“Tarcísio perdeu o comando da segurança pública”, diz Haddad
Candidato do PT diz que crime organizado atua além de São Paulo e defende maior participação da União no combate às facções

Candidato do PT diz que crime organizado atua além de São Paulo e defende maior participação da União no combate às facções
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad , afirmou nesta 2ª feira (31.ago.2026) que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) “ perdeu o comando ” da segurança pública do Estado. Em entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura , o petista criticou a gestão das polícias, sua estrutura tecnológica e a atuação do governo contra o crime organizado.
“Sinceramente, o Tarcísio perdeu o comando da atuação na segurança pública ”, declarou. Haddad citou casos recentes envolvendo policiais, como suspeitas de estupro de menor, roubo de cargas e buscas e apreensões em 3 delegacias, e afirmou que não houve resposta adequada da cúpula da segurança.

São Paulo tem 180 unidades prisionais e 230.590 detentos, segundo dados da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) atualizados em 19 de agosto. A população carcerária cresceu 4,05% em relação ao fim de 2025.
Haddad também afirmou que as promessas feitas por Tarcísio às polícias Civil e Militar não foram cumpridas e disse que a tecnologia usada pelo Estado está “totalmente defasada” . Segundo ele, o programa Muralha Paulista “não deu em nada” .
A principal proposta apresentada por Haddad para o setor é a criação de um gabinete antifacção, comandado pelo governador e integrado pelas polícias Civil, Militar e Penal, além da Polícia Federal, Receita Federal e dos Ministérios Públicos estadual e federal.
“Hoje, a cooperação não é a regra, a cooperação é a exceção. Se nós integrarmos as forças, se nós organizarmos o Estado para combater o crime organizado, o crime organizado não pode conosco” , afirmou.
O petista citou a Operação Carbono Oculto como modelo de integração e disse que ações conjuntas entre os órgãos deveriam se tornar regra. Também defendeu o compartilhamento de informações da Receita e do Coaf para rastrear movimentações financeiras ligadas às facções.
Haddad afirmou que o enfrentamento ao PCC (Primeiro Comando da Capital) precisa considerar a atuação da facção fora de São Paulo e até do Brasil.
“ Um dos erros do governador atual é que ele ainda pensa com uma cabeça pequena, como se o crime tivesse acontecido aqui no território. Ele não compreende as interconexões do PCC fora de São Paulo e no mundo” , disse.
O candidato declarou apoio à PEC 18 de 2025 , a PEC da Segurança Pública, e defendeu o fortalecimento da Polícia Federal. A proposta enviada pelo governo Lula amplia a coordenação da União sobre o Susp (Sistema Único de Segurança Pública) e determina maior integração entre União, Estados e municípios.
Questionado sobre a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, Haddad disse considerar mais importante a forma de combate às facções.
“Como é que você vai chamar? Máfia, organização terrorista, facção. O importante é como você vai trabalhar o combate” , declarou.
Para o petista, terrorismo pressupõe uma dimensão ideológica diferente da atuação de grupos voltados à obtenção e à lavagem de recursos. “O fato é o seguinte: é crime organizado, precisa ser combatido. Ponto” , disse.
Haddad afirmou que a impunidade é o principal problema da segurança pública brasileira e disse que São Paulo vive uma situação “grave”.
O candidato citou roubos de carga, extorsões e sequestros e afirmou que a insegurança também afeta o interior. Relatou o caso de um produtor rural que teve 4 tratores roubados em um único dia. “A insegurança gera custo para o Brasil, e são altos” , disse.
Dados da SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo) registram 1.193 vítimas de homicídio doloso de janeiro a junho de 2026.
Haddad também disse que a gestão Tarcísio é desorganiza a cadeia de comando da Polícia Militar. Segundo ele, integrantes experientes da corporação foram aposentados por critérios de “compadrio”.
“Houve uma desorganização da cadeia de comando em São Paulo muito grave” , afirmou. Disse ainda ter ouvido de coronéis que a reconstrução dessa estrutura levará tempo.
Apesar das críticas, Haddad afirmou que pretende manter interlocução direta com as corporações e disse que quer tratar policiais como os demais profissionais do serviço público.
O candidato defendeu ainda o fortalecimento da Controladoria-Geral do Estado e das corregedorias para impedir a infiltração do crime organizado na máquina pública.
“ Você não tem uma controladoria forte. Você não tem corregedoria forte. Você não dá autonomia para a pessoa trabalhar” , afirmou. Para Haddad, a falta de mecanismos internos de controle pode contribuir para a deterioração das próprias corporações.
Ao resumir o diagnóstico, disse que São Paulo precisa de um “freio de arrumação ” na segurança pública para evitar uma “ perda completa de governança ” sobre o setor.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/tarcisio-perdeu-o-comando-da-seguranca-publica-diz-haddad/.

Candidato defendeu ainda o fortalecimento da Controladoria-Geral do Estado e das corregedorias para impedir a infiltração do crime organizado na máquina pública — Foto: Poder360
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