Tarcísio reeleito
Pela lógica política convencional, um governador do estado mais populoso e economicamente poderoso do país é candidato em potencial à Presidência da República -ainda mais um reeleito em primeiro turno sem sobressaltos, caso de Tarcísio de Freitas (Republicanos) neste domingo (4). Leia mais (10/04/2026 - 22h00)

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Pela lógica política convencional, um governador do estado mais populoso e economicamente poderoso do país é candidato em potencial à Presidência da República —ainda mais um reeleito em primeiro turno sem sobressaltos, caso de Tarcísio de Freitas (Republicanos) neste domingo (4).
A situação do carioca que recebeu mais de 60% dos votos válidos em São Paulo , contudo, é peculiar. Ele teve a chance de disputar o Palácio do Planalto já neste ano, cortejado do centro à direita para se lançar como alternativa a Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ). Recusou a missão para não desafiar o padrinho político, Jair Bolsonaro ( PL ), que lançou o filho Flávio.
Em seu primeiro mandato, Tarcísio tentou se equilibrar entre mostras de moderação e de fidelidade ao bolsonarismo. Não se prestou a pregações golpistas, a questionamento das urnas eletrônicas nem a ataques a instituições ou à imprensa. Abraçou, porém, a causa infame da anistia ao ex-presidente condenado por tentar subverter a democracia.

Em seus piores momentos na administração, fez avançar bandeiras reacionárias como as escolas cívico-militares —baseadas na ilusão de que a disciplina fardada adotada em estabelecimentos que selecionam seus alunos poderá melhorar o aprendizado em larga escala na rede de ensino.
Foi criticado pela truculência da polícia estadual e pela relutância em apoiar a política de câmeras corporais. Soube ceder: passou a apoiar as câmeras e mudou a cúpula da Secretaria de Segurança Pública, o que teve efeito ao menos simbólico.
Sua gestão é bem avaliada pelos paulistas. Segundo o Datafolha , 47% a consideram boa ou ótima , ante 21% que a reprovam como ruim ou péssima. O governador do Republicanos soube preservar uma espécie de estabilidade conservadora no estado que remonta à longa hegemonia anterior do PSDB, iniciada em 1995.

Berço do PT, São Paulo nunca elegeu um governador da legenda, rejeitada sobretudo no interior —e não foi diferente com Fernando Haddad , ex-prefeito da capital que disputou novamente o Bandeirantes para dar um palanque a Lula. Em 2022, chegou ao menos ao segundo turno contra Tarcísio. Ambos são especulados como presidenciáveis em 2030.
O futuro do vitorioso na eleição estadual parece hoje mais sujeito a variáveis, a começar pelo desempenho de Flávio na eleição presidencial. Mais do que não ter firmado uma marca de governo, Tarcísio ainda não tem uma clara identidade política. Seu segundo mandato tende a ser esclarecedor nesse sentido.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/tarcisio-reeleito.shtml.

Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo - Adriano Vizoni - 16.ago.26/Folhapress · Adriano Vizoni - 16.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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