Brasil

    TSE forma maioria para manter suspensa campanha de Deltan Dallagnol ao Senado

    O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou maioria nesta segunda-feira (21) para manter suspensa a campanha do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado pelo Paraná. Leia mais (09/21/2026 - 18h26)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 21:26
    TSE forma maioria para manter suspensa campanha de Deltan Dallagnol ao Senado
    Dois homens estão lado a lado em frente a um fundo azul com texto branco parcialmente visível. O homem à esquerda veste jaqueta preta sobre camisa branca e mantém expressão séria. O homem à direita usa suéter azul escuro sobre camisa branca — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou maioria nesta segunda-feira (21) para manter suspensa a campanha do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado pelo Paraná.

    O candidato ao Senado pelo Paraná Deltan Dallagnol - Rodolfo Buhrer - 29.mai.2026/Reuters · Rodolfo Buhrer - 29.mai.2026/Reuters
    O candidato ao Senado pelo Paraná Deltan Dallagnol - Rodolfo Buhrer - 29.mai.2026/Reuters · Rodolfo Buhrer - 29.mai.2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Relator do recurso, o ministro Floriano de Azevedo Marques decidiu, no sábado (19), que Dallagnol permanece impedido de realizar atos eleitorais até o julgamento do registro da candidatura. Dias Toffoli, Estela Aranha e Ricardo Villas Bôas Cueva referendaram a liminar. André Mendonça divergiu.

    A sessão ocorre em plenário virtual. Os magistrados têm até o fim da noite desta segunda para se manifestar. Faltam votar o presidente Kassio Nunes Marques e Sebastião Reis.

    Ao abrir divergência, Mendonça defendeu haver risco de a decisão significar o "fim prematuro da campanha".

    Este é Deltan Dallagnol
    Este é Deltan Dallagnol — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Vislumbro risco de dano inverso e de improvável (quiçá impossível) reparação, haja vista que a decisão ora examinada não apenas cuidou de retirar o acesso aos recursos do FEFC [Fundo Eleitoral], mas impôs o que se pode denominar fim prematuro da campanha, haja vista que o candidato nem mesmo pode pedir voto", disse.

    O processo corre sob sigilo em cumprimento à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), segundo a corte.

    Em 2023, a corte eleitoral considerou Dallagnol inelegível por entender que ele pediu exoneração do Ministério Público Federal de forma antecipada para evitar a conclusão de procedimentos disciplinares que poderiam comprometer sua candidatura.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na ocasião, os ministros concluíram que a conduta configurou fraude, tendo por consequência a inelegibilidade de acordo com a Lei da Ficha Limpa.

    O TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná), porém, deferiu o registro de Dallagnol para a disputa de 2026, acolhendo o argumento de que os procedimentos administrativos contra o ex-procurador foram arquivados e não resultaram em punições. Também considerou que a decisão do TSE de 2023 não estabeleceu impedimento automático para a eleição deste ano.

    Ao analisar o caso, Floriano de Azevedo Marques apontou indícios de que o TRE-PR contrariou entendimento firmado pelo próprio TSE ao autorizar a candidatura do ex-procurador da República.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O relator afirmou que os desdobramentos posteriores não afastam, por si só, a possível fraude identificada no momento da exoneração.

    Para o ministro, a ausência de mudanças relevantes na situação jurídica do candidato recomenda a manutenção do entendimento anterior do tribunal.

    A liminar foi concedida a pedido da Coligação Paraná Para Todos e da Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), compostas por PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PRD e Solidariedade.

    Dallagnol ganhou projeção nacional como coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato , em Curitiba . Ele foi eleito deputado federal pelo Paraná em 2022.

    Ele diz que vai recorrer da decisão e que a medida ocorre em um contexto de proximidade entre o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do caso, e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, pivô de crise em razão de contatos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

    A defesa cita reportagem de 2023 da Folha sobre a proximidade dos dois e a influência de Moraes na indicação de Floriano ao tribunal.

    Advogados dizem ainda que a decisão foi tomada em sigilo, sem oitiva prévia do candidato, e que ainda não tiveram acesso integral ao pedido. Apontam também o que seriam contradições com decisões anteriores do próprio Floriano. Em caso no Paraná, em 2024, ele aplicou entendimento de que dúvida razoável sobre inelegibilidade deve favorecer o direito de ser votado.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    As principais notícias da semana sobre o cenário jurídico e conteúdos exclusivos

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/tse-forma-maioria-para-manter-suspensa-campanha-de-deltan-dallagnol-ao-senado.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    O candidato ao Senado pelo Paraná Deltan Dallagnol - Rodolfo Buhrer - 29.mai.2026/Reuters · Rodolfo Buhrer - 29.mai.2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)