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    Terras raras: nova política aprovada no Senado divide opiniões do setor

    Ibram vê avanço para investimentos, enquanto Fiemg alerta para riscos regulatórios e defende maior participação da indústria

    Metrópoles
    3 de setembro de 2026 às 00:15
    Terras raras: nova política aprovada no Senado divide opiniões do setor
    Foto: Metrópoles

    Belo Horizonte – A aprovação pelo Senado, nesta quarta-feira (2/9), do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi recebida como um avanço pelo setor de mineração, mas também trouxe alertas sobre a necessidade de garantir segurança jurídica e previsibilidade para novos investimentos.

    Em Minas Gerais , estado que concentra importantes projetos e reservas de minerais estratégicos , a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) chamou a atenção para pontos da nova política que, na avaliação da entidade, podem afetar a competitividade do setor.

    O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) considerou positiva a aprovação. Para o diretor-presidente da entidade, Pablo Cesário, o texto representa o resultado de um amplo entendimento construído entre governo, oposição e setor produtivo e estabelece uma base para ampliar o processamento mineral, a inovação e a participação brasileira nas cadeias internacionais.

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    Cade/ reprodução — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Ele representa o melhor consenso político possível”, afirmou Cesário. Segundo ele, a nova política mantém o Brasil aberto ao investimento produtivo ao mesmo tempo em que acompanha medidas adotadas por países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e integrantes da União Europeia.

    Para o presidente do Ibram, um dos principais avanços está na criação de mecanismos para estimular o chamado adensamento das cadeias minerais , com incentivos à pesquisa, ao processamento e à transformação dos recursos dentro do país.

    “Há várias políticas de adensamento de cadeia, o que é, para a mineração, uma enorme novidade”, disse.

    Na imagem há o neodímio, um dos elementos mineirais presentes nas terras raras brasileiras
    Na imagem há o neodímio, um dos elementos mineirais presentes nas terras raras brasileiras — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O projeto de lei também prevê instrumentos de financiamento e incentivos para projetos considerados estratégicos. Entre eles estão o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com aporte previsto de R$ 2 bilhões da União , e a destinação de R$ 5 bilhões para iniciativas de beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos.

    “O fundo garantidor que está sendo criado muda o nível do jogo, especialmente para os projetos pré-operacionais que têm muita dificuldade de captar recursos no Brasil.”

    Na avaliação de Cesário, o fundo poderá ser especialmente importante para projetos em fase pré-operacional, que enfrentam dificuldades para obter financiamento devido ao risco e à dificuldade de utilização das reservas minerais como garantia.

    A FIEMG defende ainda a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no conselho
    A FIEMG defende ainda a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no conselho — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Além dos mecanismos previstos no projeto, o setor cita outras iniciativas recentes, como uma linha de financiamento do BNDES voltada ao adensamento de cadeias minerais e um edital da Finep de R$ 2 bilhões para pesquisa e desenvolvimento.

    Apesar da avaliação positiva, o Ibram afirma que a aprovação é apenas uma etapa. A entidade pretende apresentar sugestões ao governo durante a regulamentação da nova política, principalmente para garantir previsibilidade e segurança jurídica.

    A preocupação está relacionada ao longo prazo necessário para a maturação dos empreendimentos minerais. Segundo Cesário, depois da descoberta de uma reserva, um projeto pode levar, em média, 17,2 anos para avançar até sua implantação.

    terras raras
    terras raras — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Nada acontece com menos de 10 anos na mineração”, afirmou.

    Em Minas Gerais, a Fiemg também avaliou que a nova política pode abrir espaço para ampliar a competitividade brasileira e agregar valor aos recursos minerais. A entidade, porém, defende ajustes durante a regulamentação para evitar que novas exigências acabem desestimulando investimentos.

    Um dos principais pontos de preocupação é o Conselho Nacional de Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce). Para a Federação, as atribuições previstas para o colegiado são amplas e podem gerar elevado grau de subjetividade na tomada de decisões.

