Economia

    Startups: IA pode movimentar US$ 4,7 trilhões em lucros corporativos até 2035

    Imagem: Pixabay " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/AGI-Inteligencia-Artificial-Geral.png?fit=1280%2C720&quality=70&strip=all" />Estudo da Bain & Company mostra que tecnologia deve transformar 71% dos setores, com impacto superior ao da internet The post Startups: IA pode movimentar US$ 4,7 trilhões em lucros corporativos até 2035 appeared first on InfoMoney .

    InfoMoney
    14 de setembro de 2026 às 21:03
    Startups: IA pode movimentar US$ 4,7 trilhões em lucros corporativos até 2035
    Foto: InfoMoney

    A inteligência artificial pode movimentar cerca de US$ 4,7 trilhões em lucros corporativos entre 2025 e 2035, mais que o triplo do impacto da internet, em metade do tempo. A projeção é de um estudo da Bain & Company, publicado na última terça-feira (8), que analisou 92 setores da economia global para mapear onde essa transformação deve ser mais profunda.

    Segundo a consultoria, a comparação com a internet ajuda a dimensionar o impacto esperado. Entre 1995 e 2015, a rede mundial de computadores colocou em jogo cerca de US$ 1,4 trilhão em lucros — US$ 1,1 trilhão vieram do crescimento líquido do pool de lucros, impulsionado pela criação de novas categorias e por ganhos de produtividade, enquanto US$ 300 bilhões foram redistribuídos entre concorrentes. Esse crescimento respondeu por apenas um quinto da expansão total dos lucros no período, já que outros fatores, como mudanças demográficas e a industrialização da China, também tiveram peso relevante.

    O mecanismo central, aponta a Bain, foi a redução drástica do custo de distribuição. Antes da internet, levar um produto, serviço ou informação até o cliente exigia uma estrutura física — lojas, agências, distribuidores e vendedores —, o que encarecia o processo. A internet reduziu esse custo a quase zero: bastava um site ou uma plataforma para alcançar clientes em qualquer lugar. Esse movimento impulsionou o comércio eletrônico e os marketplaces, além de eliminar intermediários que cobravam justamente por controlar informações às quais os clientes não tinham acesso.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Esse efeito, porém, só foi capaz de transformar de forma significativa os setores em que a distribuição era, de fato, o principal gargalo. Foi o caso de 41% dos setores analisados, incluindo viagens, notícias, serviços financeiros e software corporativo. Já nos setores em que os desafios estavam na produção ou no desenvolvimento do produto — como mineração, pesquisa farmacêutica e construção —, a internet teve pouco ou nenhum efeito. Na mineração, por exemplo, o pool de lucros dobrou no período, mas por razões alheias à internet.

    A diferença central apontada pelo estudo é que, enquanto a internet reduziu o custo de chegar ao cliente, a IA reduz o custo de produzir o próprio produto ou serviço, do diagnóstico médico ao desenvolvimento de software, passando pelo trabalho físico realizado por robôs e veículos autônomos.

    Os pesquisadores dividem esse efeito em duas frentes. A IA cognitiva transforma o trabalho baseado em conhecimento e expertise, como a análise de um exame por um radiologista ou a elaboração de um contrato por um advogado. Já a IA incorporada (embodied AI), presente em robôs e veículos autônomos, transforma a produção física e as operações, do trator que colhe uma safra à solda realizada por um robô industrial. Segundo a Bain, a maior parte da disrupção ocorre hoje no campo cognitivo, mas a IA incorporada avança rapidamente.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    O estudo detalha três formas pelas quais a IA deve movimentar os lucros globais. A primeira é por meio dos ganhos de produtividade, que podem representar US$ 1,1 trilhão. Nesse caso, a tecnologia torna o trabalho existente mais barato, rápido ou escalável, ao substituir tarefas cognitivas em serviços profissionais e otimizar operações e logística em setores físicos.

    Segundo a Bain, essa fatia corresponde a cerca de 24% do total em jogo. Os clientes também podem se beneficiar com preços menores ou produtos melhores, mas o cálculo considera apenas o valor que permanece com as empresas na forma de lucro.

