Supremo evoca rotina de desfaçatez
Os ministros aposentados que em abaixo-assinado pediram ao presidente Edson Fachin manifestação rigorosa e transparente sobre as suspeições que assombram o Supremo Tribunal Federal ( STF ) pertenceram a outros tempos da corte. Leia mais (09/10/2026 - 15h19)

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Os ministros aposentados que em abaixo-assinado pediram ao presidente Edson Fachin manifestação rigorosa e transparente sobre as suspeições que assombram o Supremo Tribunal Federal ( STF ) pertenceram a outros tempos da corte.

Tempos em que as indicações não eram pautadas pela fidelidade ao presidente da República e magistrados não se conduziam ao sabor de proximidades estratégicas, alianças táticas e afinidades políticas com atores da vida pública e personagens do mundo privado —devedores, como qualquer cidadão, de obediência aos ditames da Justiça.
Tempos que ficaram para trás, perdidos no desprezo à colegialidade e substituídos por um individualismo transmutado em coleguismo nos piores momentos. Época em que magistrados não se viam como mestres do Universo.
O que se mostrou como hesitação de Fachin, até que ele chamasse a si a responsabilidade de estabelecer a ordem no tribunal, era a referência de um presidente do STF que ainda se pautava pelos critérios do tempo antigo.

A realidade mostrou que cautela, discrição, racionalidade, ponderação e avaliação das consequências antes de ceder à precipitação não são atributos que se coadunam com as urgências dos novos tempos.
O termo "tempos estranhos" ao qual se referiu o então ministro Marco Aurélio Mello , em 2006, ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) no ambiente conturbado do escândalo do mensalão , pode ser replicado à inimaginável situação em que aquelas palavras se aplicariam à corte suprema.
"A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter limites, numa mistura de escárnio e afronta", disse ele no memorável discurso que se revelou premonitório. Primeiro, pela ideia de que juízes teriam um papel a encarnar além da guarda da Constituição; depois, por condutas pessoais permeáveis a companhias e ambientes impróprios ao exercício da nobilíssima função.
Óbvio que não estão acima da lei da qual são guardiões. Indispensável atenção da cidadania a que estejam também, e sobretudo, acima de qualquer suspeita.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/09/supremo-evoca-rotina-de-desfacatez.shtml.

O ex-ministro do Supremo Marco Aurélio Mello - Carlos Moura/SCO/STF · Carlos Moura/SCO/STF — Foto: Folha de S.Paulo
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