TO: Justiça nega recurso de motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano
Antônio Pereira do Nascimento entrou com uma ação judicial pedindo R$ 13 milhões de recompensa por ter devolvido um valor dez vezes maior que recebeu por engano de um banco

O TJTO (Tribunal de Justiça do Tocantins) negou o recurso do motorista de ônibus Antônio Pereira do Nascimento, que pediu R$ 13 milhões ao Banco Bradesco como recompensa após devolver a quantia de R$ 131 milhões depositados por engano em sua conta.
O recurso foi apresentado no processo que tramita na 6ª Vara Cível da Comarca de Palmas, e questionava a decisão da justiça que negou a produção de prova testemunhal antes do julgamento.
Na decisão de primeira instância, o juízo entendeu que os documentos já apresentados, como extratos bancários, registros de movimentações financeiras e comunicações entre as partes, eram suficientes para analisar o caso.

O motorista, por sua vez, alegou que os depoimentos seriam necessários para esclarecer quem tomou a iniciativa de comunicar o crédito indevido e para comprovar circunstâncias relacionadas à suposta pressão psicológica e aos danos morais .
Ao analisar o recurso, a relatora do caso entendeu que o pedido do motorista é "manifestamente inadmissível", uma vez que o recurso baseia-se exclusivamente no indeferimento da prova testemunhal.
Segundo a magistrada, a exceção reconhecida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), conhecida como “taxatividade mitigada”, exige a demonstração de uma urgência concreta que torne inútil a análise da questão apenas em eventual recurso de apelação. Para a relatora, essa urgência não foi demonstrada no caso.

À CNN Brasil , o banco Bradesco afirmou que não comenta casos judiciais. A reportagem tenta contato com a defesa de Antônio.
Entenda o caso: Motorista devolve R$ 131 milhões e pede recompensa milionária
O valor pleiteado corresponde a 10% da quantia total devolvida à instituição financeira , que foi de R$ 131 milhões . Além da recompensa, a ação solicita R$ 150 mil de indenização por danos morais , sob a alegação de que o motorista enfrentou problemas emocionais e financeiros após o episódio.

De acordo com a defesa do motorista, a comunicação do equívoco foi feita de forma espontânea pelo próprio Antônio. Os advogados destacam que os valores transferidos pertenciam ao patrimônio do banco , e não a contas de terceiros.
A tese ressalta que, devido ao volume bilionário de arrecadação da instituição, o erro poderia não ter sido detectado em curto prazo sem a intervenção voluntária do cliente.
A defesa relata que, após informar o ocorrido, Antônio teria sofrido pressão para comparecer à agência bancária com urgência.

O processo aponta que o motorista foi tratado como se tivesse causado o problema, o que teria gerado considerável constrangimento , apesar de sua postura transparente e colaborativa desde o primeiro momento.
O caso é apontado como um dos primeiros no Brasil a discutir judicialmente o instituto da recompensa aplicado ao ambiente digital.



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/norte/to/to-justica-nega-recurso-de-motorista-que-recebeu-r-131-milhoes-por-engano/.

Sede do Tribunal de Justiça do Tocantins, em Palmas • Reprodução/Tribunal de Justiça do Tocantins · • Reprodução/Tribunal de Justiça do Tocantins — Foto: CNN Brasil
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