Substâncias presentes em uva, café e chá-verde favorecem a microbiota
Na mira da ciência, a microbiota intestinal é destaque em uma revisão publicada recentemente no periódico Food & Function . A análise mostra os benefícios dos polifenóis -compostos antioxidantes encontrados em frutas, café, chá-verde e outros alimentos- para o intestino , com possíveis repercussões positivas na saúde mental . Leia mais (09/02/2026 - 10h00)

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Na mira da ciência, a microbiota intestinal é destaque em uma revisão publicada recentemente no periódico Food & Function . A análise mostra os benefícios dos polifenóis —compostos antioxidantes encontrados em frutas, café, chá-verde e outros alimentos— para o intestino , com possíveis repercussões positivas na saúde mental .

"Trata-se de um dos principais grupos de compostos bioativos presentes em vegetais", destaca o engenheiro de alimentos Mario Marostica, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que realizou o trabalho em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Entre eles, estão pigmentos responsáveis pela coloração arroxeada e avermelhada de frutas como uva e jabuticaba.
A literatura científica aponta três principais mecanismos envolvidos nos benefícios. O primeiro é uma ação seletiva sobre as bactérias intestinais: por um lado, com o estímulo ao crescimento de microrganismos associados à saúde ; por outro, com a redução de linhagens potencialmente prejudiciais.
O segundo mecanismo tem relação com a produção de substâncias geradas a partir do metabolismo. Muitos polifenóis chegam praticamente intactos ao intestino grosso, onde são transformados em compostos mais facilmente absorvidos e biologicamente ativos. O terceiro, por sua vez, envolve os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), produzidos pelas próprias bactérias que ajudam a manter a barreira intestinal.

Diversos estudos indicam que essas alterações na microbiota impactam positivamente a saúde mental . É o que se chama de eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação que inclui neurotransmissores responsáveis por sensações de bem-estar, como a serotonina. Embora os polifenóis não atravessem a barreira hematoencefálica, estão envolvidos na transmissão de sinais capazes de interferir com as emoções.
A interação pode ocorrer pelo nervo vago, que liga tronco cerebral e intestino. "Esse sistema já está bem descrito e pode, futuramente, ser um dos aspectos considerados como coadjuvante no tratamento de males como a ansiedade e a depressão", comenta o nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita.
Para ele, a área tem alto potencial, e polifenóis podem atuar com medicamentos. Ainda é preciso identificar os compostos mais ativos, quantidades e perfis que podem se beneficiar.
Também chamados de compostos fenólicos, o grupo dos polifenóis reúne cerca de 8 mil integrantes, divididos em classes, de acordo com sua estrutura química. Na natureza, são classificados como metabólitos secundários, o que significa que são sintetizados pelas plantas durante seu desenvolvimento, para defendê-las em situações adversas na natureza. Protegem contra raios ultravioleta e intempéries, em tempos de seca ou de muita chuva.
No nosso organismo, também cumprem papel protetor, sendo reconhecidos pela função antioxidante . Conseguem neutralizar os radicais livres, moléculas desemparelhadas que precisam de elétrons para se estabilizar. Eles interrompem essa sequência, atenuando o estresse oxidativo e preservando as células. Estudos apontam ainda ação anti-inflamatória.
Entre as classes de polifenóis, a dos flavonoides é a maior, com mais de 5 mil substâncias catalogadas e a que dispõe de mais indícios sobre seus efeitos. Pertencem a esse grupo as antocianinas, pigmentos arroxeados e avermelhados presentes na uva, na jabuticaba, no açaí, entre outros frutos. Tem também a hesperidina e narirutina, exemplos de flavonoides encontrados nos cítricos.
Há ainda a quercetina da cebola e da maçã, o kaempferol dos brócolis e a catequina do chá-verde. O café contém outros tipos de polifenóis: os ácidos fenólicos, com destaque para o ácido cafeico. Já as frutas vermelhas oferecem o ácido gálico.
A melhor estratégia para garantir que os polifenóis façam parte do cotidiano é investir em uma alimentação rica e variada em frutas, hortaliças e demais vegetais. "Outro ponto importante é a regularidade, isso porque os efeitos dos compostos fenólicos parecem estar mais relacionados ao consumo habitual do que à ingestão esporádica e em grandes quantidades", recomenda o pesquisador da Unicamp.
E não custa enfatizar: os efeitos positivos estão atrelados a um estilo de vida saudável, que vai além do cardápio, incluindo atividade física, boas noites de sono e gerenciamento do estresse.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/09/substancias-presentes-em-uva-cafe-e-cha-verde-favorecem-a-microbiota.shtml.

Uvas em feira na praça Charles Miller, no Pacaembu, zona oeste de São Paulo - Karime Xavier/Folhapress · Karime Xavier/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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