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    Trump faz aliança improvável com o chavismo visando petróleo

    Em poucos meses, Delcy Rodríguez passou de vice de Nicolás Maduro a "altamente respeitada presidente interina da Venezuela ", nas palavras de Donald Trump . A promoção veio no post em que o americano anunciou aquilo que chama de maior acordo petrolífero da história . Leia mais (09/05/2026 - 12h37)

    Folha de S.Paulo
    5 de setembro de 2026 às 15:37
    Trump faz aliança improvável com o chavismo visando petróleo
    Mulher de cabelos pretos e óculos grandes fala em microfone, usando blazer branco e blusa listrada. Fundo desfocado com lustre e parede clara. — Foto: Folha de S.Paulo

    Historiadora e jornalista especializada em América Latina, foi correspondente da Folha em Londres e em Buenos Aires

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    A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante entrevista coletiva no palácio presidencial, em Caracas - Juan Barreto/AFP · Juan Barreto/AFP
    A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante entrevista coletiva no palácio presidencial, em Caracas - Juan Barreto/AFP · Juan Barreto/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em poucos meses, Delcy Rodríguez passou de vice de Nicolás Maduro a "altamente respeitada presidente interina da Venezuela ", nas palavras de Donald Trump . A promoção veio no post em que o americano anunciou aquilo que chama de maior acordo petrolífero da história .

    Maduro está preso em Nova York , depois d e ter sido capturado numa operação dos Estados Unidos . O chavismo, porém, continua no poder, agora alinhado e tutelado por Washington, que acaba de obter controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo venezuelano.

    O giro de Trump em relação a Delcy é tão impressionante quanto o tamanho do negócio. Horas depois de prender o ditador, o presidente americano ameaçou a então vice: se ela não fizesse "o que é certo", pagaria um preço até maior que o pago por Maduro. Agora, é com a sucessora chavista que Washington negociou um acordo estratégico de petróleo.

    Ataque a Venezuela tem repercussão internacional
    Ataque a Venezuela tem repercussão internacional — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O secretário de Estado, Marco Rubio , disse que o acordo é "parte importante da transição e da recuperação" do país. A aposta é que investimentos ajudem a reconstruir a economia e criem condições para a redemocratização.

    Delcy oferece uma justificativa parecida. Diz que a Venezuela continuará dona de seu petróleo, mas precisa de investimento. O acordo, afirma, pode render mais de US$ 200 bilhões ao Estado venezuelano em 25 anos .

    Ou seja, nem os EUA nem Delcy estão com pressa em convocar eleições livres e independentes.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

    A guinada também é extraordinária para o chavismo, movimento que fez do anti-imperialismo uma de suas bandeiras. A própria Delcy acusava a oposição de querer entregar o petróleo aos seus "amos" em Washington. Agora agradece a Trump e Rubio por tamanho acordo.

    Washington também não esconde seus interesses. O acordo reduz a influência de China e Rússia . A Casa Branca fala em assegurar a "dominância americana" na região.

    Os campos serão controlados pela empresa do venezuelano Alejandro Betancourt, alvo de um mandado suíço de prisão relacionado a uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.

    A oposicionista María Corina Machado questionou a legitimidade de Delcy para negociar os recursos do país. Disse ainda que o petróleo é apenas parte da reconstrução e que não haverá desenvolvimento sem instituições sólidas e um governo eleito pelo voto popular.

    A divergência expõe uma inversão importante. Washington aposta que petróleo, recuperação econômica e estabilidade ajudarão a levar a Venezuela à democracia. María Corina argumenta que instituições democráticas são necessárias para garantir a própria recuperação. No presente, porém, quem administra o petróleo, a recuperação e a estabilidade é Delcy.

    O acordo pode beneficiá-la no curto prazo: reforça sua ligação com Trump e reduz os incentivos americanos para pressionar por mudanças enquanto houver em Caracas uma liderança disposta a cumprir o negócio. Isso não significa que Delcy esteja garantida no poder. O acordo é impopular, e seus benefícios podem demorar.

    Mas o negócio criou um dilema que não existia quando Maduro caiu. Os EUA agora têm um enorme interesse econômico e estratégico atrelado à estabilidade venezuelana, além de uma "altamente respeitada" sucessora de Maduro encarregada de garanti-la.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sylvia-colombo/2026/09/trump-da-guinada-ideologica-ao-fazer-alianca-com-o-chavismo.shtml.

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    A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante entrevista coletiva no palácio presidencial, em Caracas - Juan Barreto/AFP · Juan Barreto/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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