Política

    Tesouro tem maior emissão de títulos ligados à Selic em 20 anos

    Participação dos papéis pós-fixados vinculados à taxa básica de juros deve aumentar após revisão no Plano Anual de Financiamento

    Poder360
    31 de agosto de 2026 às 15:43
    Tesouro tem maior emissão de títulos ligados à Selic em 20 anos
    Foto: Poder360

    Participação dos papéis pós-fixados vinculados à taxa básica de juros deve aumentar após revisão no Plano Anual de Financiamento

    O Tesouro Nacional revisou o PAF (Plano Anual de Financiamento) e passou a prever uma participação maior de títulos públicos atrelados à Selic no perfil da dívida federal. A emissão de papéis pós-fixados corrigidos pela taxa básica de juros chegou a 48,2% do total, recorde em 20 anos.

    Até julho, os títulos remunerados pela Selic somaram R$ 2,8 trilhões em papéis pós-fixados de um total de R$ 5,7 trilhões emitidos em 2026.

    A participação é superior à registrada desde o 2º mandato de Lula, quando teve início a série histórica do Tesouro Nacional.

    O maior percentual anterior havia sido registrado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2022, quando os títulos ligados à Selic representaram cerca de 34% das emissões.

    A mudança no perfil da dívida aumenta a exposição do governo ao comportamento da taxa básica de juros. As LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), cuja remuneração é vinculada à Selic, atingiram participação de 51,1% ao se considerar o estoque total da dívida pública federal, maior patamar desde agosto de 2003 (51,3%).

    Por isso, o Tesouro alterou o PAF, que estabelece parâmetros de referência para a composição da dívida. No caso da LFT, o intervalo passou de 46% a 50% para 49% a 53%. O Poder360 noticiou que o Tesouro faria isso.

    O movimento se dá em um momento em que o governo enfrenta uma trajetória crescente da dívida pública. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,5% do PIB em julho, segundo o Banco Central divulgou nesta 2ª feira (31.ago.2026), com estoque de R$ 10,9 trilhões.

    A maior participação dos títulos pós-fixados também reduz o risco de mercado para os investidores, já que esses papéis têm menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros de longo prazo. Para o governo, significa maior exposição às decisões do Banco Central sobre a Selic.

    A revisão do PAF reflete a piora nas condições de financiamento enfrentadas pelo Tesouro e a necessidade de administrar a dívida em um ambiente de juros elevados.

    O perfil da dívida é relevante porque determina como mudanças na Selic afetam o custo de financiamento do governo e, consequentemente, as despesas com juros.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/tesouro-tem-maior-emissao-de-titulos-ligados-a-selic-em-20-anos/.

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