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    Terremoto castiga Colômbia e vira 1º desafio do governo Espriella

    Destruição na Colômbia desafia política de austeridade fiscal defendida por Espriella, que assumiu à presidência prometendo controlar gastos

    Metrópoles
    11 de agosto de 2026 às 07:30
    Terremoto castiga Colômbia e vira 1º desafio do governo Espriella
    Foto: Metrópoles

    Abelardo de la Espriella , recém-empossado presidente da Colômbia, inicia o governo em meio a uma crise humanitária no país. Apenas três dias após assumir o cargo, a Colômbia foi atingida por um terremoto de magnitude 7,4, nesta segunda-feira (10/8), que deixou ao menos 132 mortos, 570 feridos e provocou danos em diferentes regiões.

    De la Espriella assumiu a Presidência na sexta-feira (7/8) com uma agenda marcada por promessas de redução do tamanho do Estado e controle das contas públicas.

    No entanto, a tragédia impôs uma mudança imediata de prioridades. Boletins iniciais apontam que ao menos 61 edifícios e 37 casas foram destruídas. Além disso, 18 hospitais, 52 centros educacionais, sete aeroportos e 1,5 mil moradias estão parcialmente danificados após os tremores — o que vai exigir um pacote de investimentos robusto para a reconstrução do país.

    Camilo Moreno/Long Visual Press/Universal Images Group via Getty Images)
    Camilo Moreno/Long Visual Press/Universal Images Group via Getty Images) — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ainda na segunda-feira, Espriella convocou um comitê de emergência para coordenar as ações nas áreas atingidas. Como resultado, o governo adotou medidas excepcionais para lidar com os impactos do desastre e mobilizou equipes para avaliar estruturas danificadas, localizar vítimas e prestar atendimento à população.

    O mandatário também pediu união nacional diante da tragédia. “Meu apelo hoje é pela unidade inabalável da nação”, afirmou.

    A emergência acontece em um momento de dificuldades fiscais para a Colômbia. Durante a campanha e a posse, De la Espriella defendeu medidas de contenção de gastos e prometeu enfrentar o déficit das contas públicas.

    Abelardo de la Espriella
    Abelardo de la Espriella — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O déficit fiscal colombiano chegou a 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, segundo os dados reunidos no material. Para este ano, a previsão citada é de avanço para 7,8% do PIB.

    A necessidade de destinar recursos para atendimento às vítimas, reconstrução de imóveis e recuperação da infraestrutura cria uma pressão adicional sobre o orçamento justamente quando o novo governo pretendia adotar medidas de ajuste.

    O terremoto também atingiu uma estrutura de saúde que já enfrentava dificuldades. Hospitais e outros serviços de atendimento foram afetados nas proximidades do epicentro, reduzindo a capacidade de assistência em uma das regiões que mais precisam de atendimento emergencial.

    Terremoto castiga Colômbia e vira 1º desafio do governo Espriella - destaque galeria
    Terremoto castiga Colômbia e vira 1º desafio do governo Espriella - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ao Metrópoles , o cientista político Gustavo Menon avaliou que a prioridade imediata do governo deve ser o resgate de pessoas ainda sob os escombros, o atendimento humanitário às famílias atingidas e a recuperação de hospitais, estradas, escolas e outros serviços essenciais afetados pelo terremoto .

    Na avaliação dele, essas demandas entram em choque com a política de austeridade defendida por De la Espriella. Segundo o cientista político, países marcados por desigualdade, dependência econômica e tecnológica e infraestrutura urbana precária tendem a sofrer de maneira desproporcional os efeitos de eventos naturais extremos.

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    Terremoto na Colômbia
    Terremoto na Colômbia — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Terremoto destrói prédios e causa desespero na Colômbia

    O epicentro está em Chocó, uma região do oeste colombiano que enfrenta dificuldades históricas de acesso e presença de grupos armados. Comunidades da área são afetadas pela precariedade da infraestrutura e, em alguns pontos, dependem de deslocamentos por vias marítimas devido à falta de estradas adequadas.

    O departamento também é cenário de disputas entre organizações armadas, como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Clã do Golfo. A presença desses grupos pode representar uma dificuldade adicional para o deslocamento das equipes de emergência e para o atendimento às comunidades atingidas.

    Terremoto castiga Colômbia e vira 1º desafio do governo Espriella - imagem 3
    Terremoto castiga Colômbia e vira 1º desafio do governo Espriella - imagem 3 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A situação ocorre justamente quando o novo governo prometia endurecer o combate aos grupos armados. Durante a campanha, De la Espriella defendeu o abandono da estratégia de negociações adotada pelo governo anterior e afirmou, na posse, que a opção de diálogo com essas organizações estava esgotada.

    A dimensão do desastre também provocou manifestações de solidariedade de outros governos. Chefes de Estado e lideranças da América Latina sinalizaram apoio à Colômbia e disposição para colaborar com o país diante da emergência.

    Entre os governantes que manifestaram solidariedade estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Brasil, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Também houve manifestações de apoio de Nayib Bukele, de El Salvador; Keiko Fujimori, do Peru; Miguel Díaz-Canel, de Cuba; e María Corina Machado, da Venezuela.

    Terremoto destrói prédios e causa desespero na Colômbia
    Terremoto destrói prédios e causa desespero na Colômbia — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O governo de Donald Trump, que apoio à candidatura de Espriella, anunciou um pacote de US$ 15,5 milhões em financiamento para abrigo de emergência, alimentos, proteção e avaliações de terremotos. “Estamos unidos em oração com o povo colombiano e prontos para apoiar o Presidente @ABDELAESPRIELLA e seu governo enquanto avaliam as necessidades no terreno”, afirma nota do Departamento de Estado.

    A resposta ao terremoto coloca à prova uma das principais promessas feitas por De la Espriella: descentralizar a atuação do governo e estar mais próximo das regiões fora da capital.

    Antes da posse, o presidente havia anunciado que pretendia passar parte de sua agenda fora de Bogotá e viajar pelo país para acompanhar de perto as demandas da população. Agora, poucos dias depois de assumir o cargo, precisa coordenar uma operação nacional de emergência em meio a uma crise com alto número de vítimas e danos à infraestrutura.

    Além da resposta imediata ao desastre, o governo terá de lidar com os custos da reconstrução e com a necessidade de restabelecer serviços públicos afetados pelo tremor. A tragédia, portanto, coloca a nova administração diante de uma crise que exige recursos, capacidade de coordenação e presença do Estado em áreas historicamente vulneráveis.

    “O terremoto evidencia a urgência de políticas públicas permanentes de prevenção de riscos, ordenamento territorial e proteção social na América Latina”, declara Menon.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/terremoto-colombia-1-governo-espriella.

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    Camilo Moreno/Long Visual Press/Universal Images Group via Getty Images) — Foto: Metrópoles

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