

Agência da Caixa em São Paulo com cartazes em greve; bancários começaram paralisação em 10 de setembro e TST mandou manter 60% do efetivo - Cristiane Gercina/Folhapress · Cristiane Gercina/Folhapress — Foto: UOL
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