Super El Niño aquece água, diminui comida e obriga pelicanos famintos a se aglomerarem em busca de peixes em mercados; população de aves pode sumir
Sem anchovas devido ao aquecimento das águas, voluntários alimentam aves famintas em portos e mercados de Lima, no Peru

Pelicanos peruanos famintos estão se aglomerando em portos e mercados de peixe ao longo da costa do Peru em busca de alimento , já que o aquecimento das águas, consequência do El Niño , reduz a disponibilidade de anchovas, sua principal presa. Isso levou ativistas dos direitos dos animais a intervir e alimentar as aves em Lima, no domingo (27 de setembro).
O pelicano-peruano (Pelecanus thagus), espécie endêmica do Sistema da Corrente de Humboldt, foi afetado por uma combinação de intervalos cada vez mais curtos entre eventos climáticos, como o fenômeno El Niño, e pela gripe aviária , o que, segundo cientistas, reduziu significativamente sua população.
Em um porto de Lima, a ativista Rosario Julian Mauricio passou o fim de semana distribuindo peixes para pelicanos reunidos na orla.

"Neste momento, os pelicanos estão morrendo . Continuamos encontrando pelicanos mortos dia após dia, justamente por inanição, porque não conseguem comer, não têm comida", disse Mauricio. "As anchovas estão migrando porque a água do mar está muito quente e elas precisam de água fria para viver, então precisam da nossa ajuda."
Cientistas afirmam que o aumento da temperatura dos oceanos, associado ao El Niño , perturba os ecossistemas marinhos da costa do Pacífico do Peru, empurrando as anchovas para águas mais profundas e frias e tornando-as menos acessíveis aos pelicanos.
Segundo a pesquisadora Liliana Ayala, da Universidad Cientifica del Sur, a população de pelicanos diminuiu em cerca de 40%, o equivalente a entre 40.000 e 45.000 aves, acrescentando que a situação foi agravada por um surto de gripe aviária.

"Os períodos estão sendo muito curtos; o último El Niño foi em 2024, agora é 2026, e no meio disso temos a gripe aviária, e também existem outras ameaças, o que torna a situação deste ano e do próximo crítica", disse Ayala à Reuters.
Um estudo publicado por Ayala e pela coautora Gabriela Sandoval-Lazaro no periódico Marine Ornithology Journal of Seabird Science and Conservation em 2025 constatou que a abundância de pelicanos caiu entre 31,5% e 37,6% nas áreas marinhas protegidas do Peru entre novembro de 2022 e março de 2024, um período marcado por severas condições do El Niño e pela disseminação da influenza aviária altamente patogênica A(H5N1), com a combinação dessas condições impedindo a recuperação natural da espécie.
Os pesquisadores alertaram que os impactos combinados do El Niño, das doenças zoonóticas, das mudanças climáticas e de outras ameaças levantam sérias preocupações sobre a viabilidade da espécie a longo prazo.

O pelicano-peruano é classificado como Quase Ameaçado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e está listado como "Em Perigo" no Peru. Ele também enfrenta ameaças da caça ilegal e da perturbação humana, incluindo a destruição de colônias de reprodução, segundo o estudo.










Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/super-el-nino-aquece-agua-diminui-comida-e-obriga-pelicanos-famintos-a-se-aglomerarem-em-busca-de-peixes-em-mercados-populacao-de-aves-pode-sumir/.

Pelicanos famintos se aglomerarem em busca de comida • Videosur, Gloria Lopez · • Videosur, Gloria Lopez — Foto: CNN Brasil
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