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    Trump passa o dia sem comentar eleição, e Milei comemora desempenho de Flávio

    Em meio a temores de que a eleição seja alvo de interferência externa , o primeiro turno terminou neste domingo (4) sem que o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , ou seus aliados mais próximos tenham feito comentários em público sobre o pleito no Brasil. Leia mais (10/04/2026 - 21h32)

    Folha de S.Paulo
    5 de outubro de 2026 às 00:32
    Trump passa o dia sem comentar eleição, e Milei comemora desempenho de Flávio
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Em meio a temores de que a eleição seja alvo de interferência externa , o primeiro turno terminou neste domingo (4) sem que o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , ou seus aliados mais próximos tenham feito comentários em público sobre o pleito no Brasil.

    O presidente da Argentina, Javier Milei, posa ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, em evento do Escudo das Américas em Miami, nos EUA - Saul Loeb - 7.mar.26/AFP · Saul Loeb - 7.mar.26/AFP
    O presidente da Argentina, Javier Milei, posa ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, em evento do Escudo das Américas em Miami, nos EUA - Saul Loeb - 7.mar.26/AFP · Saul Loeb - 7.mar.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Até a noite deste domingo, após a confirmação de que Flávio Bolsonaro ( PL ) disputará o segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), o presidente americano não tinha se pronunciado sobre as eleições brasileiras.

    O receio de que autoridades internacionais, em particular ligadas a Washington, poderiam interferir abertamente no pleito movimentou tanto a campanha de Lula como a de Flávio .

    Se de um lado o petista reforçou em seu discurso a defesa da soberania diante de pressões, ameaças de sanções e tarifas aplicadas por Trump , de outro aliados do senador têm insinuado que a ameaça de interferência externa pode servir de justificativa para um suposto golpe ou interferência judicial que impeça eventual vitória de Flávio.

    Veja fotos da visita de Javier Milei a Tarcísio de Freitas (Republicanos)
    Veja fotos da visita de Javier Milei a Tarcísio de Freitas (Republicanos) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os temores foram amplificados desde que as representações diplomáticas dos EUA e da Austrália no Brasil anunciaram o fechamento na sexta-feira (2) por "questões de segurança" . A Polícia Federal não encontrou evidências de suposta ameaça de bomba que teria sido feita pelas redes sociais.

    A ausência de uma reação imediata de Trump contrasta com a postura adotada por Washington na eleição presidencial brasileira de 2022. Na noite do primeiro turno daquele ano, o então secretário de Estado Antony Blinken parabenizou brasileiros e instituições do país por um pleito que classificou como "bem-sucedido". No dia seguinte, a Casa Branca afirmou que a votação havia ocorrido de maneira "livre, justa, transparente e crível" .

    Se Trump silenciou, outro importante aliado de Flávio, o presidente da Argentina , Javier Milei , lotou suas redes sociais com ataques a Lula e manifestações de apoio ao senador. O sempre movimentado perfil do ultraliberal no Instagram republicou ao menos cinco conteúdos sobre as eleições brasileiras.

    Javier Milei e a motosserra
    Javier Milei e a motosserra — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um deles colocava lado a lado uma foto do petista preso durante a ditadura militar e outra do argentino como goleiro na juventude. "O passado de Lula/O passado de Milei", dizia a publicação. Outro trazia uma foto de Jair Bolsonaro com os dizeres: "Hoje é por ele".

    No X, ele compartilhou um vídeo de Flávio indo votar neste domingo. "Fenômeno local", comentou. Na gravação, feita pela LN+, o candidato disse que convidaria Milei para ir ao Brasil.

    Após os resultados, Milei voltou a se pronunciar. "A liberdade avança no Brasil", excreveu o argentino no X. "Parabéns, querido amigo Flávio Bolsonaro, por esta eleição histórica contra o comunista Lula. O continente americano é de cidadãos que querem viver em liberdade", continuou. "Espero que em breve possamos começar a trabalhar juntos para que a Argentina e o Brasil continuem sendo grandes parceiros comerciais, culturais e políticos. "

    Conheça quem pensa a Rockbridge
    Conheça quem pensa a Rockbridge — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em seu Instagram, o ultraliberal publicou ainda o mapa da América do Sul quase com o Brasil pintado de azul, assim como quase os países vizinhos atualmente governados pela direita. "Eu vim despertar os leões, e os leões despertaram", diz o texto que acompanha a imagem.

    Milei foi o mais vocal apoiador de Flávio na América Latina , que elegeu políticos de direita em série no último ano. No final de julho, o argentino foi ao evento de lançamento de campanha de Flávio no Brasil e chamou Lula de "lixo socialista". A ofensa abriu uma crise que desembocou em um rebaixamento inédito das relações bilaterais entre Brasil e Argentina.

