Títulos IPCA+ de longo prazo rendem em 1 dia mais de 3 meses de CDI
(Foto: Daniel Dan/Unsplash) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/10/daniel-dan-Az6JJ-8IS6s-unsplash.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />Índices da Anbima de títulos longos e debêntures tiveram forte alta após o primeiro turno; nos papéis de infraestrutura, o ganho ainda não apaga o baixo rendimento no ano The post Títulos IPCA+ de longo prazo rendem em 1 dia mais de 3 meses de CDI appeared first on InfoMoney .

A queda dos juros depois do primeiro turno da eleição presidencial fez os títulos públicos atrelados à inflação com vencimento mais longo subirem 4,09% na segunda-feira (5), segundo o IMA-B 5+, índice da Anbima que acompanha esses papéis. O ganho de um único dia equivale a mais de três meses de rendimento do CDI e beneficia quem tem fundos com esses títulos na carteira.
A lógica é a mesma de qualquer título de renda fixa : quando os juros caem, os papéis já emitidos se valorizam, porque pagam mais do que os novos. Quanto mais longo o prazo, maior o efeito.
O movimento veio depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT), diante da expectativa maior por cortes de gastos num eventual novo governo. Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, explica que é nos títulos longos que está boa parte do prêmio cobrado pelo risco de crescimento da dívida pública, e por isso foram esses papéis que mais reagiram ao resultado. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Os títulos de prazo mais longo foram os que mais ganharam. No Tesouro Direto , as taxas dos prefixados tiveram a maior queda em um único dia desde 2008 , e o índice da Anbima que reúne esses papéis com mais de um ano até o vencimento (IRF-M 1+) avançou 3,60%.
Já os títulos atrelados à inflação com até cinco anos de prazo subiram 0,99%. O Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros e quase não oscila, rendeu 0,05%.
Mesmo rendendo pouco, o Tesouro Selic segue entre as opções indicadas por especialistas para quem prefere esperar o fim da eleição, com a Selic em 13,75%. “Não é um ativo que vai trazer um ganho relevante, só que é o que vai garantir que o investidor continue no jogo”, diz Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research.

As debêntures incentivadas , títulos de dívida de empresas de infraestrutura isentos de Imposto de Renda para a pessoa física, também subiram forte. O índice da Anbima para esses papéis avançou 2,58% na segunda, mas acumula 7,07% no ano, abaixo dos 10,79% do Tesouro Selic.
Parte do atraso vem de setembro. Segundo a Sparta, citando dados até o fim do mês passado, o prêmio que as empresas pagam acima dos títulos públicos nessas debêntures subiu em média cerca de 0,40 ponto percentual no mês. Quando esse prêmio sobe, o preço das debêntures cai.
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Em carta mensal, a gestora afirma que o movimento não veio de problemas de crédito relevantes nem de piora das empresas, e sim de uma mudança pequena no fluxo de compra e venda, em um mercado com poucos compradores. Os fundos de debêntures que trocam a correção pela inflação pelo CDI tiveram um dos piores meses da história, com a maior parte no negativo.
Já os fundos atrelados à inflação terminaram setembro no positivo, porque a queda dos juros dos títulos públicos compensou a alta do prêmio. Na segunda, a diferença entre os dois tipos de papel apareceu de novo. O índice das debêntures de infraestrutura corrigidas pelo IPCA subiu 2,58%, enquanto o das atreladas ao CDI ganhou 0,09%.
A gestora diz que a alta recente do prêmio começa a criar oportunidades, mas segue cautelosa, porque os pedidos de resgate feitos depois do resultado ruim de setembro só devem aparecer nos dados de outubro e novembro. “Um bom crédito não é necessariamente um bom investimento”, afirma a Sparta na carta, ao defender que o investidor avalie quanto risco de oscilação de preço está assumindo e quanto recebe por isso.

Ricardo Farias, gestor de renda fixa e multimercado da Fator Administração de Recursos, recomenda que quem ainda não comprou prefixados espere passar a euforia para separar o que é ajuste de preço do que é exagero.
Gabriel Magno, sócio da AW Capital, considera que ainda vale travar uma taxa prefixada nos níveis atuais, mas lembra que a eleição não acabou e que o cenário pode virar.
Letícia Albuquerque, head de Soluções de Investimentos da Tivio Capital, prefere títulos IPCA+ de prazo intermediário, com prazo médio de cerca de sete anos. “Alongar só faz sentido quando a gente tiver mais visibilidade de medidas críveis de ajuste fiscal”, diz.
O risco de virada vale nos dois sentidos, vale lembrar, por isso a mesma oscilação que valorizou os títulos longos na segunda pode desvalorizá-los se o cenário mudar até o segundo turno. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, avalia que os preços já embutem quatro anos de governo Flávio e que, se Lula vencer, “boa parte desse movimento vai por água abaixo”.
Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/onde-investir/titulos-ipca-de-longo-prazo-rendem-em-1-dia-mais-de-3-meses-de-cdi/.

Foto: InfoMoney
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