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    Trocafone, gigante de celulares usados, é investigada em operação que mira caminho de aparelhos roubados

    A operação do Ministério Público de São Paulo contra a logística do furto e roubo de celulares na capital paulista, deflagrada nesta quinta-feira (10) , atingiu empresas conhecidas pela revenda de celulares usados. A principal delas foi a Trocafone, portal de vendas online com mais de dez anos de atuação. Leia mais (09/10/2026 - 18h15)

    Folha de S.Paulo
    10 de setembro de 2026 às 21:15
    Trocafone, gigante de celulares usados, é investigada em operação que mira caminho de aparelhos roubados
    Três policiais fardados, dois de costas e um de perfil, estão em frente a uma loja de conserto de celulares com várias capas expostas na parede. Dois homens estão dentro da loja, um deles de costas. O policial de perfil segura uma prancheta — Foto: Folha de S.Paulo

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    A operação do Ministério Público de São Paulo contra a logística do furto e roubo de celulares na capital paulista, deflagrada nesta quinta-feira (10) , atingiu empresas conhecidas pela revenda de celulares usados. A principal delas foi a Trocafone, portal de vendas online com mais de dez anos de atuação.

    Policiais cumprem mandado em endereço do centro de São Paulo em operação liderada pelo Ministério Público - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress
    Policiais cumprem mandado em endereço do centro de São Paulo em operação liderada pelo Ministério Público - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) diz que a Trocafone ocupava o "topo na cadeia de comercialização" e era o "nó financeiro central" de toda a rede supostamente criminosa. O modelo da empresa —comprar usados e depois revendê-los— serviria para dar aparência legal aos aparelhos roubados ou furtados de vítimas, conforme a Promotoria.

    A empresa afirmou nesta quarta, horas após a operação, que "não apenas repudia a comercialização de aparelhos de origem ilícita como tem total interesse e apoia o combate de tal prática, uma vez que prejudica o mercado de recondicionamento de aparelhos".

    O estabelecimento disse que "possui rigorosos procedimentos destinados a impedir que equipamentos com indícios de irregularidade entrem na operação da mesma [empresa], incluindo diversas checagens para identificação de aparelhos com bloqueios (IMEIs) com processos de separação e colaboração com as autoridades".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com 242 mil seguidores no Instagram, a empresa diz em seu site institucional já ter negociado 2,7 milhões de aparelhos recondicionados —usados que passam por processos de restauração— e diz que seu objetivo é "gerar impacto no dia a dia das pessoas, oferecendo a você uma alternativa mais acessível de se conectar com o mundo".

    A suspeita mais grave, na avaliação dos promotores, vem de um relatório da Fazenda de São Paulo que analisou o IMEI, número de fábrica de todo celular e semelhante a um chassi de carro, das compras e vendas da plataforma.

    O cruzamento das notas de entrada e de saída, segundo o Gaeco, constatou 759,3 mil celulares cujos códigos não apareciam em nenhuma nota de compra. Na prática, o Ministério Público diz que houve uma entrada massiva de "aparelhos de origem furtiva ou roubada" oriundos de outros grupos investigados no caso.

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    Não foi a primeira vez que o nome da Trocafone apareceu em investigações.

    De 2018 a 2024, segundo o Gaeco, a empresa foi citada em 18 relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que apontam para operações suspeitas. Os valores chegam a R$ 95,8 milhões.

    Entre as atividades atípicas estão 1.299 depósitos fracionados, todos abaixo de R$ 10 mil, padrão típico da prática de lavagem de dinheiro segundo o Ministério Público.

    Ação reúne mais de 1.700 agentes, cumpre sete mandados de prisão e 84 de busca e apreensão, além de bloqueio de R$ 5 milhões

    Caminho da receptação e desbloqueio de aparelhos em estabelecimentos comerciais foi rastreado, segundo Gaeco

    Logística de esquema criminoso usava lojas, boxes, residências e até imóveis como depósitos de aparelhos, aponta Gaeco

    A Trocafone declarou ter entregue "toda a documentação e informações solicitadas até o momento" e que "também está analisando, juntamente com seus assessores jurídicos, os documentos relacionados ao caso".

    O Gaeco diz que um gerente de operações da empresa contribuiu com as investigações num depoimento prestado em 2024. Segundo a Promotoria, o profissional afirmou em depoimento que peças de celulares de origem ilícita eram reaproveitadas no recondicionamento desde 2014.

    Além das buscas, o MP pediu à Justiça o bloqueio de até R$ 95,8 milhões da Trocafone e de outras empresas envolvidas no caso além da suspensão de suas atividades no âmbito da Receita Federal.

    Batizada de Frankmobile, a operação é resultado de cerca de dois anos de investigação do Gaeco. A ação cumpre 84 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária em São Paulo e também no estado de Goiás . A Justiça ainda autorizou sequestro e bloqueio de mais de R$ 5 milhões dos alvos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/trocafone-gigante-de-celulares-usados-e-investigada-em-operacao-que-mira-caminho-de-aparelhos-roubados.shtml.

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    Policiais cumprem mandado em endereço do centro de São Paulo em operação liderada pelo Ministério Público - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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