Política

    Sportingbet deixará o Brasil se proibição das bets continuar

    Executivo diz que empresa buscará reverter a medida e negocia com Palmeiras e Vasco os efeitos sobre os patrocínios

    Poder360
    3 de outubro de 2026 às 09:00
    Sportingbet deixará o Brasil se proibição das bets continuar
    Foto: Poder360

    Executivo diz que empresa buscará reverter a medida e negocia com Palmeiras e Vasco os efeitos sobre os patrocínios

    A Sportingbet encerrará as operações no Brasil se a proibição das apostas de quota fixa for mantida, afirmou o responsável pela empresa na América Latina, Antonio Forjaz , 33 anos. Em entrevista ao Poder360 gravada na 6ª feira (2.out.2026), ele disse que a empresa tentará reabrir o diálogo com o governo, avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal e conversa com Palmeiras e Vasco, clubes que patrocina.

    Forjaz declarou que busca soluções para os contratos de patrocínio sem deixar os clubes “na mão” . Disse, porém, que ainda não pode dar garantias diante da possibilidade de a empresa encerrar as atividades no país.

    Forjaz declarou que busca soluções para os contratos de patrocínio sem deixar os clubes “na mão”
    Forjaz declarou que busca soluções para os contratos de patrocínio sem deixar os clubes “na mão” — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A MP 1.394 de 2026 , editada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. A proibição abrange apostas esportivas e jogos on-line.

    A MP impede novos depósitos desde a publicação e dá 10 dias para a retirada de publicidade e marcas de patrocínio. Sites e aplicativos de apostas deverão ficar indisponíveis depois desse prazo. As autorizações para operar serão extintas ao fim de 30 dias, sem devolução dos valores pagos pela outorga.

    A medida tem força de lei desde a publicação, mas depende de aprovação do Congresso para continuar em vigor.

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Forjaz disse que a Sportingbet suspendeu os depósitos e busca facilitar o saque dos recursos mantidos pelos clientes. Segundo ele, os saldos pertencem aos apostadores e a empresa dispõe dos valores necessários para devolvê-los.

    O mercado estima em R$ 1,7 bilhão o total dos saldos de apostadores nas plataformas do setor.

    A MP determina que, depois da indisponibilização das plataformas, as empresas encaminhem aos bancos a relação dos valores devidos. As instituições financeiras terão 7 dias, a partir do recebimento das informações, para fazer as transferências.

    A Sportingbet tem contratos de patrocínio com Palmeiras e Vasco da Gama . Forjaz afirmou que a saída das casas de apostas afetaria também receitas ligadas aos direitos de transmissão, à publicidade em estádios e ao patrocínio de competições.

    Segundo o executivo, os contratos com bets representam de 7% a 13% do orçamento dos clubes.

    Forjaz avalia que a proibição não encerrará as apostas e poderá levar parte dos clientes a sites ilegais, inclusive com o uso de VPN. Segundo ele, essas plataformas não seguem exigências impostas às empresas autorizadas no Brasil, como verificação de identidade, restrição a menores de idade e proibição de depósitos com cartão de crédito.

    O executivo afirmou que a migração também dificultaria a fiscalização de fraudes, lavagem de dinheiro e manipulação de resultados.

    “Eu entendo que o problema fica infinitamente mais exacerbado a partir do momento em que a gente não tem o mercado regulado no Brasil” , disse.

    A MP mantém a obrigação de as empresas fornecerem à SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) dados sobre as atividades realizadas enquanto estavam autorizadas, mesmo depois do fim das operações.

    Forjaz contestou estudos que calculam perdas econômicas relacionadas às apostas:

    Forjaz afirmou que os modelos usam premissas enviesadas e deixam de considerar a arrecadação tributária e a atividade econômica do setor. Disse que as apostas não são a única fonte de endividamento das famílias.

    Segundo Forjaz, a Sportingbet atua com o IBJR (Instituto Brasileiro do Jogo Responsável), a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e outras entidades para tentar restabelecer o mercado regulado. A empresa avalia buscar uma decisão provisória no STF contra a proibição.

    O executivo classificou a regulamentação brasileira como “uma das melhores do mundo” , embora defenda atualizações. Disse que o Brasil continua importante para os planos de longo prazo da Sportingbet e que as conversas com o governo se concentram na SPA.

    Questionado sobre possíveis motivações eleitorais da medida, Forjaz preferiu não avaliar a decisão do governo. Afirmou que a empresa pretende manter o diálogo com os responsáveis pela regulamentação das apostas.

    Vídeo: Poder360 · Fonte: Poder360

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/sportingbet-deixara-o-brasil-se-proibicao-das-bets-continuar/.

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    Forjaz declarou que busca soluções para os contratos de patrocínio sem deixar os clubes “na mão” — Foto: Poder360

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