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    “Terremoto”: Como o Irã ameaça responder à ofensiva financeira dos EUA

    Teerã destaca sua capacidade de causar danos recíprocos, alertando para ataques ampliados contra produtores de petróleo da região e países europeus

    CNN Brasil
    30 de agosto de 2026 às 10:00
    “Terremoto”: Como o Irã ameaça responder à ofensiva financeira dos EUA
    Foto: CNN Brasil

    Enquanto Washington lança seu mais recente plano para paralisar a economia do Irã, a República Islâmica ameaça uma resposta regional e global destinada a elevar a tensão para os Estados Unidos e o mundo.

    Em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou que os EUA terão como alvo uma rede complexa, construída pelo Irã ao longo de anos, que permite a suas entidades contornar as amplas sanções de Washington.

    A medida surge após seis meses de uma guerra iniciada pelos EUA e por Israel que chegou a um impasse, na ausência de uma solução diplomática.

    Banner com uma foto do presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado de um sistema de mísseis iraniano na Praça Azadi, em Teerã, Irã, em 30 de julho de 2026 • Majid Asgaripour/WANA via REUTERS · • Majid Asgaripour/WANA via REUTERS
    Banner com uma foto do presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado de um sistema de mísseis iraniano na Praça Azadi, em Teerã, Irã, em 30 de julho de 2026 • Majid Asgaripour/WANA via REUTERS · • Majid Asgaripour/WANA via REUTERS — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As abrangentes sanções secundárias apresentadas por Bessent incluem penalidades para parceiros comerciais iranianos em setores que a República Islâmica utiliza para sustentar sua economia, como ativos digitais, tecnologia e transporte marítimo .

    No entanto, o tão aguardado anúncio das medidas de “ Dia D econômico ” de Trump deixou muitos decepcionados.

    Washington decidiu adiar a imposição de novas medidas de grande porte, concentrando-se, em vez disso, na ampliação e no reforço da aplicação das sanções existentes, ao mesmo tempo em que alertou que penalidades mais rigorosas poderiam ser aplicadas a países que não cortassem laços .

    Suspensão de comércio dos Emirados com Irã não foi por acaso, diz Bessent
    Suspensão de comércio dos Emirados com Irã não foi por acaso, diz Bessent — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em vez de ceder às ameaças, o Irã destaca sua capacidade de causar danos recíprocos, alertando para ataques ampliados contra produtores de petróleo da região e países europeus, e até mesmo insinuando a transformação de seu programa nuclear em arma.

    “Jogamos xadrez há muito tempo… também aprendemos a jogar pôquer”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, a repórteres na segunda-feira. “Agora, há algum tempo, jogamos uma combinação dos dois”, completou.

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    Como as novas sanções dos EUA contra Teerã afetam iranianos comuns
    Como as novas sanções dos EUA contra Teerã afetam iranianos comuns — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Veja abaixo como o Irã pode responder à escalada econômica dos EUA.

    Há meses, o Irã impede que embarcações utilizem o Estreito de Ormuz, bloqueando a exportação de petróleo e gás de países da região por uma rota que, antes da guerra, respondia por um quinto do suprimento global.

    Os rebeldes Houthis, aliados do Irã no Iêmen, abriu recentemente uma nova frente no Mar Vermelho, visando as exportações e a infraestrutura petrolífera da Arábia Saudita.

    Ministro das Finanças do Irã classifica sanções dos EUA como "fracasso"
    Ministro das Finanças do Irã classifica sanções dos EUA como "fracasso" — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Agora, militares de alto escalão da República Islâmica ameaçam atacar alvos do setor de energia além do Estreito de Ormuz, podendo atingir algumas das novas rotas de transporte de petróleo que contornam essa via navegável.

    “Se a guerra econômica continuar, nem uma única gota de petróleo será exportada, nem pelo Estreito de Ormuz nem de qualquer lugar do Golfo Pérsico”, escreveu Mohsen Rezaei, líder do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, em publicação no X.

    “Retaliaremos de forma avassaladora, como um terremoto”, disse ele mais tarde em uma entrevista televisionada.

    Estreito de Ormuz • REUTERS/Hamad I Mohammed
    Estreito de Ormuz • REUTERS/Hamad I Mohammed — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Quaisquer ataques ou interrupções no transporte marítimo decorrentes disso poderiam elevar os preços globais do petróleo, provavelmente aumentando os preços da gasolina nas bombas dos EUA.

    Com o auxílio da Marinha dos EUA, empresas de petróleo da Arábia Saudita, do Kuwait, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos começaram a desligar os transponders de seus navios-tanque para evitar a detecção pelas autoridades iranianas e têm exportado petróleo com certo sucesso, embora o volume de travessias esteja bem abaixo dos níveis anteriores à guerra.

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    TV estatal iraniana mostra mísseis e drones que teriam sido disparados contra bases dos EUA no Golfo • Reprodução/Reuters
    TV estatal iraniana mostra mísseis e drones que teriam sido disparados contra bases dos EUA no Golfo • Reprodução/Reuters — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Arábia Saudita redirecionou cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia através de seu oleoduto Leste-Oeste, o que lhe permite exportar via Mar Vermelho em vez de Ormuz.

    Produtores de petróleo do Oriente Médio redirecionaram outros 2 milhões de barris por dia para rotas que contornam o estreito.

