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    Startup de 30 pessoas tenta desafiar gigantes em corrida por IA britânica

    A aposta do Reino Unido para construir um modelo de inteligência artificial (IA) "soberano" está nas mãos de uma startup londrina com cerca de 30 funcionários e que levantou apenas US$ 15 milhões (R$ 77,4 milhões). Leia mais (08/11/2026 - 12h19)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 15:19
    Startup de 30 pessoas tenta desafiar gigantes em corrida por IA britânica
    Estátua de homem em perfil com mãos atrás das costas e pássaro pousado na cabeça, com o relógio do Big Ben ao fundo em dia claro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A aposta do Reino Unido para construir um modelo de inteligência artificial (IA) "soberano" está nas mãos de uma startup londrina com cerca de 30 funcionários e que levantou apenas US$ 15 milhões (R$ 77,4 milhões).

    Escultura próxima do Big Ben, construção que é um dos principais pontos turísticos de Londres, na Inglaterra - Li Ying/- 14.abr.26/ Xinhua · Li Ying/- 14.abr.26/ Xinhua
    Escultura próxima do Big Ben, construção que é um dos principais pontos turísticos de Londres, na Inglaterra - Li Ying/- 14.abr.26/ Xinhua · Li Ying/- 14.abr.26/ Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Cosine, fundada pelo diretor-executivo Alistair Pullen e por Yang Li, está desenvolvendo o Lumen Sovereign, um modelo de IA de fronteira apoiado pelo governo e desenvolvido em parceria com empresas como BAE Systems, PwC e Lloyds Banking Group.

    Autoridades britânicas o descreveram como "o primeiro modelo de IA de fronteira totalmente soberano do Reino Unido". Outros questionam se a empresa tem talento, capacidade computacional e capital suficientes para entregar o projeto.

    "Temos, sim, um histórico nessa área. Já fizemos trabalhos de larga escala com grandes modelos e melhoramos de fato seu desempenho", afirmou Pullen.

    Como a IA se integra ao dia a dia na Coreia do Sul
    Como a IA se integra ao dia a dia na Coreia do Sul — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O projeto surge em um momento em que governos dão cada vez mais importância à soberania em IA e ao controle de tecnologias críticas. Dias depois de o Reino Unido anunciar, em junho, que daria à Cosine acesso ao supercomputador Isambard, os Estados Unidos proibiram temporariamente grupos estrangeiros de acessar os modelos Mythos e Fable, da Anthropic , aumentando as preocupações com segurança nacional e dependência de provedores estrangeiros de IA.

    Os obstáculos, porém, são enormes. A empresa levantou apenas US$ 15 milhões (R$ 77,4 milhões), em comparação com os bilhões investidos em concorrentes como a francesa Mistral e com os valores muito maiores destinados à OpenAI e à Anthropic.

    Ainda assim, a Cosine é uma das poucas empresas britânicas que tentam desenvolver modelos de IA de fronteira do zero —um campo dominado por grupos americanos e chineses com amplo financiamento.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em vez de tentar competir com OpenAI e Anthropic em todas as aplicações, Pullen disse que a Cosine desenvolveu sua expertise adaptando e treinando grandes modelos de linguagem para clientes de setores altamente regulados, incluindo serviços financeiros e defesa, nos quais os sistemas de IA precisam funcionar nos próprios servidores das empresas.

    Pullen argumenta que esse trabalho deu à Cosine as bases técnicas para assumir o desenvolvimento do Lumen Sovereign. "O tipo de trabalho necessário para construir o modelo do zero é muito semelhante a tudo o que fizemos no passado, talvez com uma escala duas ordens de magnitude maior", afirmou.

    A empresa foi fundada em 2022, depois que Pullen concluiu que os grandes modelos de linguagem transformariam o desenvolvimento de software. Ao lado de Li, que anteriormente foi executivo de várias startups de tecnologia , incluindo a empresa de pagamentos Ziglu, que entrou em colapso, e a corretora de criptomoedas Luno, ele decidiu criar o que descreveu como um "engenheiro de software de IA".

    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe
    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Depois de ingressarem na altamente competitiva aceleradora de startups Y Combinator, os dois tiveram acesso antecipado aos modelos da OpenAI e fizeram ajustes para adaptá-los a tarefas de engenharia de software.

    Mas concorrentes maiores abriram vantagem nas ferramentas de programação autônoma, principalmente a Anthropic, com o lançamento do Claude Code . A experiência levou a uma mudança de estratégia. Em vez de competir diretamente com os maiores laboratórios de IA, a Cosine passou a se concentrar na criação de sistemas de IA para setores regulados — trabalho que acabou servindo de base para o Lumen Sovereign.

    A Cosine está desenvolvendo seu modelo com uma arquitetura de "mistura de especialistas" ( mixture of experts ), uma abordagem popularizada pela chinesa DeepSeek . A arquitetura é baseada no modelo Large 3, da Mistral, embora Pullen diga que o Lumen Sovereign terá aproximadamente o dobro do tamanho.

    A maior limitação é o poder computacional. Pullen estima que o Isambard fornecerá cerca de 80% da capacidade de processamento necessária para treinar o modelo, enquanto o restante virá de data centers privados no Reino Unido.

    Ao contrário da OpenAI e da Anthropic , porém, a Cosine não pretende operar o modelo. Em vez disso, planeja disponibilizar o Lumen Sovereign para que terceiros possam implantá-lo, evitando o enorme custo de operar modelos de IA em larga escala.

    "A tecnologia parece ótima", disse um investidor de venture capital familiarizado com a Cosine, mas acrescentou: "Eles precisam levantar centenas de milhões de libras em investimentos para serem minimamente competitivos e, neste momento, ainda estão bem no início dessa jornada."

    Pullen reconhece o desafio. A Cosine espera começar a compartilhar com parceiros, até setembro, "checkpoints" —versões instantâneas do Lumen Sovereign durante seu treinamento— antes de uma disponibilização pública mais ampla em outubro. A empresa planeja abrir uma nova rodada de captação ainda neste ano para financiar a próxima etapa do desenvolvimento.

    O dinheiro também financiaria uma contratação massiva de funcionários. A Cosine ainda não conseguiu recrutar pesquisadores dos principais laboratórios de IA do mundo, e Pullen admite que não consegue competir com os pacotes de remuneração oferecidos pela OpenAI e pela Anthropic.

    Em vez disso, ele espera que a oportunidade de construir um modelo de fronteira em uma equipe pequena atraia engenheiros que tenham ficado "confinados" a funções específicas dentro de organizações maiores.

    Céticos acreditam que a falta de financiamento disponível para startups britânicas limitará as grandes ambições da Cosine. Em resposta, Pullen disse gostar que seus funcionários tenham um "saudável espírito de desafio", dizendo a eles: "Olhem, podemos mostrar que somos capazes de fazer isso. Com certeza podemos levar esse projeto adiante."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/08/startup-de-30-pessoas-tenta-desafiar-gigantes-em-corrida-por-ia-britanica.shtml.

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    Escultura próxima do Big Ben, construção que é um dos principais pontos turísticos de Londres, na Inglaterra - Li Ying/- 14.abr.26/ Xinhua · Li Ying/- 14.abr.26/ Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo

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