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    Tom Cruise busca Oscar com 'Digger', sobre bilionário que causa hecatombe climática

    Eles conhecem os fatos, mas a história ainda será contada. Essa é a máxima de Digger Rockwell, oligarca que usa dinheiro e influência para manipular a opinião pública a favor de seus negócios. Pouco a pouco, sua petroleira aproxima o mundo da catástrofe climática. Quem encarna o velho calvo, barrigudo e mesquinho é alguém que passou a carreira fugindo desse perfil, o galã Tom Cruise . Leia mais (09/29/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de setembro de 2026 às 16:00
    Tom Cruise busca Oscar com 'Digger', sobre bilionário que causa hecatombe climática
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Tom Cruise em cena de 'Digger' - Divulgação

    Tom Cruise em cena de 'Digger' - Divulgação · Divulgação
    Tom Cruise em cena de 'Digger' - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Eles conhecem os fatos, mas a história ainda será contada. Essa é a máxima de Digger Rockwell, oligarca que usa dinheiro e influência para manipular a opinião pública a favor de seus negócios. Pouco a pouco, sua petroleira aproxima o mundo da catástrofe climática. Quem encarna o velho calvo, barrigudo e mesquinho é alguém que passou a carreira fugindo desse perfil, o galã Tom Cruise .

    Aos 64 anos, o ator se consolidou como o grande rosto do cinema de ação americano. Após dar vida a heróis militares e agentes destemidos em franquias como " Missão: Impossível " e " Top Gun ", ele aparece com próteses de papada, careca e barriga para protagonizar "Digger", novo filme do mexicano Alejandro González Iñárritu , num trabalho que é sua tentativa mais clara de arrematar um Oscar, prêmio que nunca venceu.

    Se o filme dividiu a crítica, parece consenso que o bilionário fanfarrão é um dos melhores papéis da carreira de Cruise, concorrendo com personagens complexos como o misógino Frank em "Magnólia" ou o veterano de guerra Ron em "Nascido em Quatro de Julho". "Nunca tive o privilégio de poder interpretar um personagem como esse no cinema", disse o ator, eufórico, em entrevista a jornalistas.

    Tom Cruise em cena de 'Digger' - Divulgação · Divulgação
    Tom Cruise em cena de 'Digger' - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na contramão dos blockbusters que fizeram de Cruise um símbolo sexual, "Digger" caçoa do establishment do chamado norte global, em especial dos Estados Unidos. Iñárritu dispara contra a geopolítica e a cultura meritocrática americana com sátiras ácidas voltadas a seus bilionários e ao próprio presidente Donald Trump .

    As referências ao mundo real são múltiplas. Digger usa chapéu e botas de vaqueiro e fala com o sotaque carregado do sul dos Estados Unidos , de forma até cartunesca. Ele é o arquétipo do eleitor republicano rico e conta, cheio de pompa, como seu bisavô descobriu petróleo em sua busca pelo sonho americano. Para o empresário, enriquecer justifica qualquer empreitada.

    Mas as coisas azedam para Digger quando uma de suas plataformas de petróleo na Groenlândia explode e causa o desprendimento de uma geleira monumental que se chocará contra a Europa. Na vida real, o território é alvo de Trump, que ameaça invadir a ilha desde o início de seu mandato.

    Veja cenas do filme 'Digger', com Tom Cruise
    Veja cenas do filme 'Digger', com Tom Cruise — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "À medida que desenvolvemos essa história, a realidade começou a nos ultrapassar. Ela está avançando mais rápido do que qualquer ficção que poderíamos inventar. Foi muito angustiante, era como fazer um documentário sobre o futuro", diz Iñarritú, ao lado de Cruise.

    O diretor mexicano, vencedor do Oscar em 2015 por " Birdman ", teve a ideia de "Digger" durante as gravações de " O Regresso ".

    O longa que deu a Leonardo DiCaprio sua primeira estatueta dourada conta a história de um homem que marcha para o oeste dos Estados Unidos, sozinho, durante um inverno rigoroso em 1823. O desafio de filmar ao ar livre foi a ausência da neve e do gelo esperados nas locações. Uma consequência já visível das mudanças climáticas em 2014, segundo Iñárritu.

