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    Teoria e prática na reforma do BC argentino

    Proposta por Javier Milei , a reforma da Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina (BCRA) busca enfrentar o gigantesco atraso institucional da autoridade monetária do país, ao centrar sua missão no controle inflacionário e impedi-la de financiar os gastos públicos com emissão de moeda. Leia mais (08/13/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    14 de agosto de 2026 às 01:00
    Teoria e prática na reforma do BC argentino
    Nove pessoas sentadas em sala ornamentada com tapete vermelho, espelhos dourados e busto branco ao fundo. Homem central atrás de mesa grande de madeira com detalhes dourados, flanqueado por bandeira da Argentina e guardas em uniforme cerimo — Foto: Folha de S.Paulo

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    Javier Milei e sua equipe de governo durante anúncio da proposta de reforma do banco central argentino - Presidência da Argentina - 30.jul.26/ via AFP · Presidência da Argentina - 30.jul.26/ via AFP
    Javier Milei e sua equipe de governo durante anúncio da proposta de reforma do banco central argentino - Presidência da Argentina - 30.jul.26/ via AFP · Presidência da Argentina - 30.jul.26/ via AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Proposta por Javier Milei , a reforma da Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina (BCRA) busca enfrentar o gigantesco atraso institucional da autoridade monetária do país, ao centrar sua missão no controle inflacionário e impedi-la de financiar os gastos públicos com emissão de moeda.

    Para uma economia que ainda não conseguiu superar o descontrole inflacionário vivido até 2023, tal agenda deveria ser óbvia. A rigor, o financiamento do governo pelo BCRA foi abandonado pela atual gestão, mas jamais o Legislativo fixou a norma em lei —e a experiência argentina indica que nada há de improvável em uma recaída futura.

    Haverá decerto celeuma em torno da exclusão do compromisso do órgão com o crescimento econômico, mas segue-se aí a prática internacional. Está mais que demonstrada a inutilidade de tentar estimular a expansão do PIB com juros abaixo do necessário para conter a inflação . Tal estratégia gera efeitos de curto prazo e malefícios duradouros, sobretudo para os mais pobres.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mais paradoxal é que, enquanto propõe diretrizes básicas para a atuação do BCRA, o governo Milei leva a autoridade monetária a relaxar seus controles sobre a circulação de pesos , além de promover uma desvalorização gradual do câmbio —nos dois casos como meios de fomentar a atividade.

    Tal desconexão entre o discurso e a prática governamental sugere a disposição da Casa Rosada de estimular a economia, mesmo ao custo de alta da inflação, até as eleições presidenciais de 2027.

    Igualmente, debilita a premissa da reforma de fortalecer a autonomia do Banco Central e das autoridades que o conduzem, ao torná-las vulneráveis às orientações do Ministério da Economia.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não há dúvidas de que o financiamento do BCRA aos gastos públicos, observado nos períodos de populismo peronista, está entre as causas fundamentais da disparada de preços vivenciada no período pré-Milei.

    Nesse sentido, o duríssimo programa de redução de despesas promovido, não sem sacrifícios sociais, pelo mandatário ultraliberal teve papel central na redução rápida e expressiva da inflação, ainda elevadíssima —de 211,4% em 2023 para 33,5% nos 12 meses encerrados em junho.

    Com uma taxa estimada em 29,8% para este ano por analistas de mercado, segundo o Informe de Política Monetária do BCRA, e previsão oficial de crescimento do PIB de 2,7%, a Argentina permanece longe do equilíbrio macroeconômico. O fortalecimento das normas monetárias e fiscais será um processo longo e incerto.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/teoria-e-pratica-na-reforma-do-bc-argentino.shtml.

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    Javier Milei e sua equipe de governo durante anúncio da proposta de reforma do banco central argentino - Presidência da Argentina - 30.jul.26/ via AFP · Presidência da Argentina - 30.jul.26/ via AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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