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    Trabalhador perde R$ 500 mil em apostas e cria rotina com 3 empregos para tratar vício

    Cadastro em ferramenta do Ministério da Fazenda ajudou morador a interromper jogos online

    UOL
    26 de agosto de 2026 às 13:00
    Trabalhador perde R$ 500 mil em apostas e cria rotina com 3 empregos para tratar vício
    Foto: UOL

    Gustavo Pereira, de 24 anos, vende café e chocolate quente em um semáforo na Serra de Santa Catarina para superar a dependência em jogos virtuais. O vendedor autônomo acorda diariamente às 4h em Lages para preparar os produtos, mantendo uma rotina ocupada após perder R$ 500 mil em apostas esportivas e cassinos online.

    O trabalhador concilia a comercialização das bebidas no trânsito com outros dois empregos no comércio e na restauração. A jornada diária de trabalho se estende das 4h à meia-noite, atuando de segunda a sexta-feira nos períodos da manhã e da tarde.

    As transações comerciais no trânsito funcionam com base na confiança prévia dos compradores. O empreendedor entrega as bebidas e disponibiliza a chave PIX para que o pagamento seja efetuado posteriormente pelos clientes.

    A rotina de vendas foi registrada em um vídeo publicado nas redes sociais. A gravação sobre o dia a dia no cruzamento contabilizou 36,2 mil visualizações até as 21h de terça-feira (25).

    Em entrevista ao portal 'g1', o jovem revela que a trajetória com o jogo teve início há três anos, com palpites esportivos de menor valor. A conduta evoluiu para o uso de cassinos virtuais, acumulando dívidas bancárias e perdas financeiras substanciais.

    "Eu comecei jogando de forma assim recreativa R$ 5, R$ 10, R$ 25, R$ 50. No máximo R$ 100. Eram valores tranquilos".

    "Parei de lidar só com apostas esportivas e me envolvi com cassinos. Perdi noção de valores, comecei a dever para banco. Mesmo por dentro, sabendo que eu tinha um problema com jogo, eu não aceitava o vício".

    "Não tinha mais para quem pedir dinheiro, não tinha mais dignidade. Sentia vergonha de sair na rua, de olhar para as pessoas, porque muitos sabiam minha situação".

    O encerramento das apostas ocorreu mediante o cadastro na ferramenta de autoexclusão mantida pelo Ministério da Fazenda. O bloqueio ao acesso das plataformas completou três meses.

    A ocupação integral do tempo com três atividades profissionais atua na prevenção de recaídas. O preenchimento da rotina impede o foco nos sistemas de apostas.

    "A partir do momento que eu comecei a ocupar minha mente, eu não penso mais em jogo, eu não tenho mais vontade".

    "Como eu trabalho o dia todo, não tenho nem tempo de pensar, sabe? O meu dia começa às 4h, quando eu levanto, vou fazer o chocolate e o café, e eu paro só à meia-noite, terminando de organizar os copos".

    "Antigamente as pessoas confiaram em mim e eu as decepcionei. Eu perdi o dinheiro delas, eu as enganei. Hoje, eu confio nelas, eu me obrigo a confiar nelas no meu negócio".

    A interação com os motoristas auxiliou na reabilitação pessoal do catarinense. O convívio no trânsito alterou a postura diante do público durante os atendimentos.

    "O café está me salvando de uma maneira surreal. Eu não tinha mais coragem, não tinha credibilidade com as pessoas. Eu parei de acreditar em mim. Tudo que eu falava era mentira, o vício desencadeia mentira, desencadeia omissão. No semáforo, no início, eu não conseguia nem olhar nos olhos das pessoas. Hoje já é diferente. Não me sentia vivo assim há muito tempo".

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/geral/trabalhador-perde-r-500-mil-em-apostas-e-cria-rotina-com-3-empregos-para-tr.

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