Trump quer mudar o termo “IA”, mas ciência rebate e faz distinção; entenda
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala com jornalistas no gramado sul da Casa Branca antes de embarcar no Marine One, em Washington, em 5 de outubro de 2026. Foto: Samuel Corum/Sipa/Bloomberg " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/10/469987360.jpg?fit=1125%2C750&quality=70&strip=all" />A decisão levanta questões sobre o uso de um conceito científico ainda hipotético The post Trump quer mudar o termo “IA”, mas ciência rebate e faz distinção; entenda appeared first on InfoMoney .

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala com jornalistas no gramado sul da Casa Branca antes de embarcar no Marine One, em Washington, em 5 de outubro de 2026. Foto: Samuel Corum/Sipa/Bloomberg
Donald Trump não está satisfeito com o nome de uma das tecnologias mais discutidas dos últimos anos. O presidente dos Estados Unidos quer substituir a expressão inteligência artificial (IA) por superinteligência, que considera mais precisa e, sobretudo, mais agradável de ouvir.
Nesta quinta-feira (8), Trump foi além da preferência pessoal e afirmou que a Casa Branca considera inimigos aqueles que insistirem em usar o termo tradicional. A declaração foi publicada em sua rede Truth Social e reforça uma mudança que ele já havia determinado por decreto para os órgãos do governo federal.

Mas tudo isso entra em choque com a definição científica de cada conceito. No campo da tecnologia, superinteligência tem um significado próprio e descreve um estágio muito mais avançado do que a inteligência artificial que conhecemos hoje.
A preferência de Trump por superinteligência apareceu publicamente em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, o presidente afirmou que o termo soava melhor e defendeu sua adoção para se referir às tecnologias de IA.
A iniciativa também ocorre em meio à resistência de parte da população americana à expansão do setor. O crescimento dos data centers, que exigem grandes quantidades de energia e água, tem provocado protestos em comunidades preocupadas com os impactos dessas instalações.

Nesse contexto, a mudança de nomenclatura busca construir uma imagem mais favorável da tecnologia. A palavra superinteligência sugere um avanço extraordinário , embora não haja evidências de que a troca de expressão, por si só, altere a percepção pública.
Trump formalizou a decisão em um decreto de setembro, determinando que os órgãos federais adotassem a nova terminologia. O documento, entretanto, utiliza como referência a definição legal de inteligência artificial já existente nos Estados Unidos.
A inteligência artificial já está presente em atividades do dia a dia, como conversar com assistentes pessoais , traduzir textos ou receber recomendações de conteúdo. São sistemas desenvolvidos para tarefas que exigem capacidades associadas à inteligência humana, embora seu funcionamento seja diferente do nosso.
Já a superinteligência artificial representa um estágio muito mais avançado. O conceito descreve uma inteligência capaz de superar amplamente o desempenho humano em praticamente todas as atividades cognitivas, incluindo aquelas que exigem criatividade e raciocínio complexo.
O termo ganhou projeção com o filósofo Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, autor do livro Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies, publicado em 2014. Na obra, ele examina as possibilidades e os riscos de sistemas cuja capacidade intelectual ultrapassaria a dos seres humanos.
Essa tecnologia ainda é hipotética. Mesmo os modelos mais avançados de IA disponíveis atualmente apresentam limitações de raciocínio e confiabilidade. Também não há consenso científico sobre quando, ou mesmo se, uma superinteligência será desenvolvida.
Por enquanto, a mudança tem alcance limitado ao governo federal americano. O decreto determina que os órgãos públicos adotem a expressão superinteligência em suas comunicações oficiais, mas não obriga empresas privadas ou cidadãos a abandonar o termo inteligência artificial.
Companhias de tecnologia também já utilizam a palavra superinteligência, embora com significados e objetivos próprios. A Meta, por exemplo, adotou o termo para identificar sua área de pesquisa voltada ao desenvolvimento de sistemas mais avançados de IA.
Para quem utiliza ferramentas como ChatGPT ou Gemini , nada muda. Os produtos continuam funcionando da mesma maneira, e a nova nomenclatura não altera suas capacidades nem as regras de uso.
A declaração de Trump sobre considerar inimigos aqueles que mantiverem a expressão inteligência artificial também não veio acompanhada de medidas concretas. Até o momento, o governo americano não anunciou sanções ou penalidades para quem continuar usando o nome tradicional.
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Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mundo/trump-quer-chamar-ia-de-superinteligencia/.

Foto: InfoMoney
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