SUS começa a migrar dados para nuvem soberana; entenda o que muda
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O Ministério da Saúde e o Serpro iniciaram, nesta terça-feira (11), o planejamento para migrar sistemas e dados estratégicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma infraestrutura de nuvem soberana. A primeira etapa do processo envolve duas estruturas consideradas essenciais para a saúde digital do país: o Cadastro Nacional de Usuários do SUS (CadSUS) e a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).
A migração não será feita de uma só vez. Nesta fase inicial, as equipes do DataSUS e do Serpro vão consolidar o modelo de trabalho, atualizar o inventário dos ambientes, revisar a arquitetura atual, mapear os requisitos da futura infraestrutura e concluir o desenho da arquitetura que receberá os sistemas.
Depois dessa etapa, os ambientes serão transferidos progressivamente, levando em consideração as características e os requisitos técnicos de cada sistema ou carga de trabalho. Entre os critérios estão continuidade operacional, segurança da informação, integridade dos dados e características da arquitetura utilizada.

Segundo o Serpro, a infraestrutura de nuvem soberana faz parte da Nuvem de Dados Brasil e estabelece requisitos relacionados à localização das informações, controle de acesso, auditoria e jurisdição. Nos ambientes destinados à nuvem soberana, os dados serão armazenados em território nacional e ficarão submetidos à legislação brasileira.
“O papel do Serpro nessa jornada é oferecer infraestrutura, arquitetura, consultoria técnica e conectividade para que os dados críticos e sensíveis dos cidadãos brasileiros processados no âmbito do Ministério da Saúde permaneçam em ambiente nacional, com controle, auditoria e jurisdição aplicáveis: atributos técnicos que competem a uma empresa pública federal como o Serpro”, explicou o presidente da estatal de TI, Wilton Mota.
A infraestrutura também prevê recursos de processamento e armazenamento, bancos de dados, segurança, monitoramento, backup e recuperação de desastres.

Para Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, a estratégia gradual é fundamental para validar cada etapa antes de ampliar a migração.
“Essa jornada não é apenas tecnológica, ela é estratégica. Estamos realizando uma convergência arquitetural faseada, começando pelos dados, produzindo evidências, validando cada etapa e somente depois avançando para a próxima”, detalhou.
A mudança acontece na infraestrutura tecnológica que sustenta os serviços digitais de saúde e, segundo o Ministério da Saúde, não altera a maneira como a população acessa esses serviços.

A adoção da arquitetura em nuvem permite ampliar recursos de escalabilidade, resiliência e disponibilidade, além de mecanismos de backup e recuperação de dados. Esses recursos são considerados importantes diante do crescimento do volume de informações e da utilização dos sistemas digitais do SUS.
A segurança deverá ser aplicada ao longo de todo o processo. Como os dados de saúde são classificados pela LGPD como dados pessoais sensíveis, a arquitetura prevista contempla mecanismos, como criptografia, autenticação multifator, gestão de identidades, controle de acessos, monitoramento, auditoria, backup e recuperação de dados.
As regras de acesso e de tratamento das informações dos cidadãos continuam submetidas à legislação vigente.

O processo será conduzido conjuntamente pelo DataSUS e pelo Serpro. O órgão do Ministério da Saúde concentra o conhecimento sobre os sistemas, processos e requisitos dos ambientes digitais da área, enquanto a estatal fornecerá infraestrutura, arquitetura e serviços técnicos necessários para a migração e a operação dos ambientes.
A participação do Serpro inclui ainda recursos de processamento e armazenamento, redes, conectividade segura, monitoramento e suporte técnico à migração. O modelo busca combinar o conhecimento do DataSUS sobre os sistemas de saúde com a capacidade da empresa pública na operação de infraestruturas críticas e serviços de computação em nuvem.
A nuvem soberana faz parte da Nuvem de Dados Brasil, estratégia do Serpro que reúne ambientes de computação em nuvem voltados à administração pública, de acordo com as necessidades de cada sistema.
A escolha do ambiente leva em conta fatores, como classificação das informações, segurança, localização dos dados, jurisdição, continuidade operacional e capacidade de auditoria.
A primeira etapa da migração envolve duas bases fundamentais para o funcionamento da saúde digital brasileira.
A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) é a plataforma de interoperabilidade do Ministério da Saúde responsável por conectar sistemas públicos e privados e permitir o compartilhamento padronizado e seguro de informações. Segundo dados divulgados pela pasta, a rede reúne atualmente mais de cinco bilhões de registros de saúde .
Já o Cadastro Nacional de Usuários do SUS (CadSUS) funciona como a base nacional de identificação dos usuários do sistema público de saúde. A estrutura permite integrar informações utilizadas por diferentes sistemas e serviços e está relacionada à geração e à gestão do número do Cartão Nacional de Saúde.
O cadastro também contribui para vincular os usuários aos registros existentes nos diferentes pontos da rede de atendimento.
Com a migração, o governo pretende manter esses dados estratégicos em infraestrutura localizada no Brasil e submetida à legislação nacional, enquanto a transferência dos ambientes será realizada gradualmente, com validações técnicas e foco em segurança, continuidade e integridade das informações.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/12/pro/sus-comeca-a-migrar-dados-para-nuvem-soberana-entenda-o-que-muda/.

Recursos são considerados importantes diante do crescimento do volume de informações e da utilização dos sistemas digitais do SUS – Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil — Foto: Olhar Digital
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