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    Terras indígenas respondem por 1,7% do desmatamento na Amazônia, diz Imazon

    Dados mostram que quase 60% desses territórios não tiveram registro de derrubada entre agosto de 2025 e julho de 2026

    CNN Brasil
    31 de agosto de 2026 às 18:48
    Terras indígenas respondem por 1,7% do desmatamento na Amazônia, diz Imazon
    Foto: CNN Brasil

    As terras indígenas responderam por apenas 1,7% do desmatamento registrado na Amazônia nos últimos 12 meses, mesmo ocupando cerca de 23% da área da região. Os dados são do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados nesta semana.

    Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram derrubados 2.702 km² de floresta, dos quais 46,96 km² estavam dentro de territórios indígenas. O levantamento considera o chamado “calendário do desmatamento”, período que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte e é utilizado pelos sistemas de monitoramento da Amazônia.

    Na comparação com o calendário anterior, quando foram destruídos 3.503 km² de floresta, houve uma redução de 23% no desmatamento. Segundo o Imazon, foi a menor área desmatada dos últimos 11 calendários, ou seja, em mais de uma década.

    Terras indígenas e unidades de conservação funcionam como barreiras ao avanço do desmatamento • Daisy Feio/ Imazon · • Daisy Feio/ Imazon
    Terras indígenas e unidades de conservação funcionam como barreiras ao avanço do desmatamento • Daisy Feio/ Imazon · • Daisy Feio/ Imazon — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As terras indígenas tiveram um dos melhores resultados entre as diferentes categorias de território analisadas.

    Quase 60% delas não registraram nenhum desmatamento no período.

    Entre os 40% que tiveram alguma área de floresta derrubada, somente 11 territórios registraram mais de 1 km² de desmatamento, área equivalente a aproximadamente 100 campos de futebol. Entre as terras indígenas com maior área desmatada, a Cachoeira Seca, no Pará, aparece na primeira posição, com 4,44 km².

    Nordeste é a região proporcionalmente mais afetada pelo desmatamento
    Nordeste é a região proporcionalmente mais afetada pelo desmatamento — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Na sequência estão Andirá-Marau, entre Amazonas e Pará, com 2,83 km²; Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, com 2,53 km²; e Sete de Setembro, entre Rondônia e Mato Grosso, com 2,48 km². A Terra Indígena Trincheira/Bacajá, no Pará, registrou 2,16 km².

    As unidades de conservação também apresentaram uma participação relativamente baixa no desmatamento total da Amazônia. Foram 239,76 km² de floresta derrubada, o equivalente a 9% do total. Em 63% dessas áreas não houve registro de desmatamento no período.

    Apesar disso, algumas unidades seguem sob forte pressão. É o caso da Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, que sozinha concentrou 38% de todo o desmatamento registrado em unidades de conservação da Amazônia, com 90,87 km² de floresta derrubada.

    Amazônia registra menor nível de desmatamento desde 2016
    Amazônia registra menor nível de desmatamento desde 2016 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para a pesquisadora Raíssa Ferreira, do Imazon, o avanço da derrubada na região não é recente e exige tanto ações para impedir novos desmatamentos quanto medidas de recuperação das áreas já destruídas.

    Mesmo com a redução geral, o Pará continua sendo o estado com maior área desmatada na Amazônia. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram 818 km², uma redução de 30% em relação ao calendário anterior.

    Na sequência aparecem Mato Grosso, com 565 km², e Amazonas, com 495 km². Juntos, os três estados concentraram 70% de todo o desmatamento registrado na Amazônia no período.

    Amazonas tem maior número de terras indígenas sob pressão do desmatamento
    Amazonas tem maior número de terras indígenas sob pressão do desmatamento — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O resultado, no entanto, não foi uniforme entre os estados. Enquanto Pará, Mato Grosso e Amazonas tiveram redução, Roraima registrou aumento de 30%, passando de 201 km² para 262 km². O Maranhão também teve alta, de 17%, chegando a 122 km².

    Segundo Manoela Athaide, pesquisadora do Imazon, os estados que concentram as maiores áreas de floresta precisam manter ações permanentes de fiscalização e responsabilização de quem pratica desmatamento ilegal.

    Análise: Desmatamento já virou custo para o comércio brasileiro | LIVE CNN

    Amazonas tem maior número de terras indígenas sob pressão do desmatamento
    Amazonas tem maior número de terras indígenas sob pressão do desmatamento — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Além do desmatamento, o estudo analisou a degradação florestal, que ocorre quando a floresta é danificada por atividades como queimadas e exploração madeireira, mas não necessariamente é completamente retirada.

    Nesse caso, a redução foi ainda maior: 93%. A área degradada caiu de 35.229 km², entre agosto de 2024 e julho de 2025, para 2.577 km² no último calendário, o menor índice desde 2023.

    Somente em julho, a área degradada passou de 502 km² em 2025 para 107 km² em 2026, uma redução de 79%. Apesar dos resultados positivos no acumulado do período, o Imazon chama atenção para a necessidade de manter a fiscalização e a proteção dos territórios.

    Amazônia registra menor nível de desmatamento desde 2016
    Amazônia registra menor nível de desmatamento desde 2016 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O instituto destaca que terras indígenas e unidades de conservação funcionam como barreiras ao avanço do desmatamento e têm papel importante na conservação da biodiversidade e na manutenção das chuvas.

    Nordeste é a região proporcionalmente mais afetada pelo desmatamento
    Nordeste é a região proporcionalmente mais afetada pelo desmatamento — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Análise: Desmatamento já virou custo para o comércio brasileiro | LIVE CNN — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/norte/am/terras-indigenas-respondem-por-17-do-desmatamento-na-amazonia-diz-imazon/.

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