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    Supremo em crise é perigo para a democracia

    Está nas mãos de dez pessoas o destino da nossa democracia. São os ministros do Supremo Tribunal Federal ( STF ), dos quais depende hoje o resgate da credibilidade da corte à qual servem e à qual compete -nada mais, nada menos!- garantir que o país funcione dentro da ordem constitucional. Leia mais (09/09/2026 - 18h21)

    Folha de S.Paulo
    9 de setembro de 2026 às 21:21
    Supremo em crise é perigo para a democracia
    Dois homens vestidos com ternos escuros, camisas brancas, gravatas e capas pretas caminham lado a lado em um corredor com parede de pedra clara. À direita, parte da bandeira do Brasil está visível. — Foto: Folha de S.Paulo

    Professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, é pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap)

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    André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão do STF - Antonio Augusto/STF · Antonio Augusto/STF
    André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão do STF - Antonio Augusto/STF · Antonio Augusto/STF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Está nas mãos de dez pessoas o destino da nossa democracia. São os ministros do Supremo Tribunal Federal ( STF ), dos quais depende hoje o resgate da credibilidade da corte à qual servem e à qual compete —nada mais, nada menos!— garantir que o país funcione dentro da ordem constitucional.

    Tribunais constitucionais são a pedra de toque das democracias: não podem exercer a função se envolvidos em suspeitas e descrédito.

    Isso parece mais ideal do que real. Mas real —e imediato— é o perigo. Basta um exemplo: é quase certo que as eleições presidenciais produzirão um resultado apertado, dando margem a contestações, fundadas ou não. Se isso ocorrer, a defesa do respeito às regras eleitorais e às instituições que as protegem encontrará um frágil dique de contenção judicial, dada a inegável deterioração da imagem do STF e, por tabela, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A crise que está levando à deslegitimação da corte tem causas imediatas, contingentes, e outras, mais remotas. De imediato, existem as denúncias de relações impróprias dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Daniel Vorcaro , o corruptor da República. Some-se a isso a possível tentativa do encarregado do inquérito do Banco Master , o ministro André Mendonça , de beneficiar o candidato presidencial do bolsonarismo, mediante vazamentos seletivos de informações.

    A sensação é a de que a política invadiu —e agora divide abertamente— um tribunal formado por juízes sensíveis às tentações do poder e pouco dispostos a renunciar aos privilégios associados a seus cargos.

    O desarranjo presente tem, porém, raízes mais profundas, alimentadas por escolhas institucionais e estratégias políticas que concorreram para o crescimento do poder da corte e para colocá-la no epicentro das disputas políticas.

    De um lado, a Constituição de 1988 concentrou no STF amplo leque de atribuições: controlar a constitucionalidade de leis e atos públicos; proteger direito fundamentais; resolver conflitos institucionais; julgar recursos sobre matéria constitucional; processar ocupantes de altos postos.

    De outro lado, autoridades, partidos e organizações da sociedade civil, com maior frequência que o recomendável, delegaram a 11 brasileiros a decisão sobre conflitos que os sem-toga foram incapazes de resolver por meio da negociação política.

    Enfim, à medida que aumentou o raio de ação da corte, presidentes da República privilegiaram critérios de confiança pessoal e afinidade política na indicação dos ministros. O pano de fundo desse processo de degradação institucional é a alta tolerância das elites e lideranças nacionais à corrupção política e aos privilégios associados às posições de mando nos três Poderes.

    Males diferentes pedem remédios diferentes. Um arsenal de propostas visa devolver ao Supremo a credibilidade perdida: da fixação de um código de conduta a reformas mais amplas na duração do mandato dos ministros e nas atribuições do tribunal. De imediato, porém, precisa ser contido o suspeito de utilizar poder do cargo para favorecer seu candidato preferido. Comprovadas as denúncias, ministros acusados de corrupção não podem continuar em seus postos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/maria-herminia-tavares/2026/09/supremo-em-crise-e-perigo-para-a-democracia.shtml.

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    André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão do STF - Antonio Augusto/STF · Antonio Augusto/STF — Foto: Folha de S.Paulo

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