    Relembre curiosidades sobre Tom Cruise
    Relembre curiosidades sobre Tom Cruise — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em "Digger", o impacto da geleira no norte da Europa causa um tsunami que deixará milhares de pessoas desabrigadas. O personagem de Cruise parte, então, para uma corrida contra o tempo para tentar mitigar a repercussão negativa do desastre não só para seus negócios, mas para o próprio governo americano, de quem ele é parceiro de longa data.

    Durante a crise, o bilionário se reúne com o presidente, encarnado por John Goodman, e com donos de empresas de mídia e de inteligência artificial, e vai parar nas Nações Unidas para enfrentar parlamentares europeus. Ele é acompanhado por Ganesh, cientista interpretado por Riz Ahmed que trabalhou para Digger a vida inteira, mesmo diante das violações constantes do empresário à segurança ambiental.

    "Todos os dias vemos pessoas no comando dizerem, com um tom satírico e absurdo, que está tudo bem, embora saibamos que não está", diz Iñárritu. "Como contamos a nossa própria história? Não sei se alguém tem condições de definir algo, mas o que acontece parece uma loucura coletiva."

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    Nos moldes de outros longas lançados desde a reeleição de Donald Trump, como " Mickey 17 ", de Bong Joon-ho, " Eddington ", de Ari Aster, " Bugonia ", de Yorgos Lanthimos, e o próprio " Uma Batalha Após a Outra ", coroado com o Oscar de melhor filme neste ano, "Digger" usa o orçamento de grandes estúdios para tirar sarro do status quo.

    A diferença é que Digger não é exatamente quem parece ser. Com uma boa dose de metalinguagem, Iñárritu também ironiza a própria tendência de Hollywood de produzir filmes caros, comandados por diretores de prestígio, que recorrem ao absurdo para fazer críticas políticas.

    Com Cruise na dianteira, "Digger" expressa o declínio do herói americano , que dominou por tantos anos a narrativa cinematográfica, diante das políticas agressivas de Trump .

    Homem de terno vinho com braços abertos fala para grande público sentado em auditório circular com teto de vidro. Plateia observa atentamente em vários níveis.
    Homem de terno vinho com braços abertos fala para grande público sentado em auditório circular com teto de vidro. Plateia observa atentamente em vários níveis. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Não é o melhor momento para produzir filmes nos Estados Unidos. Estão caminhando para o controle da linguagem, da exposição e da arte. Todos os artistas e instituições estão sob alerta", disse Iñárritú em entrevista a este jornal no ano passado , quando relançou "Amores Brutos" nos cinemas.

    O diretor se referia às investidas do republicano para tentar controlar o setor cultural , além do endurecimento de leis contra imigrantes no país. Uma realidade que ia de encontro à própria trajetória do diretor que, depois do sucesso de "Amores Brutos", deixou a Cidade do México em direção a Los Angeles. Nos anos 2000, junto a nomes como Guillermo del Toro e Alfonso Cuarón , ele injetou fôlego no polo industrial do cinema.

    Como outros filmes de Iñárritu, "Digger" explora a ligação de pessoas por meio de uma tragédia em comum. Nesse caso, a hecatombe climática. Se "Birdman", seu trabalho mais conhecido, trazia uma reflexão mais intimista sobre a busca por validação do artista, o novo longa reflete sobre os limites da arte, mesmo que política, num mundo devastado e carente de medidas concretas.

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    É uma preocupação que faz coro a filmes apresentados no último Festival de Cannes , em maio. Alguns dos principais títulos dentro e fora de competição propuseram uma meditação sobre o sentido de criar em tempos difíceis, de guerras e intolerância. Se "Digger" elabora uma conclusão menos idealista sobre o assunto, a negatividade parece não afetar Cruise.

    "Iñárritu ergue um espelho diante de nós para podermos refletir, com um humor extraordinário. Para mim, não há tom acusatório", diz o ator, uma das poucas estrelas que ainda não fez trabalhos para o streaming.

    Diante de uma crise que parece grande demais para a arte, Cruise não está disposto a declarar esta uma missão impossível. "Quero que o público tenha sua própria experiência. Cada um vai sair com seu ponto de vista, e essa é a beleza do cinema."

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/tom-cruise-busca-oscar-com-digger-sobre-bilionario-que-causa-hecatombe-climatica.shtml.

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