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    TJSP mantém condenação após humorista associar padre Júlio à pedofilia

    Colegiado rejeitou recurso e manteve decisão que determina indenização de R$ 15 mil ao religioso

    Metrópoles
    4 de setembro de 2026 às 21:12
    TJSP mantém condenação após humorista associar padre Júlio à pedofilia
    Foto: Metrópoles

    A Coluna Fábia Oliveira teve acesso com exclusividade à decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que manteve, por unanimidade , a condenação do humorista Cassius Matheus dos Santos Soares , conhecido como “Cassius Ogro”, e da empresa Ogro Serviços Ltda. por associarem o padre Júlio Renato Lancellotti a crimes sexuais e à prática de pedofilia.

    A condenação em primeira instância foi proferida em 19 de fevereiro quando a Justiça determinou que os réus pagassem R$ 15 mil ao religioso por danos morais, além de estabelecer outras obrigações.

    Agora, em sessão virtual realizada na última quinta-feira (3/9), a 1ª Câmara de Direito Privado do TJSP negou, por unanimidade, o recurso apresentado pela defesa e manteve integralmente a sentença.

    Reprodução/Redes sociais.
    Reprodução/Redes sociais. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A ação teve origem em 2022, durante a Copa do Mundo. Na ocasião, o padre Júlio Lancellotti, pároco da Igreja de São Miguel Arcanjo e vigário episcopal do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, publicou em suas redes sociais uma crítica a uma notícia envolvendo jogadores da Seleção Brasileira que haviam consumido carne com ouro.

    Na manifestação, o religioso classificou a ostentação como desrespeitosa diante do cenário de pobreza enfrentado pelo país, sem fazer ofensas aos jogadores ou a qualquer outra pessoa envolvida na notícia.

    Em resposta à publicação, Cassius Ogro divulgou um vídeo utilizando a imagem do padre Júlio, acompanhado de comentários que insinuavam sua homossexualidade e o associavam à prática de pedofilia.

    TJSP mantém condenação após humorista associar padre Júlio à pedofilia
    TJSP mantém condenação após humorista associar padre Júlio à pedofilia — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Entre as declarações feitas no conteúdo estava a frase: “se fosse um garotinho de ouro, você não ia querer comer ele?”.

    Diante da publicação, o padre Júlio, representado pelo advogado Nicholas Berro, entrou com uma ação de obrigação de fazer e não fazer cumulada com pedido de indenização por danos morais. Entre as solicitações estavam a retirada dos vídeos publicados no Instagram e no YouTube, a proibição de novas publicações ofensivas, sob pena de multa diária, e a reparação pelos danos morais sofridos.

    Em 19 de fevereiro, a Justiça de primeira instância julgou os pedidos procedentes. Cassius Ogro e a Ogro Serviços Ltda. foram condenados solidariamente a não publicar conteúdos que relacionem o nome ou a imagem do padre Júlio a crimes sexuais, pedofilia ou fatos inverídicos ofensivos à sua honra.

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    A sentença estabeleceu multa diária de R$ 1 mil, inicialmente limitada a R$ 50 mil, além do pagamento de R$ 15 mil por danos morais.

    Ao analisar o recurso, a relatora, desembargadora Mônica de Carvalho, rejeitou individualmente os argumentos apresentados pela defesa.

    O pedido de justiça gratuita foi negado porque os próprios apelantes haviam recolhido o valor referente ao preparo recursal. Para o colegiado, esse pagamento demonstrou capacidade financeira incompatível com a concessão do benefício.

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    TJSP mantém condenação após humorista associar padre Júlio à pedofilia - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Também foi afastada a alegação de cerceamento de defesa. Segundo a decisão, a documentação apresentada no processo era suficiente para o julgamento antecipado da ação, não havendo necessidade de produção de outras provas.

    A Câmara rejeitou ainda a alegação de ilegitimidade passiva da pessoa jurídica Ogro Serviços Ltda. O entendimento foi de que os elementos reunidos nos autos indicam a existência de vínculo entre a empresa e a atividade desenvolvida pelo corréu.

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    Padre Julio Lancelotti registra boletim de ocorrência após ser ameaçado pelas redes sociais
    Padre Julio Lancelotti registra boletim de ocorrência após ser ameaçado pelas redes sociais — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Padre Julio Lancelotti registra boletim de ocorrência após ser ameaçado pelas redes sociais

    No mérito, o acórdão reafirmou que a liberdade de expressão é um direito fundamental essencial ao debate público, mas não é ilimitada. O exercício desse direito encontra limites na proteção à honra, à imagem e à dignidade da pessoa.

    Para o colegiado, o material publicado por Cassius Ogro não se enquadrou como crítica, opinião ou humor legítimo relacionado a uma conduta pública. Na avaliação dos desembargadores, o conteúdo consistiu em uma insinuação de comportamento criminoso e moralmente reprovável, ultrapassando os limites da sátira e caracterizando abuso de direito, conforme previsto no artigo 187 do Código Civil.

    Padre Júlio Lancelotti
    Padre Júlio Lancelotti — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A 1ª Câmara de Direito Privado também manteve os valores definidos na sentença, tanto em relação à indenização quanto à multa diária. O colegiado considerou as quantias proporcionais à gravidade dos fatos e adequadas para reprimir a conduta ilícita, sem provocar enriquecimento sem causa.

    Com a decisão do TJSP, fica mantida a condenação dos réus no âmbito do Tribunal de Justiça. Eles permanecem obrigados a manter os vídeos removidos das plataformas e a não realizar novas publicações que associem o padre Júlio Lancellotti a crimes sexuais, pedofilia ou fatos inverídicos ofensivos à sua honra.

    Além disso, os condenados deverão pagar R$ 15 mil de indenização por danos morais, valor que será corrigido monetariamente e acrescido de juros desde a data da publicação do conteúdo considerado ofensivo.

    O TJSP também fixou honorários advocatícios recursais em 15% sobre o valor atualizado da condenação, a serem pagos pelos apelantes.

    Procurado pela coluna, o advogado Nicholas Berro, que representa o padre Júlio Lancellotti no processo, afirmou: “A decisão confirma que a liberdade de expressão não é um salvo-conduto para associar alguém a crimes que não cometeu. A honra do padre Júlio foi restabelecida em duas instâncias, de forma unânime”.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/fabia-oliveira/tj-sp-mantem-condenacao-apos-humorista-associar-padre-julio-a-pedofilia.

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