Trump se enreda no caos que criou no Oriente Médio
Os Estados Unidos raramente se lançaram a grandes intervenções militares no Oriente Médio sem antes buscar algum apoio regional e de aliados globais. Leia mais (08/23/2026 - 22h00)

Texto não assinado que expressa a opinião da Folha
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Os Estados Unidos raramente se lançaram a grandes intervenções militares no Oriente Médio sem antes buscar algum apoio regional e de aliados globais.
O presidente Donald Trump não observou tal precaução. Após inflamar ainda mais a região, angariou fiascos em suas iniciativas diplomáticas para tentar reverter a situação e hoje vê-se enredado na desordem que criou.
A resiliência e a capacidade contraofensiva do Irã , passados seis meses do primeiro ataque dos EUA e de Israel , mostram-se insuperáveis. Se o republicano teve de engolir sua declaração de vitória em abril, também perdeu a chance de firmar um acordo efetivo para recuperar alguma paz na região e conter o programa nuclear iraniano.

Com os 60 dias de cessar-fogo —violado de lado a lado— concluídos na última segunda (17), o que resta é a persistente obstrução do tráfego no Estreito de Hormuz pelo Irã e suas consequências para a economia global: insegurança energética e aumento da inflação devido à pressão sobre os preços do petróleo .
Mesmo antes da negativa ao acordo proposto pela Casa Branca, ataques de Teerã e de seus aliados no Iraque e no Iêmen contra bases militares americanas em países árabes denotaram o erro estratégico de Washington.
Avesso a reabrir as negociações diplomáticas, na quarta-feira (19) Trump anunciou uma "guerra econômica sem precedentes" contra a teocracia e, por meio de ameaça vaga, a países que mantêm transações com Teerã.

Trump também não foi exitoso em sua empreitada pela paz entre Israel e o Hamas, cujo desenho foi endossado pelo grupo terrorista palestino e rejeitado por seu aliado Binyamin Netanyahu no início deste mês. A ausência de censura do primeiro-ministro ao titular da pasta de Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, revela a preferência de Israel pelo frágil cessar-fogo vigente.
Em recente entrevista, Ben-Gvir defendeu o assassinato seletivo de 30 a 40 palestinos por noite em Gaza, a instalação de assentamentos israelenses e a emigração em massa da população local. Tampouco houve advertência pública da Casa Branca à funesta propaganda do ministro de Netanyahu, mesmo ante o desgosto do acordo recusado.
É provável que a receita do republicano para desfazer seus erros estratégicos agrave o caos por ele instalado no Oriente Médio. O mundo busca alternativas à situação atual, mas, enquanto Trump estiver no poder, não virão dos EUA soluções de bom senso.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/trump-se-enreda-no-caos-que-criou-no-oriente-medio.shtml.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos - Evan Vucci - 21.ago.26/Reuters · Evan Vucci - 21.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

