Sportingbet deixará o Brasil se proibição das bets continuar
Executivo diz que empresa buscará reverter a medida e negocia com Palmeiras e Vasco os efeitos sobre os patrocínios

Executivo diz que empresa buscará reverter a medida e negocia com Palmeiras e Vasco os efeitos sobre os patrocínios
A Sportingbet encerrará as operações no Brasil se a proibição das apostas de quota fixa for mantida, afirmou o responsável pela empresa na América Latina, Antonio Forjaz , 33 anos. Em entrevista ao Poder360 gravada na 6ª feira (2.out.2026), ele disse que a empresa tentará reabrir o diálogo com o governo, avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal e conversa com Palmeiras e Vasco, clubes que patrocina.
Forjaz declarou que busca soluções para os contratos de patrocínio sem deixar os clubes “na mão” . Disse, porém, que ainda não pode dar garantias diante da possibilidade de a empresa encerrar as atividades no país.

A MP 1.394 de 2026 , editada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. A proibição abrange apostas esportivas e jogos on-line.
A MP impede novos depósitos desde a publicação e dá 10 dias para a retirada de publicidade e marcas de patrocínio. Sites e aplicativos de apostas deverão ficar indisponíveis depois desse prazo. As autorizações para operar serão extintas ao fim de 30 dias, sem devolução dos valores pagos pela outorga.
A medida tem força de lei desde a publicação, mas depende de aprovação do Congresso para continuar em vigor.

Forjaz disse que a Sportingbet suspendeu os depósitos e busca facilitar o saque dos recursos mantidos pelos clientes. Segundo ele, os saldos pertencem aos apostadores e a empresa dispõe dos valores necessários para devolvê-los.
O mercado estima em R$ 1,7 bilhão o total dos saldos de apostadores nas plataformas do setor.
A MP determina que, depois da indisponibilização das plataformas, as empresas encaminhem aos bancos a relação dos valores devidos. As instituições financeiras terão 7 dias, a partir do recebimento das informações, para fazer as transferências.
A Sportingbet tem contratos de patrocínio com Palmeiras e Vasco da Gama . Forjaz afirmou que a saída das casas de apostas afetaria também receitas ligadas aos direitos de transmissão, à publicidade em estádios e ao patrocínio de competições.
Segundo o executivo, os contratos com bets representam de 7% a 13% do orçamento dos clubes.
Forjaz avalia que a proibição não encerrará as apostas e poderá levar parte dos clientes a sites ilegais, inclusive com o uso de VPN. Segundo ele, essas plataformas não seguem exigências impostas às empresas autorizadas no Brasil, como verificação de identidade, restrição a menores de idade e proibição de depósitos com cartão de crédito.
O executivo afirmou que a migração também dificultaria a fiscalização de fraudes, lavagem de dinheiro e manipulação de resultados.
“Eu entendo que o problema fica infinitamente mais exacerbado a partir do momento em que a gente não tem o mercado regulado no Brasil” , disse.
A MP mantém a obrigação de as empresas fornecerem à SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) dados sobre as atividades realizadas enquanto estavam autorizadas, mesmo depois do fim das operações.
Forjaz contestou estudos que calculam perdas econômicas relacionadas às apostas:
Forjaz afirmou que os modelos usam premissas enviesadas e deixam de considerar a arrecadação tributária e a atividade econômica do setor. Disse que as apostas não são a única fonte de endividamento das famílias.
Segundo Forjaz, a Sportingbet atua com o IBJR (Instituto Brasileiro do Jogo Responsável), a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e outras entidades para tentar restabelecer o mercado regulado. A empresa avalia buscar uma decisão provisória no STF contra a proibição.
O executivo classificou a regulamentação brasileira como “uma das melhores do mundo” , embora defenda atualizações. Disse que o Brasil continua importante para os planos de longo prazo da Sportingbet e que as conversas com o governo se concentram na SPA.
Questionado sobre possíveis motivações eleitorais da medida, Forjaz preferiu não avaliar a decisão do governo. Afirmou que a empresa pretende manter o diálogo com os responsáveis pela regulamentação das apostas.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/sportingbet-deixara-o-brasil-se-proibicao-das-bets-continuar/.

Forjaz declarou que busca soluções para os contratos de patrocínio sem deixar os clubes “na mão” — Foto: Poder360
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