    O Irã sinalizou que tem esses navios-tanque na mira, publicando uma lista de 45 embarcações que, segundo o país, não estão cumprindo as regras que ele pretende impor à navegação em Ormuz, e alertando que as embarcações que violarem seus protocolos enfrentarão restrições em futuras passagens, incluindo “multas, detenção ou confisco”.

    Presidente dos EUA, Donald Trump, e secretário do Tesouro, Scott Bessent • 05/09/2025. REUTERS/Brian Snyder
    Presidente dos EUA, Donald Trump, e secretário do Tesouro, Scott Bessent • 05/09/2025. REUTERS/Brian Snyder — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Teerã também poderia atacar locais mais distantes com seus mísseis.

    Na segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã apontou para aeronaves de reabastecimento dos EUA que partiam do território búlgaro, alertando que Teerã poderia atacar a nação da União Europeia, que também é membro da OTAN.

    “O Irã tem o direito legítimo de atacar o ponto de origem e a fonte de qualquer ato de agressão”, disse Baghaei a repórteres na segunda-feira, acrescentando que Teerã “deixou claro que qualquer ação considerada como apoio à agressão militar dos EUA e de Israel contra o Irã constitui, segundo o direito internacional, participação em um ato de agressão”.

    Estreito de Ormuz • REUTERS/Hamad I Mohammed
    Estreito de Ormuz • REUTERS/Hamad I Mohammed — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Ao longo da guerra, o Irã atingiu 11 países, principalmente na região do Golfo.

    No entanto, acredita-se também que o país tenha atacado uma base utilizada por forças britânicas em Chipre e, aparentemente, demonstrou capacidade de alcançar ilhas utilizadas por forças americanas no Oceano Índico, a centenas de milhas de distância.

    Um ataque a um país da UE aliado dos EUA e membro da OTAN, como a Bulgária, representaria uma escalada significativa.

    TV estatal iraniana mostra mísseis e drones que teriam sido disparados contra bases dos EUA no Golfo • Reprodução/Reuters
    TV estatal iraniana mostra mísseis e drones que teriam sido disparados contra bases dos EUA no Golfo • Reprodução/Reuters — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “O Irã considerará a participação ou o apoio de qualquer país à guerra econômica dos Estados Unidos contra o povo iraniano como um ato de guerra”, disse Rezaei.

    O Irã tem afirmado repetidamente que seu programa nuclear é pacífico e que não quer construir uma bomba, apesar das alegações de Israel e dos EUA que levaram a múltiplos ataques contra instalações nucleares iranianas.

    Após a morte do líder supremo Aiatolá Ali Khamenei – que havia proibido armas nucleares – pelas mãos dos EUA e de Israel, a narrativa em alguns círculos oficiais do Irã tem mudado gradualmente para a possibilidade de retirada do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que compromete os membros a nunca construírem uma bomba.

    Presidente dos EUA, Donald Trump, e secretário do Tesouro, Scott Bessent • 05/09/2025. REUTERS/Brian Snyder
    Presidente dos EUA, Donald Trump, e secretário do Tesouro, Scott Bessent • 05/09/2025. REUTERS/Brian Snyder — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    EUA e Irã: entenda a história de décadas de sanções e tensões | LIVE CNN

    Cerca de meia tonelada de urânio altamente enriquecido – que pode ser usado para construir uma arma – permanece armazenada em solo iraniano; a inteligência dos EUA avalia que Teerã intensificou os esforços para isolar e proteger esse estoque.

    O parlamento do Irã está debatendo um projeto de lei para a retirada do TNP, segundo legisladores iranianos. No último domingo, Rezaei divulgou uma declaração rara destacando a possibilidade de o país desenvolver uma arma nuclear.

    Suspensão de comércio dos Emirados com Irã não foi por acaso, diz Bessent
    Suspensão de comércio dos Emirados com Irã não foi por acaso, diz Bessent — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “O mundo inteiro está dizendo: ‘Então o TNP não tem efeito?'”, disse ele à emissora estatal em uma entrevista, acrescentando: “Quando a América conduz uma guerra como essa, as pessoas perguntam: por que nós mesmos não deveríamos buscar armas nucleares?”

    Especialistas afirmam que as medidas coletivas de Washington – incluindo bloqueio, sanções e ação militar – dificilmente levarão o Irã a abandonar suas principais posições de negociação: o alívio econômico e o reconhecimento de seu controle sobre o Estreito de Ormuz.

    “O Irã mantém a capacidade de regionalizar os custos que lhe são impostos, ameaçando fluxos de energia, infraestrutura e o comércio regional”, disse à CNN Sina Toossi, pesquisador sênior do Center for International Policy em Washington, D.C.

    Ministro das Finanças do Irã classifica sanções dos EUA como
    Ministro das Finanças do Irã classifica sanções dos EUA como — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Quanto mais abrangente Washington tenta tornar o bloqueio econômico, de mais países precisa para cooperar e, potencialmente, mais atores Teerã pressionará em resposta.”

    Por enquanto, disse Toossi, a resposta do Irã será uma combinação de adaptação econômica e dissuasão por meio da escalada.

    “Criar vias alternativas de sobrevivência onde for possível, deixando claro que uma tentativa de estrangulamento econômico total não sairá sem custos para a região.”

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    Como as novas sanções dos EUA contra Teerã afetam iranianos comuns — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Trump diz que deixou instruções para atacar Irã caso seja assassinado

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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/terremoto-como-o-ira-ameaca-responder-a-ofensiva-financeira-dos-eua/.

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