Tatá Werneck detalha estreia como autora: "Não farei novela tradicional"
Atriz, apresentadora e agora autora, Tatá Werneck revela como pretende fugir do formato tradicional

Tatá Werneck construiu uma carreira marcada pelo humor, pelo improviso e por personagens que se tornaram parte da memória afetiva do público. Mas, em Quem Ama Cuida , a atriz decidiu caminhar por um território diferente.
Na pele de Brigitte, personagem complexa, marcada por um transtorno, por sentimentos contraditórios e pela rejeição da mãe, Pilar [Isabel Teixeira], Tatá precisou deixar a comédia em segundo plano e mergulhar em uma história de dor e abandono.
A mudança, no entanto, não aconteceu sem estranhamento. Acostumado a associá-la ao humor, o público inicialmente teve dificuldade para compreender que a ausência de comicidade era justamente uma escolha da atriz. Ao mesmo tempo, a repercussão do papel fez Tatá receber elogios por mostrar uma faceta diferente de seu trabalho.

Em conversa com a Coluna Fábia Oliveira, Tatá falou sobre os desafios de interpretar Brigitte, a emoção que levou para casa depois de algumas cenas e a vontade de exercitar seu lado dramático.
A atriz também comentou o sucesso do Edu & Tatá, projeto que, segundo ela, resgata a essência do que fazia antes de chegar à Globo, e revelou detalhes do próximo passo da carreira: a novela que está escrevendo, prevista para ir ao ar às 23h e que, segundo Tatá, não seguirá o formato tradicional do gênero.
A Brigitte surpreendeu muita gente justamente por fugir do humor, marca tão forte da sua carreira. Como foi, para você, encontrar o tom dessa personagem e evitar que ela fosse vista apenas como um alívio cômico?

“Desde o começo, quis fugir da comédia. Algumas pessoas acham que ponho comédia onde não tem, mas, na verdade, eu tirava a comédia onde tinha, até as pessoas entenderem minha personagem. Sabia que não seria uma personagem de entendimento imediato, porque ela tem muita complexidade de sentimentos e atitudes, por vezes, contraditórias.”
Depois que a novela estreou, você fez questão de explicar nas redes sociais que a Brigitte não é uma personagem engraçada, mas alguém marcada por um transtorno e por uma dor muito profunda. Em algum momento você sentiu que precisava proteger essa mensagem para que o público entendesse melhor a história?
“As pessoas me associam à minha persona física porque me conhecem muito. Então, elas assistiam e demoraram a entender que não era comédia. Achavam que eu não estava conseguindo fazer, e não que era proposital. Minha personagem tem um transtorno e um sofrimento, não poderia tratar de maneira leviana. Algumas pessoas diziam: “Isso não é comédia”, e, de fato, não era. Mas eu sei que é o que esperam de mim. Então, às vezes, é preciso ser didático.”

Apesar de a Brigitte provocar sentimentos contraditórios, muita gente tem elogiado sua atuação e dito que esse é um dos trabalhos mais diferentes da sua carreira. Como tem recebido esse retorno e o que mais chamou sua atenção nas reações do público?
“Fico feliz porque estão vendo um outro lado meu. Em Terra e Paixão também fiz cenas dramáticas, mas era uma construção de personagem de comédia. Nessa novela, é o contrário. Comédia e drama têm tempos muito diferentes. Estou gostando de exercitar o outro lado.”
Existe alguma cena ou aspecto da Brigitte que exigiu mais de você como atriz e que talvez o público nem imagine quando assiste à novela?

“Eu não gosto de fazer nada pela metade. Acabo me entregando demais e não desconecto rápido. Em alguns momentos, me pegava chorando em casa pensando nessa relação dela com a mãe e no sofrimento dessa menina rejeitada e infantil, que busca, na fase adulta, resgatar o que não teve quando era criança.” 5 imagens Fechar modal. 1 de 5 Tatá Werneck como Brigitte em Quem Ama Cuida
Brigitte, personagem de Tata Werneck em Quem Ama Cuida
O Edu & Tatá vem sendo apontado por muitos espectadores como um programa que resgata um tipo de humor irreverente que marcou a televisão nos anos 2000. Como tem sido enxergar essa identificação do público com o projeto e o que vocês acreditam que despertou essa sensação?

“Quando fomos quase desafiados a criar um programa tão rápido e em pouco tempo, combinamos que deveríamos estar sem a proteção que a TV dá. Resgatar o que fazíamos antes de entrar na Globo. E, no fundo, o Edu & Tatá é a minha essência. É o que mais gosto de fazer. Queríamos nos divertir e estarmos vulneráveis. E acho que isso despertou a memória afetiva de quem via MTV e Pânico. Improvisamos, tivemos que nos virar, e estava ali, escancarado, que não estávamos defendidos.”
Você já mostrou muitas facetas ao longo da carreira, da comédia ao talk show e agora mergulhando em um papel mais dramático. Depois da Brigitte, sente que abriu uma nova porta para personagens que talvez o público ainda nem imaginasse ver você interpretar?
“Eu adoraria fazer uma série dramática. Mas não é o caminho que pretendo seguir. Amo fazer o que costumo fazer e posso, vez ou outra, fazer personagens mais dramáticos. Mas eu amo comédia. A comédia me deu tudo que tenho e tenho muito orgulho.”

Você construiu uma carreira sendo reconhecida pelo improviso e pelo humor, mas agora dá um passo importante como autora de novela. Existe algo que você sempre sentiu falta de ver nas tramas da TV e que gostaria de levar para esse primeiro projeto?


Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/fabia-oliveira/tata-werneck-detalha-estreia-como-autora-nao-farei-novela-tradicional.

Reprodução/redes sociais. — Foto: Metrópoles
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