'Tem petróleo, mas não sabemos quanto', diz presidente da Petrobras sobre descoberta na Foz do Amazonas
A presidente da Petrobras , Magda Chambriard, confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. Leia mais (08/17/2026 - 17h31)

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A presidente da Petrobras , Magda Chambriard, confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.

"Tem petróleo e descoberta, a gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui", disse a executiva, em um evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar de confirmar a presença de petróleo na região, Chambriard explicou que a exploração do poço deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias.
"Hoje nós produzimos 80% do petróleo do Brasil do pré-sal. Esse pré-sal vai ter um pico de produção mais ou menos em torno de 2034, 2035 e, a partir daí, nós precisamos repor reservas para que a gente não perca a posição de um dos dez maiores produtores de petróleo do planeta", afirmou.

Na semana passada, a empresa havia identificado a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá, a partir de perfis elétricos e indicativos nas rochas.
O processo de licenciamento do poço Morpho foi marcado por controvérsias , incluindo recomendação da área técnica do Ibama pelo arquivamento do processo.
A licença foi concedida em outubro de 2025, sob pressão do presidente Lula, às vésperas da COP30 em Belém , o que gerou críticas de organizações ambientalistas presentes ao evento, que apontam contradição com alertas científicos sobre redução do uso de combustíveis fósseis.

"Quando durante a COP demos autorização para que a Petrobras pudesse fazer a pesquisa, prometi que iria trazer a Janja ao Amapá para que ela conhecesse o que é uma sonda."
"Era preciso que eu viesse aqui para provar algumas coisas. Primeiro, não é possível imaginar que uma empresa de petróleo possa sobreviver sem pesquisar e isso significa fazer investimento sem ter a certeza de um resultado. Foi comprovado que deu certo e vão fazer novas pesquisas, com novas tecnologias e materiais", disse o presidente.
Lula também relembrou a história da Petrobras e sobre críticas no passado de que o Brasil não tinha petróleo para explorar. "Muita gente do Brasil tem complexo de vira-lata. Eu gosto muito de vira-latas, mas eu falo das pessoas que não se respeitam, que não gostam de fazer esforço." O presidente também criticou governos anteriores por desinvestimentos na Petrobras.

"Isto aqui é o passaporte para o futuro do país", disse o presidente, segurando um frasco com amostra de óleo. "Não estou negando a minha luta para que a gente não precise usar combustível fóssil."
"Vamos continuar cuidando do meio ambiente, 87% desse estado é reserva e 97% deste território está com reservas praticamente intocáveis. Eu sujei a mão com o pré-sal e agora com este, este parecia que já estava refinado", disse Lula.
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Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, disse que se trata de uma descoberta histórica.
"O Brasil dá um passo importantíssimo para garantir a sua soberania energética. Nenhum brasileiro pode abrir mão de sua soberania e de suas riquezas naturais para combater miséria e garantir desenvolvimento", disse.
"O mundo inteiro sempre se conflagrou em disputas, e o Brasil demonstra com mais essa conquista que é um país que tem tudo para ser o país do desenvolvimento, da soberania e da inclusão."

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil -AP) disse que estava presente "na condição de presidente do Senado e de amapaense, que sonhou que esse dia era possível".
"É preciso que a gente reconheça aqueles que enfrentaram causas que muitas vezes foram contestadas e criticadas, não só por brasileiros que não compreendem a importância de termos soberania energética no nosso país, como aqueles de outros países que insistem em tutelar."
A descoberta, que ainda não é comercial, pode ser um avanço na busca por reposição de reservas à medida que o pré-sal se aproxima do pico de produção, previsto para 2034-2035.

O poço está a cerca de 175 km da costa do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros, no bloco FZA-M-59, onde a Petrobras é operadora com 100% de participação. O bloco foi adquirido pela estatal na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob regime de concessão.
A região é vista pela Petrobras, pelo governo e por petroleiras privadas como principal fronteira para novas descobertas no país , ajudando a compensar o declínio futuro do pré-sal.
O IBP, que representa companhias como Petrobras, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e Equinor, avaliou que a descoberta reforça as perspectivas do Brasil para produção de petróleo e gás e a segurança energética nacional.

O interesse na área também foi impulsionado por descobertas na Guiana, região com características geológicas similares.
O governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil), agradeceu a Lula. "Enquanto muitos estão cultivando um país bipolarizado, nós, de diferentes matizes políticos, damos exemplo de uma união que constrói e que supera diferenças."
"Fui questionado por uma licença ambiental dez dias antes da COP, mas disse que o presidente Lula estava certo, que seríamos acusados de uma fraude se a licença fosse concedida depois."

O governo defende a exploração como forma de aproveitar as riquezas do subsolo brasileiro; na própria COP, Lula propôs, sem êxito, medidas para reduzir o consumo de fósseis.
A Petrobras já solicitou ao Ibama autorização para perfurar mais três poços na mesma área (PAD-Morpho, Manga e Crotalus), pedido que segue em análise, com o órgão solicitando mais dados, sem opor-se até o momento à extensão da exploração. A perfuração desses poços adicionais dependerá dos resultados obtidos no Morpho.
A estatal registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no trimestre mais recente, alta de 97% ante igual período do ano anterior, o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2022.

O resultado foi impulsionado pela alta do petróleo (Brent médio de US$ 104, alta de 54,1%) após a guerra no Irã e por recorde de produção (3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 14%).
A empresa anunciou distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos, dos quais R$ 6,2 bilhões cabem ao governo federal, acionista majoritário.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/tem-petroleo-mas-nao-sabemos-quanto-diz-presidente-da-petrobras-sobre-descoberta-na-foz-do-amazonas.shtml.

O presidente Lula ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard - Douglas Magno - 20.mar.26/AFP · Douglas Magno - 20.mar.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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