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    Trabalhadores do Itamaraty protestam pelo mundo por melhores condições

    Os trabalhadores contratados locais do Itamaraty fazem nesta terça-feira (1º), nos mais variados postos consulares, um protesto por melhores condições trabalhistas . Eles vestirão roupas pretas para trabalhar. Há movimentos organizados dos Estados Unidos ao Japão . Leia mais (08/31/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    1 de setembro de 2026 às 02:00
    Trabalhadores do Itamaraty protestam pelo mundo por melhores condições
    Hall amplo com escada helicoidal flutuante de degraus em madeira e estrutura metálica preta. Parede branca ao fundo e teto com vigas curvas. À esquerda, painel de madeira vazado iluminado por luz natural. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Os trabalhadores contratados locais do Itamaraty fazem nesta terça-feira (1º), nos mais variados postos consulares, um protesto por melhores condições trabalhistas . Eles vestirão roupas pretas para trabalhar. Há movimentos organizados dos Estados Unidos ao Japão .

    Salão de entrada, com a escada, no Palácio do Itamaraty em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress
    Salão de entrada, com a escada, no Palácio do Itamaraty em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Dados públicos mostram que há 3.400 contratados locais do ministério. Diferentemente dos diplomatas, oficiais e assistentes de chancelaria, os trabalhadores locais (que podem ser brasileiros ou não) são contratados para desempenhar atividades de apoio que pedem familiaridade com as condições de vida e os costumes do país-sede.

    Funcionários de diferentes consulados relataram à reportagem que as demandas centrais pelas quais demonstram insatisfação são a defasagem salarial e a falta de critérios básicos de reajuste.

    Desde 1993, após uma mudança na lei, os trabalhadores locais têm suas relações de trabalho e previdência regidas pela legislação vigente no país onde a sua repartição consular estiver sediada, não mais pela legislação trabalhista (a CLT) brasileira. O Brasil tem 228 postos (entre embaixadas, consulados, missões e delegações) em 138 países.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em resposta a uma consulta, o ministério disse que os reajustes salariais obrigatórios dos contratados locais são "rigorosamente observados" em relação à lei do local de contratação. Afirmou ainda que, "em 2023, logrou promover ampla revisão dos salários em praticamente todos os seus postos, para recompor perdas inflacionárias aferidas principalmente após a pandemia de Covid-19".

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    As demandas de insatisfação ganham tons diferentes a depender do país. No caso dos 11 consulados-gerais do Brasil nos EUA, por exemplo, auxiliares locais relataram à reportagem que a mobilização neste ano deve ganhar corpo devido ao cansaço extremo no qual se encontram.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Eles dizem que, desde o início do segundo governo do presidente Donald Trump , no começo do ano passado, a demanda de trabalho quadruplicou. Referem-se ao fato de que agora há um volume excessivamente maior de atendimentos consulares a serem realizados: imigrantes detidos, imigrantes deportados, famílias desamparadas. Além, também, da necessidade de emissão de vistos eletrônicos para cidadãos dos EUA que desejam viajar ao Brasil.

    Um trabalhador do Consulado-Geral de Nova York, que atende a uma comunidade estimada de 500 mil brasileiros distribuídos entre Nova York, Nova Jersey e Filadélfia, relata que, se durante o governo do ex-presidente Joe Biden eram feitos 20 atendimentos por mês para cidadãos prestes a serem deportados, agora, sob Trump, a média chega a 80 por semana. Mas o corpo de funcionários não cresceu.

    Mais de 5.200 brasileiros foram deportados pelos EUA desde o início de 2025, segundo os números oficiais do governo federal, uma média de 260 por mês. Em 2024, para efeitos de comparação, a média foi de 178, segundo os dados compilados pelo Observatório das Deportações.

    Os funcionários falam em estar "extremamente sobrecarregados" e com uma "carga emocional muito grande" no dia a dia, lidando com essas histórias.

    Como a reportagem mostrou, desde 2025 houve, por exemplo, uma disparada nos pedidos de certidão de nascimento para crianças que nasceram nos EUA filhas de ao menos um genitor brasileiro e que, portanto, também têm direito à nacionalidade brasileira.

    O crescimento foi de 271% de 2021 a 2025. As equipes de assistência consular tiveram que mais do que duplicar seu trabalho, mas com o mesmo número de funcionários.

    Em diferentes consulados, há também o relato das auxiliares locais mulheres de falta de apoio para aquelas que são mães. A maioria desses auxiliares (57%, ainda segundo os números oficiais) são mulheres. Elas dizem que faltam regras mais claras dos direitos das mães, e que dependem da boa vontade dos chefes diretos para conseguir, por exemplo, levar as crianças a consultas médicas quando preciso.

    Haruhito Yamazaki, 70, contratado local recém-aposentado após 17 anos de trabalho na embaixada do Brasil em Tóquio, diz que um dos problemas centrais é esses trabalhadores não responderem à legislação brasileira, o que gera uma discrepância entre suas situações trabalhistas e a dos diplomatas enviados por Brasília, cria frustração e lhes confere poucos direitos a depender do país onde estão.

    Yamazaki é fundador e atual conselheiro do Sindicato dos Contratados Locais da Embaixada em Tóquio, organização da qual foi presidente de 2017 a 2025.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/trabalhadores-do-itamaraty-protestam-pelo-mundo-por-melhores-condicoes.shtml.

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    Salão de entrada, com a escada, no Palácio do Itamaraty em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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