Superlotação deixa pacientes em corredores no Complexo Hospitalar Sul; pai pode perder o pé e mulher esperou dois dias para remover feto
Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus. Rede Amazônica Um pai que pode perder o pé depois de vinte e um dias internado. Uma mulher que esperou dois dias para receber atendimento depois de perder o bebê. Os relatos são de quem procurou o Complexo Hospitalar Sul, formado pelo Instituto da Mulher Dona Lindu e pelo Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, e diz ter encontrado corredor lotado no lugar de leito. Como não há mais leitos disponíveis, os corredores do hospital se transformaram em locais de internação. Pacientes e acompanhantes ocupam todos os espaços possíveis. Quem está no c
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Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus. — Foto: Rede Amazônica
Um pai que pode perder o pé depois de vinte e um dias internado. Uma mulher que esperou dois dias para receber atendimento depois de perder o bebê. Os relatos são de quem procurou o Complexo Hospitalar Sul, formado pelo Instituto da Mulher Dona Lindu e pelo Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, e diz ter encontrado corredor lotado no lugar de leito.
Como não há mais leitos disponíveis, os corredores do hospital se transformaram em locais de internação. Pacientes e acompanhantes ocupam todos os espaços possíveis. Quem está no corredor reclama que o atendimento não é bom.
Na enfermaria lotada, estão pacientes graves que não vão para a UTI porque não há vagas. Um deles, um homem que preferiu não se identificar, chegou no dia 10 de agosto após sofrer um infarto e ser constatado água nos pulmões e problemas nos rins.
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No início, ele ficou na sala vermelha enquanto aguardava vaga para a UTI. Segundo familiares, ao invés de ir para a UTI, ele foi para a enfermaria. E o quadro dele piorou.
- "O senhor, tá bem? Tá sendo tratado bem?"
- "Bem, bem eu não to não, que eu to aqui", responde.
A filha dele, que prefere não se identificar por temer represálias, conta como é o atendimento prestado ao pai.
"Eu lembro bem que, quando eu fui pegar o boletim do meu pai, o médico falou que ele ia permanecer na sala vermelha e que, a qualquer momento, ele poderia ir para a UTI. Eu ainda confirmei: doutor, ele vai para a UTI ainda? E ele foi bem claro: sim, ele vai, porque o quadro que ele entrou, de infarto, ele tem que ir para a UTI, é obrigatório ele ir para a UTI".
Ela revela que quando chegou em casa, no mesmo dia, recebeu a ligação de uma assistente social informando que o pai seria transferido para a enfermaria. Desde então, 21 dias já se passaram. A falta de cuidados, segundo a filha, também prejudicou o pé do pai, que será amputado.
"Ele começou a piorar, o pé dele, que era só uma raspagem, né, que era para fazer. Hoje em dia, o pé dele não tem mais como salvar , entendeu? Eles deixaram o pé do meu pai chegar nessa questão que está, porque eles, tipo assim, o meu pai não estava tendo tratamento nenhum na enfermaria", disse.
Por falta de leitos, pacientes ficam nos corredores do Complexo Hospitalar Sul. — Foto: Rede Amazônica
No Instituto da Mulher Dona Lindu, que faz parte do Complexo Hospitalar, uma mulher identificada como Elaine Bentes Nogueira está com fortes dores porque perdeu o bebê de oito semanas. E, no vídeo gravado pela família na semana passada, ela estava há dois dias esperando pela equipe médica para retirar o feto.
A mãe dela, que preferiu não se identificar, deu mais detalhes sobre o que aconteceu com a filha.
"Então, o médico, o enfermeiro, sempre falava que sempre tinha casos mais graves que o da minha filha pra ir pra lá. Mulheres que chegavam já em trabalho de parto, outras que já chegavam já com bebê de 6 a 8 meses no útero já pra fazer, já falecido, né".
Na semana passada, a família de Elaine prestou queixa no Ministério Público para que ela recebesse o atendimento necessário no hospital. Depois da reclamação, o feto foi retirado e Elaine recebeu alta.
"Eu acho que foi um descaso, não só comigo, não falo só por mim, falo pelas outras pessoas que estavam lá também, entendeu. Mas comigo, com a minha filha, foi um descaso, porque se foi uma coisa rápida, de 3 horas, 4 horas só de procedimento, por que que deixaram a minha filha ficar esperando esse tempo todo? Ela entrou na terça-feira à tarde, e saiu na quinta-feira de manhã, entendeu?"
Mulher aguardou por dois dias atendimento para retirar feto. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
A Organização Social Agir Saúde assumiu a gestão do Complexo Hospitalar 28 de Agosto em dezembro de 2024. Por um contrato de cinco anos, o Governo do Amazonas se comprometeu a pagar R$ 2 bilhões.
Em 2026, a 'OS' deve receber cerca de R$ 400 milhões, desses 260 já foram pagos. Com a nova gestão, o Governo do Estado anunciou que o hospital iria oferecer mais recursos e estrutura para a população. Quem está lá, tem outra conclusão.
"E quando o pessoal fala, assim, que é um hospital matadouro, ninguém tá mentindo, entendeu? Porque realmente é, e eu tô sendo prova viva disso, porque eu tô vendo o meu pai morrer. O meu pai, ele não entrou tão ruim como ele tá agora, entendeu? E eu tô vendo o meu pai, a cada dia, se despedir da gente por culpa deles".
Em nota, o Governo do Amazonas informou que os dois pacientes citados na reportagem receberam acompanhamento contínuo das equipes de saúde.
O governo também negou que o procedimento realizado em Elaine tenha ocorrido por intervenção do Ministério Público.
Sobre as imagens do hospital, o Complexo Hospitalar 28 de Agosto informou que os locais mostrados fazem parte do fluxo do pronto-socorro e não são áreas de internação.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/09/03/superlotacao-deixa-pacientes-em-corredores-no-complexo-hospitalar-sul-pai-pode-perder-o-pe-e-mulher-esperou-dois-dias-para-remover-feto.ghtml.
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