Brasil

    Terceiro primeiro

    São 70 edições de Campeonato Brasileiro, considerando as unificações, e só duas vezes um estrangeiro foi artilheiro

    UOL
    4 de setembro de 2026 às 03:00
    Terceiro primeiro
    Jogador de futebol com uniforme preto e detalhes vermelhos, braços abertos, olhando para o lado em estádio durante partida noturna. Ele é o colombiano Kevin Viveros — Foto: UOL

    Luís Curro fala sobre as seleções, clubes, competições e jogadores do esporte mais popular do planeta

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    O polonês Lewandowski, então no Bayern de Munique, com o troféu de artilheiro do Campeonato Alemão, ganho por ele sete vezes - Gunter Schiffmann - 14.mai.2016/AFP · Gunter Schiffmann - 14.mai.2016/AFP
    O polonês Lewandowski, então no Bayern de Munique, com o troféu de artilheiro do Campeonato Alemão, ganho por ele sete vezes - Gunter Schiffmann - 14.mai.2016/AFP · Gunter Schiffmann - 14.mai.2016/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Quão difícil é um estrangeiro ser artilheiro de um campeonato? Nas principais ligas europeias, bem pouco.

    Na Inglaterra, a badaladíssima Premier League teve em suas cinco mais recentes edições um goleador gringo –em três delas, o norueguês Haaland (Manchester City), algoz do Brasil na Copa do Mundo, ficou no topo.

    Na Espanha, a última vez que um espanhol esteve no comando da artilharia ao término de La Liga ocorreu na temporada 2007/2008 (Dani Güiza, do Mallorca, hoje com 46 anos). Faz tanto tempo que La Roja nem Copa do Mundo tinha ganhado ainda –hoje é bicampeã.

    Observado por Serginho Chulapa, Pedro Rocha, artilheiro do Brasileiro de 1972, tenta superar goleiro do XV de Piracicaba em partida pelo São Paulo - 24.abr.1977/Folhapress · 24.abr.1977/Folhapress
    Observado por Serginho Chulapa, Pedro Rocha, artilheiro do Brasileiro de 1972, tenta superar goleiro do XV de Piracicaba em partida pelo São Paulo - 24.abr.1977/Folhapress · 24.abr.1977/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na Alemanha, 13 das 15 últimas Bundeligas coroaram um não alemão como rei dos gols. O polonês Robert Lewandowski , atualmente no futebol dos EUA, faturou o troféu que tem forma de canhão sete vezes nesse período.

    Número de campeonatos neste século em que artilharia foi estrangeira

    No Brasil, entretanto, a resposta é esta: dificílimo. Escassíssimo. Beira o excepcional, o extraordinário.

    O colombiano Viveros, 17 gols no Campeonato Brasileiro até agora, comemora ao marcar contra o Santos no estádio Urbano Caldeira (Vila Belmiro) - Thiago Bernardes - 9.ago.2026/Reuters · Thiago Bernardes - 9.ago.2026/Reuters
    O colombiano Viveros, 17 gols no Campeonato Brasileiro até agora, comemora ao marcar contra o Santos no estádio Urbano Caldeira (Vila Belmiro) - Thiago Bernardes - 9.ago.2026/Reuters · Thiago Bernardes - 9.ago.2026/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Considerando as unificações feitas pela CBF, que deu status de Campeonato Brasileiro a torneios – o primeiro deles em 1937 – muitíssimo diferentes do que se iniciou em 1971, são 70 as edições realizadas. Em somente duas, um estrangeiro terminou campeão da artilharia.

    Na primeira delas, em 1972, ele nem foi o goleador isolado. O craque uruguaio Pedro Rocha (1942-2013) , ídolo do São Paulo , meia-atacante apelidado El Verdugo (O Carrasco), marcou 17 gols no Brasileiro de 1972, o mesmo que Dario, o Dadá Maravilha, pelo Atlético-MG.

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    Germán Cano, artilheiro do Brasil em 2023
    Germán Cano, artilheiro do Brasil em 2023 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Então houve um hiato de 50 anos até que outro estrangeiro ocupasse o posto mais alto da artilharia do Brasileirão. O centroavante argentino Germán Cano (El Matador) , pelo Fluminense , balançou as redes 26 vezes, mais do que qualquer outro jogador, em 2022.

    Apesar dos esforços de Luisito Suárez (uruguaio), em 2023, Vegetti (argentino), em 2024, e De Arrascaeta (uruguaio), em 2025, nessas edições o goleador-mor voltou a ser um brasileiro.

    Agora, contudo, com o campeonato se encaminhando para o terço final, um forte candidato desponta rumo à consagração artilheira.

    Jogador do Bayern de Munique veste camisa vermelha e calção branco, segurando troféu em forma de canhão com uma mão e levantando o polegar da outra, em campo de grama verde. Ele é Robert Lewandowski.
    Jogador do Bayern de Munique veste camisa vermelha e calção branco, segurando troféu em forma de canhão com uma mão e levantando o polegar da outra, em campo de grama verde. Ele é Robert Lewandowski. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O colombiano Kevin Viveros, do Athletico-PR, lidera a corrida pelo Troféu Roberto Dinamite, nomeado em homenagem ao ícone vascaíno ( morto em 2023 , em decorrência de um câncer), que acumula o maior número de gols na história do Brasileiro (190).

    Viveros, 26, excluído da Copa do Mundo por opção do treinador da Colômbia, tendo de ver de longe o ataque estéril de seu país, está com 17 gols. Atuou em 24 dos 25 jogos do Athletico no campeonato.

    Seu único adversário firme no páreo é o também centroavante Pedro, 29, de outro rubro-negro, o Flamengo . Anotou 15 gols nas 25 partidas do time carioca. Esteve em todas elas.

    Goleiro mergulha à esquerda para defender chute de jogador com uniforme branco e faixa horizontal escura. Outro jogador com uniforme semelhante observa a jogada. Arquibancada cheia de espectadores ao fundo.
    Goleiro mergulha à esquerda para defender chute de jogador com uniforme branco e faixa horizontal escura. Outro jogador com uniforme semelhante observa a jogada. Arquibancada cheia de espectadores ao fundo. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Duas vezes, em 70 edições, um estrangeiro foi artilheiro do Brasileiro

    Caso Viveros se mantenha à frente até o dia 2 de dezembro, data de encerramento do campeonato, será lembrado eternamente como o "terceiro primeiro" quando o tema for estrangeiro artilheiro do Brasileiro.

    A conferir se consegue e, conseguindo, se será ou não com recorde. O número de gols de Pedro Rocha o colombiano atingiu. Está a nove de Cano .

    E no feminino? Teve estrangeira artilheira do Brasileiro, que é disputado de forma contínua há apenas 13 anos, depois de existir de 1997 a 2001? Uma vez. Em 2017, com 18 gols, a argentina Florencia Soledad Jaimes ajudou o Santos a erguer sua única taça.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/blogs/o-mundo-e-uma-bola/2026/09/terceiro-primeiro.shtml.

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    O polonês Lewandowski, então no Bayern de Munique, com o troféu de artilheiro do Campeonato Alemão, ganho por ele sete vezes - Gunter Schiffmann - 14.mai.2016/AFP · Gunter Schiffmann - 14.mai.2016/AFP — Foto: UOL

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