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    Trump barbariza o Canadá, Brasil está na fila da agressão

    O Canadá é o destino de 14% do valor total das exportações americanas de bens, uns US$ 350 bilhões por ano. Fica apenas atrás do México, que compra US$ 380 bilhões dos Estados Unidos. Para começar, pois o assunto vai além disso, trata-se de muito dinheiro. Mas Donald Trump e cia. barbarizam o Canadá.

    UOL
    26 de agosto de 2026 às 00:00
    Trump barbariza o Canadá, Brasil está na fila da agressão
    Homem de terno azul e gravata amarela fala em púlpito com selo presidencial dos EUA, com várias bandeiras americanas ao fundo. — Foto: UOL

    Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)

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    Presidente Donald Trump durante evento no jardim da Casa Branca - Jonathan Ernst - 24.ago.26/Reuters · Jonathan Ernst - 24.ago.26/Reuters
    Presidente Donald Trump durante evento no jardim da Casa Branca - Jonathan Ernst - 24.ago.26/Reuters · Jonathan Ernst - 24.ago.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O Canadá é o destino de 14% do valor total das exportações americanas de bens, uns US$ 350 bilhões por ano. Fica apenas atrás do México, que compra US$ 380 bilhões dos Estados Unidos . Para começar, pois o assunto vai além disso, trata-se de muito dinheiro. Mas Donald Trump e cia. barbarizam o Canadá.

    O Brasil é o destino de 2,3% do valor das exportações de bens americanas. Para começar, é pouco dinheiro, é impacto pequeno em quantidade e qualidade na cadeia de produção e na segurança econômica dos Estados Unidos. Além disso, grande parte do governo Trump, do establishment e megaempresas têm outros interesses no ataque ao Brasil.

    Na segunda, o ministro do Desenvolvimento e Comércio, Márcio Elias Rosa, com apoio do Itamaraty, conversa com Jamieson Greer, Representante de Comércio dos EUA. Se houver ao menos conversa inicial de isentar esse ou aquele produto dos novos impostos de importação ("tarifas"), já vai ser lucro. É a opinião mesmo dentro do governo.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Greer apita cada vez menos, como se viu nas negociações com o Canadá, quando foi atropelado pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick. No nosso caso, deve ser atropelado também pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que quer dar cabo da esquerda latino-americana, diz que o Brasil não é amigo e gostaria de fazer desta região um protetorado .

    O bando de Trump queria submissão do vizinho Canadá. Os termos finais do que poderia ser um "acordo" não foram apresentados, mas o que vazou indica que Trump e cia. queriam submeter a política comercial do Canadá à dos Estados Unidos, entre outros ataques à soberania (e até ao francês do Quebec).

    No caso do Brasil, há indícios de que o governo americano quer bananizar a eleição brasileira, embora a encrenca não tenha prazo para acabar. No mínimo, empresas favorecidas pelos impostos de importação de Trump vão fazer lobby pela permanência da proteção. Mais grave, empresas financeiras e de tecnologia viram em Trump um modo de tentar se proteger de concorrência (Pix) e de impostos e regulações.

    Outras começam a fazer pressão para tirar uma cascona da situação — o agro americano, caindo pelas tabelas, quer socorro . Gente do establishment, não necessariamente trumpista, não gosta do desenvolvimento de sistemas de pagamentos e similares que fujam do controle ou da influência americana (o Pix é só um deles).

    Rubio é pré-candidato à sucessão de Trump e já tem sua turma. Há gente ainda mais direitista e nacionalista do que Rubio, nazistóides de fato. Ainda que Trump seja manietado por uma derrota nas eleições de novembro para o Congresso ou se retire em 2029, o establishment interessado na política agressiva (ou de guerra) não vai se retirar. Pode ser pior se o Partido Republicano fizer o presidente em 2028.

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    No curto prazo, para ser otimista, não temos instrumentos de retaliação econômica. Montar coalizão comercial para se defender dos EUA é difícil, leva tempo e não há grande estratégia comercial ou econômica. Coalizão política talvez seja contraproducente em termos econômicos (como em investimento) e não costuma dar certo ("não-alinhados", G77, "Sul Global", Brics e essas conversas).

    É também risco de ficarmos sujeitos a outros poderes. Mas precisamos pensar no que fazer se quisermos um dia crescer. Depende de projeto econômico de longo prazo (não temos), que depende de novo acordo político (difícil achar que teremos).

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/08/trump-barbariza-o-canada-brasil-esta-na-fila-da-agressao.shtml.

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    Presidente Donald Trump durante evento no jardim da Casa Branca - Jonathan Ernst - 24.ago.26/Reuters · Jonathan Ernst - 24.ago.26/Reuters — Foto: UOL

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