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    St George e governo de MG estudam construção de refinaria de terras raras

    Projeto em Uberlândia ainda está em fase de avaliação e pode avançar desde o processamento de concentrados até separação e refino de terras raras para abastecer produção de ímãs no Brasil; governo de MG dará apoio institucional

    CNN Brasil
    28 de agosto de 2026 às 15:06
    St George e governo de MG estudam construção de refinaria de terras raras
    Foto: CNN Brasil

    A St George Mining, o governo de Minas Gerais e o grupo brasileiro Lima & Pergher começaram a estudar a criação de um polo de processamento e refino de terras raras em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com o objetivo de avançar em etapas da cadeia produtiva que hoje ainda não são desenvolvidas no Brasil.

    O projeto ainda está em fase inicial de avaliação. As empresas não definiram o desenho final da planta, o volume de investimento nem exatamente até qual etapa do processamento o centro poderá chegar. A proposta é analisar diferentes rotas e tecnologias antes de uma decisão final de investimento.

    O acordo prevê que o centro tenha capacidade para receber diferentes tipos de produtos intermediários da mineração de terras raras, como concentrados, carbonato misto de terras raras — conhecido pela sigla MREC — e oxalatos, e avançar no processamento desses materiais para produzir insumos destinados às etapas seguintes da cadeia, inclusive à fabricação de ímãs.

    • complexo industrial da START · • complexo industrial da START
    • complexo industrial da START · • complexo industrial da START — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Na prática, a discussão envolve até onde o novo polo poderá avançar na cadeia.

    Depois da extração do minério, as terras raras passam por etapas de beneficiamento para aumentar a concentração dos elementos de interesse. Um dos produtos que pode sair dessa etapa é o carbonato misto de terras raras, no qual diferentes elementos ainda permanecem agrupados.

    Quanto mais a cadeia avança, maior tende a ser a complexidade tecnológica. O material pode passar por novas etapas de purificação e separação, até que os diferentes elementos de terras raras sejam isolados e convertidos em produtos de maior valor agregado.

    Juízo aceita processamento da recuperação extrajudicial da Braskem
    Juízo aceita processamento da recuperação extrajudicial da Braskem — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    É nessa fase que podem ser separados, por exemplo, elementos utilizados em ímãs permanentes, como neodímio e praseodímio.

    A St George afirma que o centro em estudo poderá ter capacidade para separar e refinar terras raras e produzir materiais destinados à fabricação de ímãs, mas o desenho tecnológico ainda não foi fechado. Ou seja, ainda está sendo avaliado se a instalação ficará concentrada em produtos intermediários mais beneficiados ou se avançará para etapas mais sofisticadas de separação e refino.

    Essa definição dependerá, entre outros fatores, das tecnologias que forem selecionadas para o projeto. A mineradora australiana informou que mantém conversas com potenciais parceiros internacionais e que algumas empresas já demonstraram interesse em apoiar o centro por meio de diferentes arranjos comerciais, inclusive com licenciamento de tecnologia de processamento.

    CEO da Vale compara minerais críticos a “novo petróleo” e pede investimento
    CEO da Vale compara minerais críticos a “novo petróleo” e pede investimento — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A proposta faz parte de uma tentativa de estruturar no país uma cadeia que vá da mineração até a fabricação de ímãs — chamada pelo setor de mine-to-magnet, ou “da mina ao ímã”.

    Hoje, a mineração é apenas o início dessa cadeia. Depois da extração e concentração, são necessárias etapas químicas de separação e purificação até a obtenção de materiais com especificações adequadas para aplicações industriais.

    No caso dos chamados ímãs permanentes, usados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e diversas tecnologias de alta performance, elementos como neodímio e praseodímio precisam ser separados dos demais elementos presentes originalmente no minério e transformados em materiais de elevada pureza.

    Governo descarta intervenção em venda da Serra Verde, de terras raras
    Governo descarta intervenção em venda da Serra Verde, de terras raras — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A intenção declarada pelas empresas é que o centro de Minas Gerais possa preencher parte dessa lacuna entre a mina e a fabricação dos ímãs.

    Uma das possíveis destinatárias dos materiais produzidos pelo centro é a MagBras, iniciativa público-privada criada para estabelecer uma cadeia nacional de fabricação de ímãs de terras raras.

    Segundo a St George, a empresa já forneceu material do projeto de Araxá para testes metalúrgicos da iniciativa e poderá abastecer a MagBras futuramente com produtos do projeto ou do novo centro de processamento.

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    CEO da Vale compara minerais críticos a “novo petróleo” e pede investimento — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O objetivo declarado no acordo é utilizar matéria-prima brasileira e realizar no país as etapas de processamento necessárias para avançar em direção a uma cadeia doméstica de terras raras.

    O centro é estudado para ser instalado dentro do complexo industrial da START, divisão química e industrial do Grupo Lima & Pergher, em Uberlândia.

    A área já possui infraestrutura industrial, energia, acesso a produtos químicos e mão de obra especializada. O complexo ocupa mais de 500 mil metros quadrados, segundo a St George.

    Juízo aceita processamento da recuperação extrajudicial da Braskem
    Juízo aceita processamento da recuperação extrajudicial da Braskem — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    St George e START avaliam inclusive a criação de uma nova empresa para construir, controlar e operar conjuntamente o centro.

    A meta preliminar é iniciar as operações até 2030, mas o cronograma depende da conclusão dos estudos, do licenciamento e de uma decisão final de investimento.

    Ainda não existe, portanto, compromisso definitivo de construção da planta.

    Governo descarta intervenção em venda da Serra Verde, de terras raras
    Governo descarta intervenção em venda da Serra Verde, de terras raras — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Cada empresa arcará com seus próprios custos durante a fase de estudos. O valor dos aportes necessários para construção e operação será definido apenas caso as partes decidam seguir adiante com o empreendimento e negociem um acordo definitivo.

    O governo mineiro participará do projeto principalmente como facilitador institucional.

    A Invest Minas deverá auxiliar na interlocução com órgãos públicos, acompanhar os processos de aprovação e licenciamento, aproximar o empreendimento de fornecedores e prestadores de serviços e apoiar pedidos de incentivos fiscais estaduais.

    O acordo, porém, não prevê neste momento aporte financeiro do governo nem garante a concessão dos incentivos fiscais.

    Já a START poderá disponibilizar terreno, acesso à energia e conhecimento técnico, além de participar da construção e da futura operação da instalação.

    A St George, por sua vez, pretende fornecer matéria-prima do projeto de Araxá, desenhos de fluxogramas de processamento e pessoal técnico, além de buscar tecnologias junto a parceiros internacionais.

    O projeto de terras raras e nióbio da St George em Araxá será uma das potenciais fontes de matéria-prima do centro.

    A empresa informou neste mês que o projeto possui recurso mineral total de 111,2 milhões de toneladas, com teor médio de 3,57% de óxidos totais de terras raras (TREO).

    Desse total, 75,2 milhões de toneladas estão nas categorias medida e indicada, com teor médio de 3,64% de TREO. A companhia estima que essa parcela contenha aproximadamente 520 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr).

    O projeto está localizado próximo às operações de nióbio da CBMM, em Araxá.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/st-george-e-governo-de-mg-estudam-construcao-de-refinaria-de-terras-raras/.

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