TJGO torna ré e nega soltura de dentista que matou jornalista
Suspeita de matar o jornalista Delson Carlos teve prisão convertida em preventiva. Homem foi esfaqueado e morto após uma briga em Goiânia

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás ( TJGO ) aceitou a denúncia apresenta pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) contra a dentista Renata de Almeida Pedreira e Sousa, 56 anos . Ela está presa preventivamente pela morte do jornalista Delson Carlos, após uma discussão em um apartamento de luxo, em Goiânia (GO) . O crime ocorreu em 24 de janeiro.
A partir da decisão, Renata se torna ré e passou a responder formalmente por homicídio qualificado — motivado por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa da vítima —, além de lesão corporal qualificada no contexto de violência doméstica.
Na mesma decisão, publicada na terça-feira (18), o tribunal negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da dentista. O juiz Jesseir Coelho de Alcântara fundamentou a manutenção da prisão preventiva na gravidade concreta do crime e na necessidade de garantir a ordem pública. O magistrado destacou a elevada reprovabilidade da conduta da acusada.

No pedido de habeas corpus, a defesa alegou que o episódio que tirou a vida de Delson Carlos teria sido um fato isolado , ocorrido durante uma suposta crise emocional e psíquica aguda, que os advogados descrevem como um possível surto psicótico provocado pela combinação de sedativos e álcool .
A defesa argumentou ainda que esse contexto não poderia ser utilizado, de forma isolada, para presumir eventual periculosidade da investigada sem a realização de uma avaliação médico-legal.
Os advogados também defenderam a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas da prisão.

Entre as medidas sugeridas estão o monitoramento eletrônico, com zona de exclusão; a proibição de contato e aproximação da vítima sobrevivente, companheira de Renata ; a fixação de residência em endereço determinado; a proibição de frequentar o Condomínio Don Lourenço; e a submissão voluntária a tratamento e acompanhamento de saúde mental.
A coluna Na Mira tenta localizar as defesas de Renata, da companheira dela e do marido de Delson. O espaço permanece aberto para manifestações.
Renata teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada em 25 de julho. Em depoimento, Renata Oliveira, que se apresenta nas redes sociais como empresária, advogada, dentista e influenciadora digital, afirmou que não faz uso de drogas e que não possui problemas psicológicos.

Ela declarou consumir bebida alcoólica “às vezes”. Também disse que não faz uso de medicamentos, não possui doença grave ou transtorno mental e que nunca se consultou com um médico psiquiatra.
Segundo as investigações, Delson Carlos, Renata, a companheira dela e o marido do jornalista consumiam bebidas alcoólicas no apartamento da vítima. Em determinado momento, houve um desentendimento que terminou em um ataque com golpes de faca, no sétimo andar do edifício .
Testemunhas relataram à Polícia Civil de Goiás (PCGO) que a companheira de Renata foi ferida no ombro durante a confusão. O cachorro de Delson também teria sido atingido por uma facada.

Após o crime, um vídeo que circulou nas redes sociais mostrou Renata e Delson dançando e se divertindo juntos, indicando que os dois mantinham uma relação de proximidade antes do episódio.
Polícia Civil investiga morte de jornalista em apartamento em Goiânia
O jornalista e a dentista, que o assassinou

A Polícia Civil de Goiás instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. Até o momento, a motivação do crime e a dinâmica exata da discussão ainda são investigadas.
Renata Oliveira foi presa após o crime. Segundo as informações apuradas, ela se recusou a deixar o imóvel, o que levou uma equipe tática do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) a intervir.
Quando os militares chegaram ao apartamento, Renata apresentava sinais de alteração psicológica. Ainda segundo as informações da ocorrência, ela teria se trancado no imóvel e tentado tirar a própria vida. Para contê-la, os policiais utilizaram artefatos de efeito sonoro e, posteriormente, uma arma de choque (Taser).




Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/tjgo-nega-soltura-de-dentista-que-matou-jornalista-em-predio-de-luxo.

Reprodução / Redes sociais — Foto: Metrópoles
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