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    Tribunal condena ex-presidente do Kosovo a 25 anos de prisão por crimes de guerra

    O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaci foi condenado nesta quarta-feira (16) a 25 anos de prisão por um tribunal em Haia por crimes de guerra , informou a corte em um veredito há muito aguardado e que provavelmente provocará comoção no país dos Bálcãs. Leia mais (09/16/2026 - 11h03)

    Folha de S.Paulo
    16 de setembro de 2026 às 14:03
    Tribunal condena ex-presidente do Kosovo a 25 anos de prisão por crimes de guerra
    O homem em primeiro plano é um homem branco com cabelo curto, grisalho e penteado para trás. Ele tem um tom de pele claro e algumas rugas ao redor dos olhos e da testa. Seus olhos são claros e parecem estar olhando para a distância. Sua boc — Foto: Folha de S.Paulo

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    O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaci foi condenado nesta quarta-feira (16) a 25 anos de prisão por um tribunal em Haia por crimes de guerra , informou a corte em um veredito há muito aguardado e que provavelmente provocará comoção no país dos Bálcãs.

    O ex-presidente do Kosovo, Hashim Thaci, inspeciona tropas da Força de Segurança, em Pristina - Armend Nimani - 13.dez.18/AFP · Armend Nimani - 13.dez.18/AFP
    O ex-presidente do Kosovo, Hashim Thaci, inspeciona tropas da Força de Segurança, em Pristina - Armend Nimani - 13.dez.18/AFP · Armend Nimani - 13.dez.18/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os juízes afirmaram que Thaci, julgado ao lado de outros três ex-líderes guerrilheiros , é culpado por prisões ilegais, tortura, assassinato e tratamento cruel cometidos por combatentes guerrilheiros.

    Na capital do Kosovo, uma multidão se reuniu para acompanhar ao vivo, em telões, a sentença de um homem que muitos reverenciam como herói.

    Quando a decisão foi anunciada, a multidão ficou em silêncio, e muitos pareciam chocados com o resultado , após semanas de preparação de seus apoiadores para uma possível absolvição.

    Albaneses do Kosovo reúnem-se durante um ato em Pristina, em 16 de setembro de 2026, para pedir a absolvição - Armend Nimani /AFP · Armend Nimani /AFP
    Albaneses do Kosovo reúnem-se durante um ato em Pristina, em 16 de setembro de 2026, para pedir a absolvição - Armend Nimani /AFP · Armend Nimani /AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os ex-integrantes do ELK (Exército de Libertação do Kosovo) Jakup Krasniqi, Rexhep Selimi e Kadri Veseli, companheiros de Thaci, também foram considerados culpados e condenados.

    Krasniqi recebeu pena de 25 anos de prisão, Selimi, de 13 anos, e Veseli, de 18.

    Segundo o tribunal, os quatro foram considerados criminalmente responsáveis pela detenção arbitrária e tortura de centenas de pessoas e por 96 assassinatos. No entanto, foram absolvidos das acusações de crimes contra a humanidade.

    Um mural representando os ex-líderes Hashim Thaci, Jakup Krasniqi, Kadri Veseli e Rexhep Selimi, em Pristina - Valdrin Xhemaj - 14.set.26/Reuters · Valdrin Xhemaj - 14.set.26/Reuters
    Um mural representando os ex-líderes Hashim Thaci, Jakup Krasniqi, Kadri Veseli e Rexhep Selimi, em Pristina - Valdrin Xhemaj - 14.set.26/Reuters · Valdrin Xhemaj - 14.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A corte também afirmou que Thaci, Veseli, Selimi e Krasniqi "contribuíram significativamente", durante o conflito no Kosovo, para um objetivo criminoso comum que tinha como alvo supostos opositores das metas políticas e militares do ELK.

    Thaci renunciou à Presidência e se entregou ao tribunal após ser indiciado em 2020. Desde então, permanece detido em Haia, e o período já cumprido será descontado de sua pena.

    Para muitos no Kosovo, Thaci e o ELK são símbolos do movimento separatista local.

    Grupo numeroso de pessoas vestindo uniformes militares e boinas participa de protesto ao ar livre, segurando bandeiras vermelhas e fazendo gestos de aplauso e punhos erguidos. Edifícios e árvores aparecem ao fundo sob céu claro.
    Grupo numeroso de pessoas vestindo uniformes militares e boinas participa de protesto ao ar livre, segurando bandeiras vermelhas e fazendo gestos de aplauso e punhos erguidos. Edifícios e árvores aparecem ao fundo sob céu claro. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Após a guerra, Thaci continuou sendo uma figura política central e teve papel decisivo na declaração de independência, da Sérvia , em 2008.

    Ao longo do julgamento, imagens do político de 58 anos, que também foi primeiro-ministro , apareceram em outdoors espalhados pelo país.

    "Uma decisão terrível para o Kosovo, para nossa guerra de libertação. É uma decisão triste, injusta e imerecida", disse o ministro das Relações Exteriores do Kosovo, Glauk Konjufca, à imprensa do lado de fora do tribunal.

    Mural azul com quatro retratos masculinos em preto e branco no topo de prédio residencial. Rua com pedestres e ciclista em patinete elétrico ao entardecer.
    Mural azul com quatro retratos masculinos em preto e branco no topo de prédio residencial. Rua com pedestres e ciclista em patinete elétrico ao entardecer. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A expectativa de uma possível libertação de Thaci e dos outros réus atraiu grandes multidões para uma manifestação no fim de semana. Nesta quarta-feira, centenas de pessoas voltaram a se reunir na capital antes do veredicto, em contagem regressiva para o anúncio da decisão.

    Mas, assim que ficou claro que o ex-presidente continuaria detido, a praça ficou quase deserta em questão de minutos.

    As Câmaras Especializadas do Kosovo (KSC, na sigla em inglês), embora sediadas nos Países Baixos e compostas por juízes internacionais, foram criadas com base na legislação kosovar especificamente para julgar supostos crimes cometidos por integrantes do ELK durante a guerra.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Antes da criação do tribunal, processos anteriores no Kosovo fracassaram em grande parte devido a supostas intimidações de testemunhas e interferências políticas.

    Profundamente impopular desde sua criação, o tribunal alimentou ainda mais as acusações de parcialidade ao usar provas fornecidas por Belgrado , que ainda se recusa a reconhecer a independência de sua antiga província.

    Ao longo do julgamento, os promotores procuraram distinguir a luta pela independência do país dos homens levados ao banco dos réus.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Eles afirmam que os quatro são responsáveis por crimes cometidos contra prisioneiros mantidos em centros de detenção do ELK no Kosovo e na vizinha Albânia , além dos assassinatos por motivação política de civis sérvios, albaneses e ciganos.

    Os crimes foram cometidos durante e logo após a guerra do Kosovo, que deixou cerca de 13 mil mortos.

    Em resposta, os advogados dos réus argumentaram que o ELK não possuía uma estrutura rígida de comando e que seus principais dirigentes não podiam controlar nem ser responsabilizados pelos combatentes que cometeram crimes.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/ex-presidente-do-kosovo-e-condenado-a-25-anos-de-prisao-por-crimes-de-guerra.shtml.

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    O ex-presidente do Kosovo, Hashim Thaci, inspeciona tropas da Força de Segurança, em Pristina - Armend Nimani - 13.dez.18/AFP · Armend Nimani - 13.dez.18/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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