TCU arquiva caso de térmicas da Eneva, mas deixa aberta nova negociação
Vital do Rêgo arquivou processo após rejeição da Aneel, mas destacou os envolvidos podem dar seguimento autônomo às tratativas administrativas em busca do interesse público e da segurança do setor elétrico

O TCU (Tribunal de Contas da União) encerrou nesta quarta-feira (30) a tentativa de acordo sobre os contratos de quatro termelétricas da Eneva , mas deixou aberta a possibilidade de novas negociações administrativas entre os envolvidos. Em despacho, o presidente da corte, ministro Vital do Rêgo , determinou o arquivamento do processo por falta de consenso, após a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) rejeitar a proposta de flexibilização da geração das usinas.
Ao encerrar o procedimento, Vital ressaltou que as análises e os debates realizados durante a negociação reuniram informações que podem embasar a continuidade das tratativas pelos órgãos e entidades competentes, no exercício de suas atribuições.
Segundo o ministro, esse trabalho fornece bases para que os envolvidos possam, “caso entendam oportuno e conveniente — dar seguimento autônomo a tratativas administrativas em busca da melhor tutela do interesse público e da segurança do setor elétrico”.

O despacho também registra que o TCU não examinou o mérito da proposta final apresentada pela Eneva . As unidades técnicas participantes não chegaram a decidir sobre os benefícios, a legalidade, a adequação ou a suficiência dos termos, porque não houve consenso entre as partes externas à corte.
A negociação foi solicitada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira , e conduzida pela Comissão de Solução Consensual do TCU. O objetivo era reduzir a chamada inflexibilidade das térmicas , ou seja, obrigação contratual de gerar determinados volumes de energia mesmo sem o sistema precisar, para ampliar a liberdade do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) de definir quando acioná-las.
A proposta abrangia as usinas Maranhão III, também identificada como Parnaíba II, MC2 Nova Venécia 2, ou Parnaíba VI, e Azulão II e Azulão IV , localizadas no Maranhão e no Amazonas.
A mudança buscava adaptar os contratos à expansão da geração solar e eólica. Em períodos de sobra de energia, a produção obrigatória das térmicas pode contribuir para os cortes de geração renovável, conhecidos como “ curtailment ”. Com a flexibilização, as usinas permaneceriam disponíveis para atender às necessidades do sistema, com menor geração compulsória.
O MME (Ministério de Minas e Energia) defendia a alteração com base em estudos que apontavam economia de R$ 1,7 bilhão para os consumidores do mercado regulado até 2030 , além de ganhos operativos e redução dos cortes de renováveis.
A diretoria da Aneel, porém, rejeitou a proposta por três votos a dois, em reunião administrativa de 21 de setembro, e decidiu manter os contratos inalterados. O diretor-geral, Sandoval Feitosa , defendeu análises mais abrangentes dos efeitos da mudança, com proteção também para outros consumidores e agentes afetados.
Vital destacou no despacho que a Aneel é signatária necessária dos instrumentos contratuais das usinas. Sem a adesão voluntária da agência, afirmou, “não há proposta de solução consensual que possa ser submetida à deliberação do Plenário deste TCU”. Por isso, a comissão arquivou o processo.
Além do arquivamento, Vital determinou a retirada do sigilo do processo e de todas as suas peças . A possibilidade de novas tratativas já havia sido apontada pelo CanalEnergia , que apontou que a eventual reformulação da negociação continuava no horizonte de interlocutores do governo.
Em entrevista à CNN publicada na quarta-feira (30), o presidente da Eneva, Lino Cançado , afirmou que a companhia aguardava a manifestação final do TCU, que seria devolvida ao MME.
Há precedente de acordo administrativo posterior ao arquivamento de uma negociação na corte. Em abril de 2024, o TCU encerrou, sem análise de mérito, o processo de solução consensual sobre usinas da Âmbar Energia, do grupo J&F , contratadas no leilão emergencial de 2021. Na ocasião, não houve a unanimidade exigida entre os integrantes da comissão.
“ O arquivamento não implica a vedação da possibilidade de se assinar um termo de compromisso no futuro ”, afirmou à época o relator, ministro Benjamin Zymler.
Depois daquela decisão, a AGU (Advocacia-Geral da União) autorizou a celebração de um acordo. A Aneel validou as novas minutas em 20 de maio de 2024, e o termo de autocomposição foi assinado no dia seguinte, conforme documentação da reguladora.
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/tcu-arquiva-caso-de-termicas-da-eneva-mas-deixa-aberta-nova-negociacao/.

Usina térmica da Eneva, no maranhão • Eneva · • Eneva — Foto: CNN Brasil
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