    O governo Trump abandonou a cautela de governos anteriores em Washington e tem manifestado apoio a candidatos ideologicamente alinhados, em particular na América Latina, e, em alguns casos, participado diretamente da campanha.

    Veja quem são os bolsonaristas que não foram extraditados para o Brasil
    Veja quem são os bolsonaristas que não foram extraditados para o Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2025, por exemplo, declarou apoio a Milei em pleito legislativo importante para a agenda do ultraliberal. Em novembro daquele ano, apoiou o hondurenho Nasry Asfura, e em junho deste ano, apoiou publicamente o colombiano Abelardo de la Espriella .

    Em reunião à margem da Assembleia Geral da ONU, o republicano também se reuniu com líderes de direita da América Latina que integram o Escudo das Américas, iniciativa de cooperação em segurança criada pelo governo Trump.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Apoiei alguns de vocês, e conquistamos grandes vitórias eleitorais" disse ele. "Acho que meu placar é de nove vitórias em nove disputas: todos que apoiei venceram. Estamos vencendo muito. Estou com vocês até o fim e farei tudo o que estiver ao meu alcance", afirmou o republicano durante o encontro.

    O receio de ingerência na eleição brasileira cresceu no fim de setembro. Como a Folha mostrou, empresários ligados ao grupo americano Rockbridge, ligado ao vice-presidente americano, J. D. Vance, ajudaram Flávio Bolsonaro com relatórios e consultoria. O senador nega ter recebido financiamento do exterior.

    Além disso, a AGU (Advocacia-Geral da União) pediu investigações ao MPF (Ministério Público Federal) acerca de possíveis financiamentos do governo Trump a grupos e organizações para atacar instituições brasileiras, como o STF .

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O pedido teve como base reportagem do jornal britânico The Guardian, segundo a qual o Departamento de Estado norte-americano teria repassado US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões), oriundos do Human Rights and Democracy Fund, ao programa "Countering Lawfare and Censorship in Brazil" (Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil).

    O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues , afirmou neste domingo que abriu um procedimento prévio de investigação para analisar suspeitas de interferência e financiamento externo no país. No começo da tarde, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques , afirmou que os órgãos de inteligência da Justiça Eleitoral não havia identificado "nenhum indicativo concreto" de interferência externa nas eleições.

    Reagindo ao anúncio da PF, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou em publicação no X que os EUA haviam sido "colocados sob investigação" pelo governo Lula e que uma narrativa estaria sendo construída para permitir a anulação de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.

    A afirmação, porém, vai além do que foi anunciado pela PF. A corporação iniciou uma apuração preliminar, mas não a abertura formal de um inquérito. O procedimento foi encaminhado à Diretoria de Inteligência para verificar se há elementos que indiquem interferência estrangeira no processo eleitoral.

    Eduardo também insinuou, sem provas, que o STF pode cancelar as eleições no Brasil se seu irmão, Flávio, não vencer no 1º turno. Citando eleições na Romênia em 2024, Eduardo comparou a anulação do pleito romeno pela Suprema Corte do país por interferência externa à eleição brasileira. "Quem for inteligente vai conseguir conectar os pontos", disse Eduardo.

    Na ocasião, o ultradireitista Calin Georgescu foi acusado pelos serviços de segurança da Romênia de utilizar quase R$ 6 milhões em recursos não declarados. Além disso, a infraestrutura eleitoral do país havia sofrido ataques de hackers da Rússia , o que levou a Corte Constitucional a anular os resultados do primeiro turno. Georgescu foi impedido de concorrer, e o vencedor foi o candidato centrista Nicusor Dan.

    A líder da oposição da Venezuela , María Corina Machado , também se pronunciou. "Meu reconhecimento a Flávio Bolsonaro, vencedor deste primeiro turno", escreveu ela no X. "Nós, latino-americanos, queremos viver com liberdade, democracia, prosperidade e justiça, e o Brasil tem um peso decisivo no futuro da nossa região."

    Nobel da Paz de 2025, a política foi por anos o principal nome da oposição à ditadura chavista, mas tem sido escanteada nas negociações com o regime desde que os EUA prenderam Nicolás Maduro e passaram a trabalhar com a líder interina Delcy Rodríguez .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/trump-passa-o-dia-sem-comentar-eleicao-e-milei-comemora-desempenho-de-flavio.shtml.

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    O presidente da Argentina, Javier Milei, posa ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, em evento do Escudo das Américas em Miami, nos EUA - Saul Loeb - 7.mar.26/AFP · Saul Loeb - 7.mar.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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