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    Supremo dos EUA autoriza execução de mulher no Tennessee após suspensão de última hora

    A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta quarta-feira (30) que a execução de Christa Pike, no Tennessee -condenada pelo assassinato de uma colega de classe em 1995- pode prosseguir, revogando uma suspensão imposta por um tribunal de instância inferior no início do dia. Leia mais (09/30/2026 - 22h03)

    Folha de S.Paulo
    1 de outubro de 2026 às 01:03
    Supremo dos EUA autoriza execução de mulher no Tennessee após suspensão de última hora
    Mulher de cabelos castanhos presos, vestindo roupa vermelha, está em tribunal. Ao fundo, dois policiais uniformizados observam a cena. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta quarta-feira (30) que a execução de Christa Pike, no Tennessee —condenada pelo assassinato de uma colega de classe em 1995— pode prosseguir, revogando uma suspensão imposta por um tribunal de instância inferior no início do dia.

    Christa Pike, condenada à pena de morte no Tennessee, durante sessão na corte criminal do estado - J. Miles Cary - 4.dez.07/Knoxville News Sentinel/via Reuters · J. Miles Cary - 4.dez.07/Knoxville News Sentinel/via Reuters
    Christa Pike, condenada à pena de morte no Tennessee, durante sessão na corte criminal do estado - J. Miles Cary - 4.dez.07/Knoxville News Sentinel/via Reuters · J. Miles Cary - 4.dez.07/Knoxville News Sentinel/via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A decisão encerrou um dia de incerteza jurídica, que começou pouco antes do horário inicialmente previsto para a execução, marcada para as 10h desta quarta em Nashville (12h no horário de Brasília). Um painel dividido do 6º Tribunal de Apelações dos EUA afirmou que a suspensão era necessária para analisar um recurso de última hora apresentado por sua equipe de advogados, que argumentou que a defesa em seu julgamento inicial não havia levado em consideração seu histórico de abuso sexual e negligência na infância.

    O gabinete de Jonathan Skrmetti, procurador-geral do Tennessee, rapidamente recorreu diretamente à mais alta instância judicial do país, classificando a questão como uma "questão técnica" e prometendo "defender a sentença imposta legalmente".

    A maioria conservadora da Suprema Corte abriu caminho para a execução na noite desta quarta, mas não explicou sua decisão. Com isso, a injeção letal pode ocorrer a qualquer momento, segundo a equipe de defesa de Pike.

    Projeto Inocência: o homem que ajuda a libertar condenados no corredor da morte
    Projeto Inocência: o homem que ajuda a libertar condenados no corredor da morte — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As três juízas liberais da corte discordaram, com a magistrada Sonia Sotomayor escrevendo que a maioria "impede desnecessariamente" que o tribunal inferior considere plenamente o argumento de Pike.

    "Não vejo motivo para contornar o processo ordinário de revisão em segunda instância, especialmente à luz das graves consequências de uma decisão errônea", escreveu Sotomayor. Ela foi acompanhada pelas juízas Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson. Sotomayor acrescentou que "o desejo do Tennessee de antecipar a execução de Pike em alguns dias ou até semanas não pode se sobrepor" ao interesse de Pike em proteger sua própria vida.

    Pike, 50, está prestes a se tornar a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Seus advogados montaram uma campanha intensa em seus últimos dias, alertando que o protocolo de injeção letal do estado seria uma forma de tortura, dado seu histórico de trauma sexual, e questionando se ela havia recebido uma defesa jurídica completa.

    Christa Pike, que está desde os anos 1990 sentenciada a pena de morte por um assassinato no Tennessee - Reprodução/Departamento de Administração Penitenciária do Tennessee · Reprodução/Departamento de Administração Penitenciária do Tennesse
    Christa Pike, que está desde os anos 1990 sentenciada a pena de morte por um assassinato no Tennessee - Reprodução/Departamento de Administração Penitenciária do Tennessee · Reprodução/Departamento de Administração Penitenciária do Tennesse — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    "A execução da sra. Pike mancharia o sistema de justiça e minaria a confiança do público em sua integridade", escreveram seus advogados em um documento apresentado ao tribunal nesta quarta.

    Mas a Suprema Corte, que anteriormente havia se recusado a intervir na execução, reverteu a decisão do tribunal de primeira instância. O governador Bill Lee, do Partido Republicano , já havia negado um pedido para permitir que Pike cumprisse o restante de sua pena na prisão.

    Mulher de cabelos castanhos cacheados, com expressão neutra, posando para foto tipo ficha policial. Ela segura placa com código 'TDOC 261368' e está em frente a régua de altura que indica aproximadamente 1,65 metro.
    Mulher de cabelos castanhos cacheados, com expressão neutra, posando para foto tipo ficha policial. Ela segura placa com código 'TDOC 261368' e está em frente a régua de altura que indica aproximadamente 1,65 metro. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Repórteres e testemunhas se reuniram na Instituição de Segurança Máxima Riverbend, em Nashville. Havia crisântemos brancos e roxos expostos do lado de fora, perto de grandes cartazes de Colleen Slemmer, a estudante de 19 anos que Pike e outras duas pessoas torturaram e mataram em 1995. A família de Slemmer, firme em seu apoio à execução ao longo de três décadas, havia conseguido juntar o dinheiro necessário para viajar de carro de sua casa na Flórida.

    A decisão do tribunal de primeira instância representou, pelo menos, um breve adiamento para Pike.

    Mas a enxurrada de argumentos jurídicos de última hora prolongou ainda mais uma batalha judicial que já dura décadas sobre o caso. Única mulher no corredor da morte do Tennessee, Pike expressou remorso pelo crime cometido. Ela foi diagnosticada e tratada enquanto estava na prisão por transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático, o que, segundo seus advogados, teria contribuído para sua violência. Mulheres que estiveram presas ao lado de Pike disseram que ela era uma presença solidária e gentil.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O caso de Christa Pike mobilizou a opinião pública como poucos casos que vimos nos últimos anos", disse Robin Maher, diretora executiva do Centro de Informações sobre a Pena de Morte. Ela acrescentou que a suspensão de última hora "é uma espécie de equilíbrio na corda bamba, quando os riscos e o que está em jogo estão no seu nível mais extremo".

    Mas May Martinez, mãe de Slemmer, permaneceu inflexível: Pike não poderia expiar a morte de sua filha e deveria ser executada. Ela foi vista no pátio da prisão nesta quarta, durante o atraso que durou horas.

    Nos campos gramados do lado de fora da prisão, onde manifestantes se reuniram tanto a favor quanto contra a pena de morte, havia confusão e descrença diante da intervenção de última hora do tribunal de primeira instância. Algumas pessoas foram embora, frustradas porque mais um obstáculo jurídico havia adiado temporariamente a execução.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Estou realmente dividida", disse Michelle van Allen, 48, que veio de carro do Kentucky e ficou no lado reservado aos defensores da execução de Pike e da pena de morte. A suspensão de última hora, disse ela, estava "mexendo com as emoções das pessoas".

    Do outro lado da cerca que separava os dois lados, Veronica Stokes, 42, enxugava as lágrimas, emocionada ao falar sobre Pike e sua oposição à execução. A pausa, disse ela, "nos dá mais tempo para rezar".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/supremo-dos-eua-autoriza-execucao-de-mulher-no-tennessee-apos-suspensao-de-ultima-hora.shtml.

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    Christa Pike, condenada à pena de morte no Tennessee, durante sessão na corte criminal do estado - J. Miles Cary - 4.dez.07/Knoxville News Sentinel/via Reuters · J. Miles Cary - 4.dez.07/Knoxville News Sentinel/via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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