TJSP manda soltar suspeito em esquema do PCC com empresa de ônibus
Jair Ramos de Freitas foi preso em junho durante operação contra esquema de lavagem de dinheiro com a concessionária Transunião

O Tribunal de Justiça de São Paulo ( TJSP ) mandou soltar Jair Ramos de Freitas , o “Cachorrão” , suspeito de articular um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da concessionária de ônibus Transunião . Ele foi preso temporariamente no final de junho durante a Operação Última Parada , que também teve como alvo o vereador Senival Pereira de Moura (afastado do PT).
O alvará de soltura foi ordenado pela 11ª Câmara de Direito Criminal por decisão da desembargadora Carla Rahal. Segundo ela, não há justificativa legal para manter a prisão temporária de Freitas, que já havia ultrapassado o prazo máximo .
Cachorrão é alvo de medidas cautelares relativas ao processo em que ele é acusado pelo homicídio de Adauto. Ele está proibido de manter contato com testemunhas, além de funcionários e dirigentes da Transunião. Também está proibido de se ausentar de São Paulo por mais de oito dias sem aviso prévio.

Em nota, a defesa de Jair Ramos de Freitas disse que a decisão “corrigiu a injustiça, pois não havia elementos para sustentar a prisão temporária e o prazo de 30 dias, uma vez que os crimes investigados de organização criminosa e lavagem de capitais não poderiam, por si só, aumentar o prazo da prisão temporária”.
No início de agosto, o TJSP também concedeu um habeas corpus e ordenou a soltura do vereador Senival Moura . Em decisão semelhante à do Cachorrão, Carla Rahal entendeu que o prazo legal da prisão já havia terminado, o que a tornaria ilegal.
Depois da soltura, Senival compareceu à tribuna da Câmara Municipal de São Paulo para se pronunciar sobre os acontecimentos. Em sua fala, o vereador reiterou a própria inocência e afirmou que está sendo vítima de “injustiças”.

“Lamentavelmente, fui jogado aos leões sem cometer absolutamente nada. Eu sou inocente em tudo isso”, afirmou o parlamentar. “Eu acho que quem comete crime tem que pagar por ele. Agora, quem não cometeu crime não tem que pagar por aquilo que não cometeu. A injustiça é muito grande. Sequer eu fui ouvido.” Segundo a investigação, o petista afastado é suspeito de ser o “dono oculto” da Transunião e principal responsável por instrumentalizar a Transunião para a lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC.
Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.
Planilhas internas também mostram que Senival era o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus que estavam em nome de terceiros ou da própria Transunião, e que ele movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada. Além disso, o vereador possui um patrimônio imobiliário de alto padrão, considerado incompatível com sua remuneração oficial.

À época de sua prisão, Moura ocupava o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora e de presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal. As investigações apontavam, inclusive, que a atuação dele na comissão lhe conferiria poder de fiscalização e regulamentação sobre o próprio setor no qual a Transunião opera.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/suspeito-esquema-pcc-onibus-solto.

Divulgação/ Transunião — Foto: Metrópoles
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