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    TST determina fim da greve da Caixa e manda repor dias parados; plano de saúde terá reajuste

    A greve dos bancários da Caixa Econômica Federal não é abusiva, deverá acabar imediatamente -no máximo até esta quarta-feira (30)- e os dias parados serão compensados em até 180 dias, sem desconto dos salários. Além disso, o plano de saúde, principal impasse entre a Caixa e a categoria , terá reajuste de 4,6%. Leia mais (09/29/2026 - 15h41)

    Folha de S.Paulo
    29 de setembro de 2026 às 18:41
    TST determina fim da greve da Caixa e manda repor dias parados; plano de saúde terá reajuste
    Três homens participam de protesto em frente à agência da Caixa Econômica Federal. Um deles veste camiseta vermelha com a palavra 'GREVE' e conversa com outro homem à direita. Ao fundo, cartazes com a palavra 'GREVE' estão fixados em uma gr — Foto: Folha de S.Paulo

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    A greve dos bancários da Caixa Econômica Federal não é abusiva, deverá acabar imediatamente —no máximo até esta quarta-feira (30)— e os dias parados serão compensados em até 180 dias, sem desconto dos salários. Além disso, o plano de saúde, principal impasse entre a Caixa e a categoria , terá reajuste de 4,6%.

    Bancários da Caixa fazem greve desde 10 de setembro em todo o país; na foto, unidade do banco na av. Paulista com cartazes sobre a paralisação - Allison Sales/Folhapress · Allison Sales/Folhapress
    Bancários da Caixa fazem greve desde 10 de setembro em todo o país; na foto, unidade do banco na av. Paulista com cartazes sobre a paralisação - Allison Sales/Folhapress · Allison Sales/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Essa foi a decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho), em julgamento de dissídio coletivo da Caixa na tarde desta terça (29). Os ministros aprovaram por unanimidade o voto do ministro relator, ministro Maurício Godinho , com ajustes acordados durante a sessão.

    O ministro determinou ainda reajuste salarial pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) mais 0,6% de aumento real sobre salários e benefícios, o que dá 4,6%, mesmo índice do convênio. A regra valerá a partir de 1º de setembro e o acordo coletivo de trabalho tem validade de dois anos, de 2026 a 2028.

    "Estou determinando o retorno de imediato, imediatamente após essa sessão ou, no máximo, amanhã. Não pode ter greve, senão haverá descumprimento de ordem judicial", disse Godinho.

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    Greve fecha agências da Caixa em SP e no Paraná; veja fotos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em seu voto, de 97 páginas, Godinho afirmou que todos os requisitos formais previstos na Lei de Greve foram cumpridos pelas entidades representativas de trabalhadores e negou a aplicação da multa de R$ 100 mil por descumprimento.

    Segundo ele, a paralisação foi deflagrada dentro dos prazos legais, houve comunicação às entidades empresariais e foi garantida a presença necessária para o atendimento das necessidades dos clientes durante a greve, conforme a Justiça determinou.

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    O ministro disse que o TST determinou 60% de efetivo nas agências e que essa decisão partiu do fato de que os bancos usam muita tecnologia. Em geral, se determina a pedido de 80% de efetivo. Negou a solicitação da Caixa para que o tribunal supervisionasse a greve.

    Godinho considerou que cabe à Caixa e às varas e juízes do trabalho fazer isso. "Temos 3.500 varas de trabalho e também os TRTs com os recursos que existem", afirmou. Ele também reduziu de 80% para 60% o percentual de presença de trabalhadores durante a paralisação, considerando o uso de tecnologias e dos serviços digitais no sistema bancário.

    Em seu relatório, o ministro Godinho decidiu que o reajuste das cláusulas econômicas, como salário e benefícios, deve levar em conta o INPC mais 0,6% de reajuste e que o mesmo percentual será aplicado para todo o plano de saúde, que era o principal impasse entre a Caixa e os funcionários.

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    Segundo o ministro, diferente dos Correios, cujo dissídio foi julgado na semana passada, a Caixa teve lucro de R$ 10 bilhões em 2025, enquanto os Correios precisam de ajuda.

    Godinho citou o estudo sobre o Saúde Caixa, que tem déficit. As entidades sindicais contestam os dados e pediram perícia, mas o ministro disse que não seria possível porque o julgamento do dissídio é urgente.

    Para ele, as mudanças no plano precisam considerar o envelhecimento da população e a necessidade de adequação do sistema, sem retirar dos trabalhadores o acesso a um plano de saúde de qualidade.

    A sentença mantém as regras preexistentes sobre mensalidade adicional de dependentes, teto de renda e coparticipação. Além da aplicação do INPC, ele determinou que a contribuição a ser descontada do salário dos bancários segue em 3,5%, com teto de 7% previsto no acordo coletivo anterior, de 2024 a 2026.

    "Neste caso não há possibilidade de atender nem o pleito inteiro da Caixa nem o pleito inteiro dos trabalhadores", afirmou. O ministro também tratou da contribuição assistencial, destacando que os descontos podem alcançar associados e não associados, conforme as regras.

    O advogado José Eymard Loguércio, que representa uma das confederações de trabalhadores, afirmou que uma das principais questões em discussão no plano de saúde da Caixa é a diferença entre empregados que ingressaram no banco antes e depois de 2018.

    "Também há uma diferença a ser corrigida entre os que ingressaram na Caixa antes de 2018 e os que ingressaram pós-2018. Essas são as duas referências e questões fundamentais que nos fizeram chegar até aqui", disse.

    Loguércio também defendeu que a sentença normativa tivesse vigência de dois anos, para evitar um descasamento entre a data-base da Caixa e a dos demais bancos.

    "Embora as sentenças normativas tenham, por prática, um ano, se nós definirmos aqui uma vigência de apenas um ano, nós teremos um problema de descasamento da data-base da Caixa Econômica em relação aos demais do sistema financeiro", afirmou.

    O advogado da Caixa, Pedro Jorge Santana Pereira, disse que o dissídio não deveria ser tratado como uma disputa entre vencedores e perdedores. "A Caixa entende que o dissídio coletivo não tem vencedores e ganhadores."

    Os advogados Carlúcio Campos Rodrigues Coelho, da Contec (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito), citou os resultados da Caixa para defender que o banco poderia absorver o déficit projetado para o plano de saúde em 2026, e pediu que a Caixa assumisse pagar para o plano 11% sobre a folha de salários.

    Segundo ele, a Caixa acumulou lucro líquido de R$ 120,6 bilhões entre 2018 e o primeiro semestre de 2026. "Diante desses números [...] é perfeitamente economicamente sustentável para uma empresa do porte da Caixa Econômica Federal, com os objetivos sociais que são inerentes a esta instituição, suportar o prejuízo de 2026", afirmou.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/ministro-vota-pelo-fim-da-greve-da-caixa-e-manda-descontar-dias-parados-em-julgamento-no-tst.shtml.

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