Super El Niño aumenta de intensidade e deve dividir o Brasil entre chuva recorde e seca
Causada pelo fenômeno, probabilidade de uma ocorrência "muito forte" nos próximos meses é de 90%, mas impacto será diferentes nas regiões, aponta instituto

O evento climático El Niño já está impactando o Brasil e o cenário tende a piorar nos próximos meses, quando o fenômeno alcançará seu ápice. No entanto, os efeitos não serão os mesmos em todas as regiões do país.
Enquanto algumas áreas sofrerão com chuvas fortes , outras serão atingidas pela grande seca, segundo informações divulgadas no boletim desta quarta-feira (16) pelo Instituto ClimaInfo , organização que debate sobre mudanças do clima.
A região norte do país já predomina com calor intenso e seca. Em Roraima , por exemplo, o Serviço Geológico do Brasil vê uma chance muito pequena de recuperação do Rio Branco nos próximos meses. Em julho e agosto, choveu apenas 45% do esperado na bacia. Em diversas regiões, o rio está perto das mínimas históricas.

Segundo o Inmet, esse cenário deve permanecer no Norte e no Nordeste do país até novembro.
No Nordeste, o déficit de água no solo deve marcar 150 mm no Ceará, no centro-norte do Piauí e no oeste do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas.
Já no Sudeste, essa perspectiva muda. A chuva permanecerá acima da média em São Paulo, com temporais isolados no norte de Minas Gerais e no Espírito Santo.

Mas as atenções se voltarão ao Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, que será o mais afetado por temporais. A previsão é que o nível de água no solo gaúcho se exceda em 150 mm de água em outubro.
Uma anomalia já foi registrada na segunda-feira (14) na região central do pacífico, quando a temperatura chegou ao +2°C, após passar meses estacionado em +1,8 C . Segundo o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) a probabilidade de uma ocorrência "muito forte" nos próximos trimestres de outono/inverno no Hemisfério Norte é de 90%, quando o fenômeno atingirá 3,4 °C.
No mesmo dia em que esse episódio foi registrado, São Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, bateram recorde com um dos setembros mais chuvosos dos últimos anos. Além do recorte histórico, os temporais causaram estragos em diversas regiões do estado paulista , deixando dois mortos e uma pessoa desaparecida. A cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira, ficou completamente embaixo d'água.

O impacto também atingiu a região Sul . No Paraná, mais de 21 mil pessoas foram afetadas com fortes chuvas.
O El Niño acontece quando há um aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o que altera a circulação dos ventos e a formação das chuvas. Todo esse processo afeta o planeta, mas, no caso do Brasil, há uma variação de impactos entre as diferentes regiões do país, que vão desde excesso de chuva e alagamentos até secas intensas e falta de água nos reservatórios.
Normalmente, os ventos no Pacífico sopram de leste para oeste, ou seja, da América em direção à Oceania e à Indonésia. Isso faz com que as águas mais quentes sejam deslocadas por essas correntes de ar, mantendo as áreas próximas à América do Sul com águas mais frias.

O fenômeno altera o equilíbrio entre ventos, pressão e umidade devido ao aumento da temperatura no Oceano Pacífico. Quando isso acontece, há aumento na evaporação, os ventos ficam mais fracos e a água quente que normalmente fica próxima à Oceania se espalha, aquecendo as águas próximas à América do Sul, que são geralmente mais frias. Isso causa desequilíbrios com consequências em escala global.






Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/super-el-nino-aumenta-de-intensidade-e-deve-dividir-o-brasil-entre-chuva-recorde-e-seca/.

Aquecimento do nível do mar promovido pelo El Niño em representação de Inteligência Artificial • Gemini/Google · • Gemini/Google — Foto: CNN Brasil
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