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    Suas opiniões sobre investimentos envelheceram?

    Imagine entrar hoje em uma concessionária e pedir um Ford Escort porque deseja um dos carros mais modernos do mercado. Soaria estranho. Mas, quando chegou ao Brasil, em 1983, o Escort representava justamente modernidade. Leia mais (08/31/2026 - 18h00)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 21:00
    Suas opiniões sobre investimentos envelheceram?
    Três corretores em ação na bolsa de valores, um deles com headset e tablet gesticulando, outro ao fundo observando telas, e o terceiro concentrado em dispositivo móvel. Monitores com dados financeiros e logotipos de empresas como IBM e McDo — Foto: Folha de S.Paulo

    Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro

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    Revisar uma carteira também significa questionar convicções que nunca foram atualizadas. - Brendan McDermid/Reuters · Brendan McDermid/Reuters
    Revisar uma carteira também significa questionar convicções que nunca foram atualizadas. - Brendan McDermid/Reuters · Brendan McDermid/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Imagine entrar hoje em uma concessionária e pedir um Ford Escort porque deseja um dos carros mais modernos do mercado. Soaria estranho. Mas, quando chegou ao Brasil, em 1983, o Escort representava justamente modernidade.

    Foi o primeiro "carro mundial" da Ford produzido no país, tinha motor transversal, tração dianteira e suspensão independente nas quatro rodas. O XR3 virou objeto de desejo de uma geração. Para aquele momento, fazia todo sentido.

    Mas você provavelmente já trocou de carro algumas vezes desde então. Também trocou de celular, computador e televisão. E não julga um automóvel atual pela experiência que teve com um modelo de 20 ou 30 anos atrás.

    Curiosamente, com produtos financeiros fazemos diferente. Ainda é comum alguém afirmar que "previdência é ruim", "seguro é dinheiro jogado fora" ou que determinada categoria de investimento não vale a pena com base no produto que conheceu anos atrás.

    Talvez você tenha atualizado cinco vezes seu celular desde que formou sua opinião sobre previdência, mas nunca tenha buscado atualizar essa opinião.

    William Samuelson e Richard Zeckhauser demonstraram, em um estudo clássico, nossa tendência a favorecer o estado atual das coisas e decisões anteriormente tomadas, comportamento conhecido como viés do status quo.

    O fenômeno apareceu inclusive em escolhas reais envolvendo planos de saúde e aposentadoria . É uma das razões pelas quais rever decisões pode ser mais difícil do que imaginamos.

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    Mas existe algo ainda mais interessante: não envelhecem apenas os produtos que mantemos; envelhecem também nossas opiniões sobre produtos que mudaram. E uma opinião antiga pode sobreviver muito mais do que aquilo que lhe deu origem.

    Custos caíram, alternativas de investimento aumentaram, estruturas de previdência mudaram e seguros passaram a oferecer diferentes combinações de estruturas, coberturas e proteção financeira.

    Ressalto o seguro que é um dos produtos mais criticados e ao mesmo tempo desconhecido. Muita gente ainda o associa exclusivamente a pagar durante anos para que a família receba algo após sua morte.

    Existem hoje, porém, modalidades com coberturas em vida e estruturas bastante diferentes entre si. Isso não torna qualquer seguro bom e moderno, assim como nem todo carro "zero km" é atual. Significa apenas que avaliar uma categoria inteira pela lembrança de um produto antigo pode levar a uma conclusão igualmente antiga.

    Há ainda uma diferença curiosa entre carros e produtos financeiros. A indústria automobilística nos apresenta constantemente o que mudou. Vemos publicidade, lançamentos e novos modelos nas ruas, constantemente.

    Ninguém precisa nos lembrar de que os carros evoluíram. No mercado financeiro, ao contrário, é perfeitamente possível passar décadas sem revisitar uma previdência, um seguro ou mesmo uma convicção formada quando as alternativas eram completamente diferentes.

    Por isso, revisar uma carteira deveria significar mais do que conferir sua rentabilidade. É preciso fazer todo um planejamento patrimonial e verificar se aquilo que você possui ainda é adequado e, talvez mais difícil, reconsiderar aquilo que você descartou no passado.

    O objetivo não é simplesmente trocar o velho pelo novo. Mas, substituir uma decisão ou visão antiga por uma atual, mesmo que, depois da análise, você decida manter exatamente o que já possui ou não o ter.

    O Escort não era um carro ruim. Foi moderno, desejado e adequado ao seu tempo. O problema seria procurar nele hoje a tecnologia de um automóvel atual.

    Talvez devêssemos aplicar a mesma lógica ao nosso patrimônio. Antes de dizer que um investimento, uma previdência ou um seguro não serve para você, faça uma pergunta: estou avaliando o produto que existe hoje ou ainda tomando decisões com as opiniões que formei no passado?

    Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/de-grao-em-grao/2026/08/suas-opinioes-sobre-investimentos-envelheceram.shtml.

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    Revisar uma carteira também significa questionar convicções que nunca foram atualizadas. - Brendan McDermid/Reuters · Brendan McDermid/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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