Brasil

    Tribunal Federal de Minas empossa novo comando em teatro da Vale

    O Tribunal Regional Federal da 6ª Região, com sede em Belo Horizonte , realiza no próximo dia 20 a posse dos novos dirigentes para o biênio 2026-2028. Leia mais (08/14/2026 - 04h06)

    Folha de S.Paulo
    14 de agosto de 2026 às 07:06
    Tribunal Federal de Minas empossa novo comando em teatro da Vale
    Fachada de prédio com o letreiro Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em dia de sol — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O Tribunal Regional Federal da 6ª Região, com sede em Belo Horizonte , realiza no próximo dia 20 a posse dos novos dirigentes para o biênio 2026-2028.

    Sede do TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª Região), que abrange o estado de Minas Gerais - Reprodução oficial.trf6 no Instagram · Reprodução oficial.trf6 no Instagram
    Sede do TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª Região), que abrange o estado de Minas Gerais - Reprodução oficial.trf6 no Instagram · Reprodução oficial.trf6 no Instagram — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O juiz federal Ricardo Machado Rabelo será o novo presidente. Miguel Angelo de Alvarenga Lopes será vice-presidente e corregedor regional.

    A cerimônia acontece no Cine Theatro Brasil Vallourec, administrado por uma cooperativa de crédito vinculada à Vale .

    Rabelo coordenou o acordo de repactuação do desastre de Mariana, assinado entre o poder público e as empresas Samarco, Vale e BHP.

    A criação do Tribunal Regional Federal da 6ª Região
    A criação do Tribunal Regional Federal da 6ª Região — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O TRF-6 informa que "a solenidade de posse foi integralmente custeada com recursos próprios do tribunal, observados os princípios da legalidade e da economicidade". "O custo total do evento ficou em torno de R$ 175 mil, valor que engloba todas as despesas necessárias à sua realização, incluindo a locação do Cine Theatro Brasil."

    A repactuação busca reparar os danos provocados pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, em 2015, na cidade de Mariana.

    O acordo foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal, por meio do Núcleo de Solução Consensual de Conflitos do STF, coordenado pelo ministro Luís Roberto Barroso .

    Tragédia no rio Doce
    Tragédia no rio Doce — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "A conciliação era a única resposta para encerrar o caso de Mariana", afirmou Rabelo.

    A prática venceu o Prêmio Innovare, neste ano, na categoria "Tribunal".

    Em monografia apresentada à Escola de Formação Pública da Sociedade Brasileira de Direito Público, Andre Silva Rocha Pinto conclui que "a briga no Judiciário por Mariana não está perto de acabar".

    O autor identificou uma "celeridade no andamento da repactuação de Mariana para a preservação do Poder Judiciário, em troca da violação da essência contramajoritária da corte".

    "Os Termos de Ajustamento de Conduta seguem uma perspectiva pública, enquanto a repactuação de Mariana tem uma perspectiva privatista", diz.

    Afirma que as conclusões de sua pesquisa seguem a doutrina de Oscar Vilhena e Conrado Hübner Mendes, colunistas da Folha .

    Em 2024, Hübner Mendes criticou a inércia legislativa e judicial diante de empresas mineradoras depois do "maior crime ambiental da história do Brasil", na cidade de Mariana.

    Ricardo Machado Rabelo ingressou na magistratura federal em 1993 e chegou ao TRF-6 em 2022. Foi diretor do Foro da Seção Judiciária de Minas Gerais. É formado em direito pela PUC de Minas Gerais e possui especialização em direito de empresas pela Fundação Dom Cabral.

    Miguel Angelo de Alvarenga Lopes ingressou na magistratura federal em 1997. É coordenador do Grupo de Precatórios do Conselho da Justiça Federal e membro do Comitê Nacional de Precatórios do Fórum Nacional de Precatórios, do Conselho Nacional de Justiça. Foi presidente da Associação dos Juízes Federais de Minas Gerais.

    Rabelo e Alvarenga estiveram em lados opostos na criação do TRF-6.

    O tribunal começou a operar com a corte rachada. A então presidente do Superior Tribunal de Justiça, Maria Thereza de Assis Moura , discordou do processo sigiloso aprovado, sem debate público, na gestão de Humberto Martins, então presidente do STJ .

    Na lista dos juízes indicados por merecimento, a última vaga teve uma votação empatada em 13 votos entre uma juíza negra, Mara Lina Silva do Carmo, e Alvarenga, candidato de Martins.

    Alvarenga obteve a vaga. O desempate foi decidido no sétimo escrutínio pelo critério da idade. No sexto, Mara havia obtido 15 votos.

    Rabelo questionou no TRF-6 o critério de antiguidade previsto na resolução da presidência anterior do STJ. Sugeriu ter havido uma "invasão" do STJ. Alvarenga defendeu que a antiguidade não deveria ser discutida no regimento interno.

    A então presidente Mônica Sifuentes colocou a questão em votação. O tribunal ficou dividido.

    A proposta de Rabelo obteve 7 votos. A de Alvarenga, 11 votos.

    O TRF-6 coleciona desgastes por realização de eventos com apoio de órgãos públicos e empresas privadas, além da distribuição de medalhas e colares.

    O presidente que encerra o mandato, juiz Vallisney Oliveira, construiu uma galeria para fotos de ex-presidentes. "Nesses novos tempos que se anunciam temos a alegria de confirmar que trilhamos o caminho certo", afirmou Vallisney.

    A festa dos três anos do TRF-6 foi uma auto-homenagem, com trocas de medalhas. A área técnica considerou o evento intempestivo.

    Criado com o discurso de que não haveria aumento de despesas, o TRF-6 adquiriu por R$ 4 milhões 25 veículos para os 18 membros da corte.

    No auge do lobby para criar o tribunal, a Justiça Federal mineira reduziu o expediente para poder pagar a conta de energia.

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/frederico-vasconcelos/2026/08/tribunal-federal-de-minas-empossa-novo-comando-em-teatro-da-vale.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Sede do TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª Região), que abrange o estado de Minas Gerais - Reprodução oficial.trf6 no Instagram · Reprodução oficial.trf6 no Instagram — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)