Brasil

    Trump vira seus canhões para a América Latina

    Em sua aurora, a Doutrina Monroe se mostrava benéfica para os países das Américas ao repudiar a ingerência colonial europeia nas nações que se formavam na região. Leia mais (08/14/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de agosto de 2026 às 01:00
    Trump vira seus canhões para a América Latina
    Homem de terno azul escuro e gravata azul claro fala em evento interno com bandeira dos Estados Unidos desfocada ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Donald Trump, presidente dos Estados Unidos - Samuel Corum - 14.ago.26/Getty Images via AFP · Samuel Corum - 14.ago.26/Getty Images via AFP
    Donald Trump, presidente dos Estados Unidos - Samuel Corum - 14.ago.26/Getty Images via AFP · Samuel Corum - 14.ago.26/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em sua aurora, a Doutrina Monroe se mostrava benéfica para os países das Américas ao repudiar a ingerência colonial europeia nas nações que se formavam na região.

    Formulada pelo presidente James Monroe em 1823, ela buscava consolidar a influência dos recém-criados EUA, sem advogar a interferência direta nos vizinhos. Ao longo dos anos, o crescente poderio de Washington deturpou a já pouco inocente premissa, e, em 1904, Theodore Roosevelt acrescentou um corolário com seu sobrenome ao texto original.

    A partir dele, os EUA se arrogaram o direito de intervir para garantir o controle do que viam como seu quintal estratégico. O resultado foi um século de apoio a ditadores amigos e um sem-número de ações militares.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O fim da Guerra Fria e a ascensão do hoje abalado multilateralismo amainaram o ímpeto dos EUA, mas a volta de Donald Trump ao poder gerou um novo capítulo nessa história sombria.

    Considerando inaceitável a prevalência comercial da China na América Latina , o republicano resolveu editar sua versão do dito corolário na Estratégia de Segurança Nacional de 2025.

    Ela emprega o correto argumento do combate transnacional ao crime organizado e ao narcotráfico para justificar ações militares nos vizinhos —enquanto patina no Oriente Médio .

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Aos aliados, promete cooperação e armas, como anunciou na quinta-feira (13) o secretário de Defesa , Pete Hegseth. Aos adversários, a iniciativa serve de desculpa para intervencionismo, como se viu na captura ilegal do ditador Nicolás Maduro na Venezuela , onde o chavismo logo se assumiu vassalo de Trump.

    O poder fincado em Caracas serviu para ampliar o bloqueio a outra ditadura condenável, a de Cuba , que está em deterioração.

    Onde os governos à esquerda fracassaram, o republicano viu emergir aliados populistas de direita como o argentino Javier Milei , o chileno José Antonio Kast e o colombiano Abelardo de la Espriella . Trump agiu em apoio a eles e a outros; agora, mira o prêmio maior da região: o Brasil.

    O cerco ao governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) é multifacetado, com tarifas comerciais, cassação do visto da embaixadora, classificação de facções como terroristas e até um anunciado sobrevoo de bombardeiros para ataques nucleares nas proximidades do território brasileiro, com apoio de Santiago e Buenos Aires .

    O beneficiário presumido seria o clã Bolsonaro, idólatra confesso do trumpismo, que tem no senador Flávio ( PL -RJ) o desafiante no pleito deste ano. Lula repetiu a tática de levantar a bandeira da soberania, algo que já lhe rendeu dividendos políticos.

    Quando as esparrelas eleitorais de lado a lado cessarem, sobrará a ameaça renovada das canhoneiras do bufão da Casa Branca, resumida numa postagem do Departamento de Estado na terça-feira (11): "O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/trump-vira-seus-canhoes-para-a-america-latina.shtml.

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    Donald Trump, presidente dos Estados Unidos - Samuel Corum - 14.ago.26/Getty Images via AFP · Samuel Corum - 14.ago.26/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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