Startup de 30 pessoas tenta desafiar gigantes em corrida por IA britânica
A aposta do Reino Unido para construir um modelo de inteligência artificial (IA) "soberano" está nas mãos de uma startup londrina com cerca de 30 funcionários e que levantou apenas US$ 15 milhões (R$ 77,4 milhões). Leia mais (08/11/2026 - 12h19)

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A aposta do Reino Unido para construir um modelo de inteligência artificial (IA) "soberano" está nas mãos de uma startup londrina com cerca de 30 funcionários e que levantou apenas US$ 15 milhões (R$ 77,4 milhões).

A Cosine, fundada pelo diretor-executivo Alistair Pullen e por Yang Li, está desenvolvendo o Lumen Sovereign, um modelo de IA de fronteira apoiado pelo governo e desenvolvido em parceria com empresas como BAE Systems, PwC e Lloyds Banking Group.
Autoridades britânicas o descreveram como "o primeiro modelo de IA de fronteira totalmente soberano do Reino Unido". Outros questionam se a empresa tem talento, capacidade computacional e capital suficientes para entregar o projeto.
"Temos, sim, um histórico nessa área. Já fizemos trabalhos de larga escala com grandes modelos e melhoramos de fato seu desempenho", afirmou Pullen.

O projeto surge em um momento em que governos dão cada vez mais importância à soberania em IA e ao controle de tecnologias críticas. Dias depois de o Reino Unido anunciar, em junho, que daria à Cosine acesso ao supercomputador Isambard, os Estados Unidos proibiram temporariamente grupos estrangeiros de acessar os modelos Mythos e Fable, da Anthropic , aumentando as preocupações com segurança nacional e dependência de provedores estrangeiros de IA.
Os obstáculos, porém, são enormes. A empresa levantou apenas US$ 15 milhões (R$ 77,4 milhões), em comparação com os bilhões investidos em concorrentes como a francesa Mistral e com os valores muito maiores destinados à OpenAI e à Anthropic.
Ainda assim, a Cosine é uma das poucas empresas britânicas que tentam desenvolver modelos de IA de fronteira do zero —um campo dominado por grupos americanos e chineses com amplo financiamento.

Em vez de tentar competir com OpenAI e Anthropic em todas as aplicações, Pullen disse que a Cosine desenvolveu sua expertise adaptando e treinando grandes modelos de linguagem para clientes de setores altamente regulados, incluindo serviços financeiros e defesa, nos quais os sistemas de IA precisam funcionar nos próprios servidores das empresas.
Pullen argumenta que esse trabalho deu à Cosine as bases técnicas para assumir o desenvolvimento do Lumen Sovereign. "O tipo de trabalho necessário para construir o modelo do zero é muito semelhante a tudo o que fizemos no passado, talvez com uma escala duas ordens de magnitude maior", afirmou.
A empresa foi fundada em 2022, depois que Pullen concluiu que os grandes modelos de linguagem transformariam o desenvolvimento de software. Ao lado de Li, que anteriormente foi executivo de várias startups de tecnologia , incluindo a empresa de pagamentos Ziglu, que entrou em colapso, e a corretora de criptomoedas Luno, ele decidiu criar o que descreveu como um "engenheiro de software de IA".

Depois de ingressarem na altamente competitiva aceleradora de startups Y Combinator, os dois tiveram acesso antecipado aos modelos da OpenAI e fizeram ajustes para adaptá-los a tarefas de engenharia de software.
Mas concorrentes maiores abriram vantagem nas ferramentas de programação autônoma, principalmente a Anthropic, com o lançamento do Claude Code . A experiência levou a uma mudança de estratégia. Em vez de competir diretamente com os maiores laboratórios de IA, a Cosine passou a se concentrar na criação de sistemas de IA para setores regulados — trabalho que acabou servindo de base para o Lumen Sovereign.
A Cosine está desenvolvendo seu modelo com uma arquitetura de "mistura de especialistas" ( mixture of experts ), uma abordagem popularizada pela chinesa DeepSeek . A arquitetura é baseada no modelo Large 3, da Mistral, embora Pullen diga que o Lumen Sovereign terá aproximadamente o dobro do tamanho.
A maior limitação é o poder computacional. Pullen estima que o Isambard fornecerá cerca de 80% da capacidade de processamento necessária para treinar o modelo, enquanto o restante virá de data centers privados no Reino Unido.
Ao contrário da OpenAI e da Anthropic , porém, a Cosine não pretende operar o modelo. Em vez disso, planeja disponibilizar o Lumen Sovereign para que terceiros possam implantá-lo, evitando o enorme custo de operar modelos de IA em larga escala.
"A tecnologia parece ótima", disse um investidor de venture capital familiarizado com a Cosine, mas acrescentou: "Eles precisam levantar centenas de milhões de libras em investimentos para serem minimamente competitivos e, neste momento, ainda estão bem no início dessa jornada."
Pullen reconhece o desafio. A Cosine espera começar a compartilhar com parceiros, até setembro, "checkpoints" —versões instantâneas do Lumen Sovereign durante seu treinamento— antes de uma disponibilização pública mais ampla em outubro. A empresa planeja abrir uma nova rodada de captação ainda neste ano para financiar a próxima etapa do desenvolvimento.
O dinheiro também financiaria uma contratação massiva de funcionários. A Cosine ainda não conseguiu recrutar pesquisadores dos principais laboratórios de IA do mundo, e Pullen admite que não consegue competir com os pacotes de remuneração oferecidos pela OpenAI e pela Anthropic.
Em vez disso, ele espera que a oportunidade de construir um modelo de fronteira em uma equipe pequena atraia engenheiros que tenham ficado "confinados" a funções específicas dentro de organizações maiores.
Céticos acreditam que a falta de financiamento disponível para startups britânicas limitará as grandes ambições da Cosine. Em resposta, Pullen disse gostar que seus funcionários tenham um "saudável espírito de desafio", dizendo a eles: "Olhem, podemos mostrar que somos capazes de fazer isso. Com certeza podemos levar esse projeto adiante."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/08/startup-de-30-pessoas-tenta-desafiar-gigantes-em-corrida-por-ia-britanica.shtml.

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