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    SUS cria Política de Saúde Quilombola, e agora?

    Após anos de mobilização das organizações quilombolas, o SUS (Sistema Único de Saúde ) passou a contar com a inédita Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola, a PNASQ/SUS, pactuada na última reunião da Comissão Intergestores Tripartite. Leia mais (09/18/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    18 de setembro de 2026 às 11:00
    SUS cria Política de Saúde Quilombola, e agora?
    Grupo de quilombolas segura faixa branca com texto em azul: 'Quilombolas do Brasil na defesa do SUS e do aquilombamento da saúde'. Pessoas vestem roupas coloridas e estão em ambiente urbano sob estrutura de concreto. — Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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    Novo modelo de atenção busca fomentar o respeito aos saberes e às práticas tradicionais de cuidado para quilombolas - Acervo Conaq · Acervo Conaq
    Novo modelo de atenção busca fomentar o respeito aos saberes e às práticas tradicionais de cuidado para quilombolas - Acervo Conaq · Acervo Conaq — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quilombola da Lagoa de Maria Clemência (BA), é membro do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola e autor de 'Aquilombar a saúde, contracolonizar as lutas'

    Após anos de mobilização das organizações quilombolas, o SUS (Sistema Único de Saúde ) passou a contar com a inédita Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola, a PNASQ/SUS, pactuada na última reunião da Comissão Intergestores Tripartite.

    Os próximos passos são a definição de indicadores de monitoramento e avaliação, bem como instrumentos de implementação da política junto aos estados e aos cerca de 1.700 municípios que contam com presença quilombola no Brasil.

    O que o Censo 2022 revela sobre os quilombolas do Brasil
    O que o Censo 2022 revela sobre os quilombolas do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo o Censo Quilombola do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2022, a população quilombola corresponde a cerca de 1 milhão e 300 mil pessoas, presentes em 8 mil localidades em todas as regiões do Brasil.

    Em 2025, os dados do primeiro boletim de saúde quilombola produzido pela Fiocruz, em parceria com a Conaq (Coordenação Nacional de Quilombos) e a UFBA (Universidade Federal da Bahia) revelaram altas taxas de mortalidade por causas evitáveis como desnutrição, doenças diarreicas, homicídios relacionados a conflitos socioambientais, além de causas mal definidas, revelando dificuldades de acesso a diagnósticos e tratamentos em serviços de saúde.

    Desde a pandemia da Covid-19 se acirraram as desigualdades sociais e sanitárias nos quilombos , período em que a Conaq protocolou junto ao Supremo Tribunal Federal a ADPF 742/2021 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) que determinou ao Governo Federal a vacinação.

    SUS (Sistema Único de Saúde) passou a contar com a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola - Acervo Conaq · Acervo Conaq
    SUS (Sistema Único de Saúde) passou a contar com a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola - Acervo Conaq · Acervo Conaq — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Então se intensificaram as mobilizações da população quilombola em torno da criação da política de saúde e de um novo modelo de atenção que fomentasse o respeito aos saberes e práticas tradicionais de cuidado em saúde quilombola, buscando a melhoria nos indicadores e o combate às barreiras de acesso ao SUS.

    Nos anos seguintes, o processo de formulação da PNASQ/SUS se estendeu com a contribuição de pesquisadores, movimentos sociais e gestores do sistema de saúde. A política pretende enfrentar o racismo institucional e organizar as Redes de Atenção à Saúde de modo a considerar as especificidades culturais, sanitárias e étnico-raciais desse grupo populacional na atenção à saúde.

    O documento ressalta a importância de se avançar na formação de profissionais de saúde capazes de atuar junto a esses territórios, além de buscar ampliar o acesso de quilombolas a APS (Atenção Primária à Saúde), principal porta de entrada do SUS.

    Cento e cinquenta pessoas posam para foto em auditório com cadeiras vazias à frente. Grupo segura faixas coloridas e está diante de painel com texto e imagens relacionadas a agricultura familiar.
    Cento e cinquenta pessoas posam para foto em auditório com cadeiras vazias à frente. Grupo segura faixas coloridas e está diante de painel com texto e imagens relacionadas a agricultura familiar. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nesse sentido, se faz primordial aperfeiçoar os mecanismos de cofinanciamento das equipes de saúde da família quilombola (eSFQ), regulamentadas na Portaria GM/MS n.º 9.572/2025, incorporando saberes e práticas tradicionais, em diálogo com os saberes acadêmicos nos serviços do SUS.

    Outros desafios importantes se expressam na necessidade de curricularização da saúde quilombola nos processos de educação na saúde, bem como o avanço no dimensionamento, atração, fixação e provimento de força de trabalho da saúde nos quilombos, a exemplo do Programa Mais Médicos.

    A PNASQ/SUS representa um avanço civilizatório para a promoção de reparação histórica, justiça social e garantia dos direitos sociais quilombolas, reconhecidos na Constituição Federal.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Contudo, a história de baixa implementação das políticas de equidade do SUS mostra que é preciso garantir financiamento adequado, apoio institucional para estados e municípios, oferta de educação permanente para os profissionais que atuam com essas populações.

    E, ainda, a garantia da participação social em todo o ciclo da política pública, bem como a criação de estruturas de gestão interfederativa para a produção de dados, monitoramento, avaliação e implementação de ações concretas junto aos territórios.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/09/sus-cria-politica-de-saude-quilombola-e-agora.shtml.

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    Novo modelo de atenção busca fomentar o respeito aos saberes e às práticas tradicionais de cuidado para quilombolas - Acervo Conaq · Acervo Conaq — Foto: Folha de S.Paulo

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