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    Talibã aprofunda repressão e apaga mulheres da vida pública no Afeganistão

    O Talibã retomou o controle do Afeganistão há cinco anos , voltando ao poder após duas décadas e restabelecendo um regime islâmico que havia restringido de forma severa os direitos das mulheres . Leia mais (08/18/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 02:00
    Talibã aprofunda repressão e apaga mulheres da vida pública no Afeganistão
    Mercado movimentado ao ar livre com várias barracas cobertas por guarda-sóis vermelhos. Pessoas vestindo roupas tradicionais, incluindo duas mulheres com burcas azuis no centro. Frutas, como romãs, são exibidas em cestos na frente. Prédios — Foto: Folha de S.Paulo

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    O Talibã retomou o controle do Afeganistão há cinco anos , voltando ao poder após duas décadas e restabelecendo um regime islâmico que havia restringido de forma severa os direitos das mulheres .

    Vendedores e compradores conversam em um mercado de Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 11.nov.25/The New York Times · Tomas Munita - 11.nov.25/The New York Times
    Vendedores e compradores conversam em um mercado de Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 11.nov.25/The New York Times · Tomas Munita - 11.nov.25/The New York Times — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nos últimos anos, mulheres e meninas foram sistematicamente apagadas da maior parte da vida pública, segundo especialistas. E as limitações impostas à metade da população podem comprometer o Afeganistão por muitas décadas.

    As duras medidas representam um retorno às condições que prevaleceram da última vez em que o Talibã controlou o Afeganistão, no fim da década de 1990.

    Mais de 160 decretos contra os direitos delas foram emitidos, impedindo-as de cursar o ensino médio e superior e restringindo seu trabalho, sua circulação, suas vestimentas, sua fala e seu poder de decisão.

    Conheça Habib Aseel e Yama Shahab, afegãos que fugiram do Talibã e lutam para retomar carreira no Brasil
    Conheça Habib Aseel e Yama Shahab, afegãos que fugiram do Talibã e lutam para retomar carreira no Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Nenhum outro país, nos tempos modernos, desmantelou de forma tão ampla os direitos de metade de sua população por meio de leis, políticas e práticas", escreveu em nota a agência da ONU para as mulheres. "Ao mesmo tempo, crises humanitárias e econômicas sobrepostas, além do agravamento da pobreza, também vêm afetando de maneira desproporcional mulheres e meninas."

    Muitas mulheres afirmam que suas comunidades as pressionam, cada vez mais, a se adequar às regras impostas pelo regime, segundo um novo relatório da ONU Mulheres. "Meia década de restrições crescentes reduziu os lugares aonde as mulheres afegãs podem ir, o que podem fazer e como podem viver", apontou o documento. "Os resultados são alarmantes."

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    Afeganistão um ano após a volta do Talibã ao poder
    Afeganistão um ano após a volta do Talibã ao poder — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A agência entrevistou cerca de 5.000 afegãos em comunidades rurais e urbanas ao longo do ano passado e no primeiro semestre deste ano, perguntando a mulheres e homens sobre a vida sob o Talibã. Houve algumas semelhanças nas respostas dos dois gêneros —mas também diferenças acentuadas.

    Muitos afegãos entrevistados manifestaram decepção com os rumos que suas vidas tomaram nos últimos anos. Ainda assim, as mulheres relataram níveis de isolamento e sofrimento que sugerem uma crise crescente de saúde mental, segundo o relatório da ONU.

    Mais da metade dos homens entrevistados —cerca de 55%— afirmou que sua vida estava pior do que esperava antes de agosto de 2021, em comparação com 65% das mulheres que expressaram sentimento semelhante. Mas as razões apresentadas foram radicalmente diferentes.

    Um membro das forças de segurança do Talibã fazendo vigia na cidade de Kandahar, no Afeganistão - Sanaullah Seiam - 13.ago.26/AFP · Sanaullah Seiam - 13.ago.26/AFP
    Um membro das forças de segurança do Talibã fazendo vigia na cidade de Kandahar, no Afeganistão - Sanaullah Seiam - 13.ago.26/AFP · Sanaullah Seiam - 13.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os homens entrevistados relataram frustração com a falta de oportunidades econômicas, enquanto muitas mulheres também atribuíram sua insatisfação à redução do acesso à educação , para si mesmas ou para seus filhos, e às regras que restringem o trabalho e a vida como um todo.