    A segunda frente é a inovação, que deve responder por US$ 2,2 trilhões. Novos produtos e modelos de negócio viabilizados pela IA — da infraestrutura de semicondutores e data centers a sistemas autônomos e monitoramento contínuo de saúde — devem gerar essa parcela dos novos lucros. Embora novos players possam surgir, como aconteceu com Google, Meta e Amazon na era da internet, a consultoria destaca que a IA também dá às empresas já estabelecidas um poder de inovação inédito em um espectro mais amplo da economia.

    A terceira frente é a disputa por market share, responsável por US$ 1,3 trilhão. Cerca de 29% da mudança no pool de lucros deve vir da redistribuição entre concorrentes já existentes, à medida que a IA altera a capacidade de competir e as habilidades mais relevantes para cada setor. Para a maioria das empresas, segundo o estudo, o maior risco não está em um novo entrante disruptivo, mas no concorrente direto que conseguir usar melhor a tecnologia.

    A pesquisa organiza os 92 setores analisados em quatro grupos, de acordo com o tipo de impacto esperado. O primeiro é o de fundação tecnológica, que concentra US$ 1,5 trilhão e reúne setores como nuvem, data centers, semicondutores, PCs, servidores e modelos de fundação de IA. Segundo a Bain, esses segmentos devem enfrentar uma demanda inevitável e explosiva, já que a adoção da tecnologia pelos demais setores depende dessa infraestrutura.

    O segundo grupo é o de reconfiguração, também estimado em US$ 1,5 trilhão. Trata-se de uma corrida aberta, na qual os pools de lucro estão sendo reconstruídos. A lista inclui farmacêutica e biotecnologia, saúde, equipamentos médicos, defesa, pagamentos, software corporativo, consultoria, advocacia, cibersegurança, transporte, logística e mídia interativa. No setor de imagem médica, por exemplo, o estudo observa que sistemas de IA já analisam exames de radiologia mais rápido e com mais precisão que a maioria dos clínicos. O lucro, porém, não está migrando necessariamente para as startups de IA, mas se concentrando em sistemas de saúde e fabricantes de equipamentos que já possuem dados proprietários, aprovações regulatórias e fluxos clínicos estabelecidos.

    O terceiro grupo é o de aumento, que representa US$ 1,3 trilhão. São setores em que o modelo de negócio muda menos, mas a execução se torna decisiva, já que os concorrentes têm acesso às mesmas ferramentas de IA. A hotelaria é um exemplo citado pela consultoria, com empresas usando a tecnologia para prever a demanda, ajustar preços dinamicamente e aprofundar o relacionamento com os clientes.

    Por fim, há o grupo de revolução, responsável por US$ 300 bilhões. São setores em que a IA passa a entregar o próprio produto ou serviço central, ou em que a margem de intermediação desaparece. É o caso de suporte ao cliente, serviços de TI e tutoria e preparação para provas online. Segundo o estudo, uma empresa que antes empregava centenas de atendentes para resolver chamados rotineiros pode agora direcionar a maior parte desse volume para sistemas de IA, que solucionam os problemas mais rapidamente e a um custo menor. Nesse cenário, o pool de lucro tende a migrar para quem controla essa camada de IA.

    A metodologia da consultoria combina dados observados de pools de lucro em 1995, 2015 e 2025, validados contra 91 setores no período da internet, ajustados para as dinâmicas mais rápidas da IA. O estudo foi assinado pelos consultores da Bain Dunigan O’Keeffe, Gardiner Kreglow, Gene Rapoport, Sophie Horrocks, Hernan Saenz e Martin Toner.

    The post Startups: IA pode movimentar US$ 4,7 trilhões em lucros corporativos até 2035 appeared first on InfoMoney .

    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/business/startups-ia-pode-movimentar-us-47-trilhoes-em-lucros-corporativos-ate-2035/.

    Imagem 1
    1 / 2

    Foto: InfoMoney

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)