    Relator, Eduardo Braga destacou a importância dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento do setor no Brasil
    Relator, Eduardo Braga destacou a importância dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento do setor no Brasil — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A Fiemg defende ainda a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no conselho, de modo a garantir a presença do setor produtivo nas discussões sobre políticas que terão impacto direto sobre a cadeia industrial.

    Outro alerta envolve a exigência de destinação da produção ao mercado interno para que determinados projetos tenham acesso ao Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos. Na avaliação da entidade, a regra pode gerar insegurança para empresas que também dependem da inserção no mercado internacional.

    A Federação também questiona a criação de um bônus de assinatura para a União no momento da obtenção do título minerário. Para a Fiemg, a cobrança representa um custo adicional para uma atividade que já está submetida a tributos, compensações, exigências ambientais e outros encargos.

    A entidade defende que a política seja capaz de ampliar a produção e, ao mesmo tempo, preservar a competitividade internacional dos empreendimentos brasileiros.

    Minas Gerais tem papel central nessa estratégia . O estado reúne projetos e reservas relevantes de minerais considerados estratégicos e também possui estrutura dedicada ao desenvolvimento tecnológico das terras raras.

    A Fiemg mantém, em Lagoa Santa, o único laboratório de terras raras do Hemisfério Sul , voltado à pesquisa, caracterização e desenvolvimento de tecnologias relacionadas a esses elementos. O espaço reforça a capacidade mineira de atuar não apenas na extração, mas também em etapas de maior valor agregado.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou a aprovação do projeto pelo Senado e classificou a nova política como uma pauta “essencial” para o país diante do crescimento da demanda mundial por minerais utilizados em tecnologias estratégicas.

    Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que a medida poderá criar condições para que o Brasil avance no domínio de toda a cadeia, desde a extração até a manufatura e a exportação.

    “Com isso, vamos gerar riquezas e empregos de qualidade em nosso país”, declarou o presidente. O projeto aprovado é o PL 2.780/2024, de autoria do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG). Como o Senado aprovou o texto sem alterações de mérito, a proposta não precisará retornar à Câmara e seguirá para sanção presidencial.

    A política estabelece definições para minerais críticos e estratégicos, cria mecanismos de financiamento e incentivos e estabelece regras de rastreabilidade, pesquisa, inovação e processamento em território nacional.

    Também está prevista a criação de um cadastro nacional de projetos e do Certificado Mineral de Baixo Carbono. As áreas consideradas de potencial estratégico poderão ter prioridade em leilões da Agência Nacional de Mineração (ANM).

    Para o relator do projeto no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), os minerais críticos ocupam uma posição central em outras cadeias produtivas e eventuais interrupções no fornecimento podem afetar setores considerados estratégicos para a economia brasileira.

    A expectativa agora se concentra na regulamentação da política. Para o Ibram, será nessa etapa que o governo deverá definir critérios e procedimentos capazes de conciliar os objetivos de soberania e industrialização com a necessidade de manter o país atrativo para investidores.

    Segundo Pablo Cesário, o Brasil precisará continuar sinalizando ao mercado que permanece aberto ao capital produtivo. Ele ressalta que grande parte dos investimentos necessários para o desenvolvimento da mineração brasileira tem origem estrangeira.

    “Brasil continua aberto a investimento produtivo” e a prioridade do setor deve ser a “previsibilidade e segurança jurídica”, afirmou.

    A aprovação ocorre em um momento de crescente disputa internacional por minerais utilizados em veículos elétricos, baterias, equipamentos de geração de energia, eletrônicos e tecnologias de defesa. Para o setor, transformar as reservas brasileiras em produtos de maior valor agregado será o principal desafio dos próximos anos.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/terras-raras-nova-politica-aprovada-no-senado-divide-opinioes-do-setor.

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