    "Ao impedir o acesso à educação e a muitas formas de trabalho, essas restrições agravam as pressões econômicas já sentidas pela maioria das mulheres", indicou o relatório da ONU, ressaltando o "profundo impacto pessoal" que a situação exerce sobre elas.

    Muitas relataram aumento do estresse, da preocupação e da pressão, algo "condizente com indícios mais amplos de deterioração da saúde mental", acrescentou o documento.

    Homem com turbante preto e colete escuro sentado atrás de uma mesa com metralhadora apoiada em tripé. Fundo mostra parede branca e vegetação à noite.
    Homem com turbante preto e colete escuro sentado atrás de uma mesa com metralhadora apoiada em tripé. Fundo mostra parede branca e vegetação à noite. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O relatório destaca o isolamento que muitas mulheres afegãs enfrentam atualmente em consequência das restrições. A grande maioria das entrevistadas —90%— afirmou precisar da permissão de um homem da família para sair de casa. E mais da metade disse sair apenas uma ou duas vezes por mês. Entre os homens entrevistados, mais de 95% relataram sair de casa diariamente.

    O cumprimento das novas regras do Talibã por mulheres e meninas é cada vez mais reforçado pelas pessoas ao redor delas, incluindo parentes e vizinhos.

    O relatório da ONU observou que quase 40% das mulheres entrevistadas neste ano afirmaram sentir mais pressão do que antes para adaptar seu comportamento por medo de que conhecidos as denunciem devido a vestimentas, falas ou atitudes consideradas inadequadas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O Talibã ampliou o controle estatal para o interior da esfera privada ao transformar normas patriarcais em obrigações legais e recrutar as famílias para impor sua ideologia", escreveu Belquis Ahmadi, advogada de direitos humanos e especialista em Afeganistão, anteriormente vinculada ao Instituto da Paz dos Estados Unidos , em um relatório recente sobre o regime do Talibã.

    Especialistas em direitos humanos afirmam que a crise enfrentada pelas mulheres no Afeganistão atingiu um ponto crítico. O país é o único do mundo a proibir formalmente o acesso de meninas e mulheres à educação após o ensino primário.

    Quanto mais tempo elas permanecerem excluídas das escolas, das instituições e da vida pública, mais arraigado se tornará o sistema restritivo, maior será sua defasagem e menos referências existirão, tornando cada vez mais improvável sua recuperação e comprometendo as perspectivas de longo prazo.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "À medida que uma nova geração de meninas cresce sem acesso à educação, seu futuro se torna cada vez mais sombrio", escreveu a Unesco em comunicado no qual pediu a plena restauração do direito à educação para meninas e mulheres afegãs.

    Ahmadi escreveu em sua análise: "Por trás de cada decreto do Talibã há uma história humana: uma universitária guardando seus livros, uma professora afastada da profissão que ama, uma juíza forçada a se esconder, uma médica impedida de atender pacientes, uma empreendedora fechando seu negócio ou uma menina perguntando aos pais por qual motivo não pode mais aprender enquanto seu irmão vai livremente à escola."

    Ela defende que a comunidade internacional deve se manifestar em defesa daqueles que foram silenciados.

    "O maior perigo que o Afeganistão enfrenta hoje não é apenas o fato de 20 milhões de mulheres e meninas estarem sendo sistematicamente apagadas da vida pública", escreveu Ahmadi. "É o fato de o mundo estar, aos poucos, aprendendo a conviver com isso."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/taliba-aprofunda-repressao-e-apaga-mulheres-da-vida-publica-no-afeganistao.shtml.

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    Vendedores e compradores conversam em um mercado de Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 11.nov.25/The New York Times · Tomas Munita - 11.nov.25/The New York Times — Foto: Folha de S.Paulo

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