Brasil

    TikTok enfrenta 1º julgamento nos EUA por alegações sobre saúde mental de jovens

    Um júri do estado do Alabama ouvirá as alegações do estado de que o TikTok e sua controladora chinesa, a ByteDance, tornaram a plataforma viciante para jovens usuários e enganaram consumidores sobre sua segurança. É o primeiro caso contra a empresa a chegar a julgamento na ampla onda de processos que questionam o impacto das redes sociais sobre o bem-estar de adolescentes. Leia mais (09/26/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    27 de setembro de 2026 às 02:00
    TikTok enfrenta 1º julgamento nos EUA por alegações sobre saúde mental de jovens
    Logo do TikTok em letras brancas com símbolo colorido à esquerda, iluminado contra fundo preto com luzes neon coloridas ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Um júri do estado do Alabama ouvirá as alegações do estado de que o TikTok e sua controladora chinesa, a ByteDance, tornaram a plataforma viciante para jovens usuários e enganaram consumidores sobre sua segurança. É o primeiro caso contra a empresa a chegar a julgamento na ampla onda de processos que questionam o impacto das redes sociais sobre o bem-estar de adolescentes.

    Processo do Alabama aponta falhas do TikTok na proteção de usuários adolescentes - Yuichi Yamazaki /AFP · Yuichi Yamazaki /AFP
    Processo do Alabama aponta falhas do TikTok na proteção de usuários adolescentes - Yuichi Yamazaki /AFP · Yuichi Yamazaki /AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O julgamento, previsto para começar nesta segunda-feira (28) em um tribunal estadual de Montgomery e com duração estimada de duas a três semanas, pode oferecer uma rara visão do funcionamento interno do TikTok. A empresa chegou a acordos em processos anteriores selecionados para julgamento e tentou manter detalhes de suas operações fora do alcance do público.

    A ação do Alabama foi apresentada em 2025 pelo procurador-geral do estado, Steve Marshall, do Partido Republicano. Ao menos outros 27 estados e Washington, D.C., também processaram a empresa.

    O TikTok afirma que desenvolveu a própria plataforma tendo a segurança de adolescentes como uma das principais prioridades. A empresa também argumenta que a Seção 230 da Communications Decency Act (Lei Federal de Decência nas Comunicações) a protege de responsabilização pelo conteúdo produzido pelos usuários.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Representantes do gabinete do procurador-geral do Alabama e do TikTok, cujas operações nos Estados Unidos foram transferidas neste ano para uma entidade liderada por investidores americanos e 20% pertencente à ByteDance, não responderam aos pedidos de comentário sobre o julgamento.

    O Alabama afirma que o fluxo ininterrupto de vídeos do TikTok faz da plataforma a rede social mais viciante e que seu algoritmo direciona jovens usuários para conteúdos cada vez mais intensos sobre violência e automutilação. Segundo o estado, isso contribui para uma crise de saúde mental entre adolescentes e fez o número de atendimentos de emergência por automutilação no estado "disparar".

    A ação acusa o TikTok de afirmar falsamente que limita o acesso de jovens a conteúdos sexuais e violentos para que seu aplicativo receba classificação de segurança para adolescentes nas lojas de aplicativos administradas por Google, Apple e Microsoft. O processo também acusa a empresa de enganar usuários sobre o acesso do governo chinês aos dados de usuários americanos.

    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe
    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O estado busca a aplicação de penalidades e outras medidas judiciais.

    A decisão do TikTok de fechar acordos em processos importantes e os esforços da empresa para manter registros judiciais sob sigilo ou com grandes trechos ocultados fizeram com que boa parte das evidências sobre o funcionamento da companhia privada permanecesse fora do alcance do público.

    Além dos processos movidos pelos estados, o TikTok enfrenta milhares de ações de indivíduos, distritos escolares e municípios sobre seu suposto impacto na saúde mental de jovens usuários . A Meta Platforms, a Snap e o YouTube, da Alphabet, também são réus em muitos desses processos.

    O TikTok já havia chegado a acordos em todos os casos selecionados para julgamento contra a empresa, incluindo ações movidas por cinco jovens e por um distrito escolar do Kentucky.

    A ação do Alabama afirma que o TikTok pede aos usuários que informem a própria idade, mas também permite que eles contornem as perguntas sobre idade ao assistir a vídeos sem criar uma conta. Mesmo assim, segundo o processo, a empresa consegue coletar dados sobre os hábitos de visualização. A falta de uma restrição etária eficaz torna recursos como o "Kids Mode", que seleciona conteúdo para usuários jovens, completamente inúteis, afirma a ação.

    O estado também afirma que a plataforma prende crianças nas chamadas "bolhas de filtro", nas quais são exibidos conteúdos cada vez mais intensos sobre assuntos que capturam sua atenção, incluindo material violento ou prejudicial.

    No mês passado, a Meta fechou um acordo abrangente de US$ 17,1 bilhões (R$ 88,78 bilhões) com 47 estados, Washington, D.C., e territórios dos Estados Unidos. A Meta, que não admitiu irregularidades, concordou em fazer mudanças no acesso de adolescentes ao Instagram e ao Facebook como parte do acordo e condicionou US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões) do pagamento à adoção dessas medidas pelo TikTok, pela Snap e pelo YouTube. O TikTok não se pronunciou publicamente sobre o acordo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/09/tiktok-enfrenta-1o-julgamento-nos-eua-por-alegacoes-sobre-saude-mental-de-jovens.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Processo do Alabama aponta falhas do TikTok na proteção de usuários adolescentes - Yuichi Yamazaki /AFP · Yuichi Yamazaki /AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)