STF começa a julgar hoje regras para pagamento de R$ 6,1 bi a poupadores
Plenário Virtual analisa pedido para dispensar adesão individual ao acordo sobre perdas provocadas por planos econômicos

O STF (Supremo Tribunal Federal) inicia nesta sexta-feira (14), no plenário virtual, o julgamento de recursos que discutem a forma de pagamento dos expurgos inflacionários decorrentes dos planos Bresser , Verão , Collor I e Collor II . A análise segue aberta até a próxima sexta-feira (21).
Os ministros vão analisar se poupadores com direito ao ressarcimento podem receber os valores sem aderir formalmente ao acordo coletivo homologado pela Corte. Segundo a Febrapo (Frente Brasileira pelos Poupadores) , cerca de R$ 6,1 bilhões ainda estão pendentes de pagamento .
A discussão coloca em lados opostos entidades que representam os poupadores e instituições financeiras. De um lado, a Febrapo defende que os bancos localizem e paguem diretamente os beneficiários. Do outro, bancos sustentam que cada poupador precisa manifestar formalmente a intenção de aderir ao acordo.

Segundo estimativa da Febrapo, mais de 200 mil pessoas , entre poupadores e herdeiros, ainda aguardam ressarcimento pelas perdas sofridas nas cadernetas de poupança nas décadas de 1980 e 1990.
O impasse ocorre após o STF fixar prazo de 24 meses para novas adesões ao acordo coletivo. Para a entidade, exigir que os próprios poupadores iniciem o procedimento pode impedir que parte dos credores receba os valores dentro do período estabelecido.
A Febrapo afirma ainda que os bancos não têm empregado esforço suficiente para localizar os beneficiários. Segundo a entidade, atualmente são fechados cerca de 5 mil acordos por mês, enquanto seria necessário superar 18 mil adesões mensais para quitar o saldo de R$ 6,1 bilhões no período restante.

"É inaceitável que um acordo, que já prevê um deságio significativo e é, por essência, altamente benéfico aos bancos, seja descumprido de forma tão vergonhosa e não pague a todos os poupadores e seus herdeiros que sofrem as consequências de planos econômicos e que esperaram 20, 30 anos para serem ressarcidos" , afirmou Ana Seleme, diretora executiva da Febrapo, em nota.
As instituições financeiras, por sua vez, sustentam que a decisão do Supremo que homologou o acordo não eliminou a necessidade de manifestação voluntária e expressa de cada poupador.
Para os bancos, a adesão individual é necessária para formalizar o pagamento e encerrar as respectivas ações judiciais.

O acordo coletivo sobre os expurgos inflacionários foi firmado em 2017 entre instituições financeiras e entidades de defesa dos consumidores, com participação da AGU (Advocacia-Geral da União) . A medida buscou solucionar milhares de processos que discutiam perdas provocadas pelos planos econômicos.
Em maio de 2025, o STF concluiu o julgamento de mérito da ADPF 165, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin . Por unanimidade, a Corte declarou a constitucionalidade dos planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II, reafirmou o acordo coletivo e determinou sua aplicação aos processos sobre os expurgos inflacionários.
Na mesma decisão, o Supremo abriu prazo de 24 meses para novas adesões de poupadores.




Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/stf-comeca-a-julgar-hoje-regras-para-pagamento-de-r-61-bi-a-poupadores/.

Ministro Cristiano Zanin durante sessão plenária do STF • Gustavo Moreno/STF · • Gustavo Moreno/STF — Foto: CNN Brasil
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